quinta-feira, 6 de junho de 2013

Angústia existencial

Foto: A CULTURA SEMPRE CONDUZ CORPOS SEM ALMA



Filosofia - Colaboradores - (coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.

O problema filosófico da Angústia Existencial
Mariah de Olivieri


Privar o homem da angústia para melhor dominá-lo, é despojá-lo de sua verdade, arrancar sua coragem, inocência e alegria – também seu desgosto – de viver. É querer reduzir à animalidade, é pecar contra seu espírito. 
Henri Pradal


O problema da angústia existencial foi ao logo dos séculos, profundamente examinado por alguns filósofos, que se depararam com esse sentimento em suas existências. Não foi por puro acaso que, ao interessarem-se pelo tema da existência, do destino e suas de conseqüências, o tema da angústia tornou-se o tema de suas vidas.
Neste artigo discorreremos sobre o significado da angústia para Kierkegaard, Heidegger e Karl Jaspers. Estamos cientes de que outros filósofos e estudiosos do pensamento e emoções humanas discorreram sobre o tema da angústia; porém, nos ativemos aqui, a debruçar nosso olhar somente sobre pensadores com os quais nos identificamos, por suas idéias sobre o tema.
A angústia existencial é um sentimento difuso e desconcertante que sufoca a existência e impregna a vida do indivíduo de tristeza e dor; é uma zona limítrofe, um pântano de sombras aterrorizantes, um emaranhado de sentimentos incongruentes, um abismo profundo, que o indivíduo carrega dentro de si.
Inúmeras vezes, em seu cotidiano, o indivíduo sente a falta de algo incompreensível; o resultado é tédio e vazio existencial, ao qual ele é remetido sem aviso prévio. As aquisições materiais, e as vitórias amorosas não preenchem o âmago do seu ser.
O sujeito está em uma constante busca. O ser humano é um mar de infinitas possibilidades, que muitas vezes foram castradas, amordaçadas. Assim, por causa desse afeto ele se torna uma criatura profundamente marcada, mutilada em sua alma, cuja dor perpassa sua compreensão.
Sensação de devastação interna, sentimento de impotência. Para entender a angústia, esse sentimento tão subjetivo, é necessário primeiro compreendê-lo; aceitar essa impressão que torna o indivíduo absolutamente débil, frágil, desorientado.
O indivíduo compõe o mundo através das circunstâncias vividas, das experiências e sentimentos suscitados pelas mesmas; ele é para essa composição uma complementação e, quando se sente fora de tudo isso, abandonado nesse vazio profundo, surge a angústia.
Diante do vazio e do desconhecido, o indivíduo se assusta, pois em seu cotidiano ele lida sempre com situações concretas sejam atividades ou de trabalho, ele está sempre envolvido com outros indivíduos, e estar só é considerado deprimente.
Para a filosofia, a angústia existencial projeta-se por uma ambigüidade conceitual; se por um lado, ela assusta, por outro, permite ao indivíduo encontrar-se com algo maior, que o lança para a condição de sua irremediável finitude e limitações diante de sua existência. Paradoxalmente, a angústia aponta a possibilidade de ser e de existir no enfrentamento da vida, como uma força que emana desde dentro.
Ao refletirmos sobre o significado filosófico da angústia, encontramos o pensamento de Kierkegaard[1]; em seu livro O Conceito de Angústia (1844), atribui que a raiz da angústia é a existência como possibilidade. Esta asserção aponta tratar-se de uma disposição afetiva; algo que impulsiona o sujeito nos seus próprios movimentos.
Heidegger[2], em Ser e o Tempo (1989), anuncia que é a angústia que possibilita ao indivíduo o encaminhamento à um encontro com o Ser, num direcionar ao nada, que permite a abertura de caminhos para o indivíduo encontrar-se com algo não descrito, rumo ao seu destino. Cito Heidegger:
É na disposição da angústia que o estar-lançado na morte se desentranha para a pré-sença de modo mais originário e penetrante. A angústia com a morte e a  angústia da com o poder-ser mais próprio, e remissível e insuperável.
Heidegger discorre sobre o fato da angústia libertar o homem das possibilidades nulas e torná-lo livre para as autênticas.  É pelo fato de ser livre que o Ser-aí pode fugir das responsabilidades para permanecer no nível de uma existência exteriorizada, mas essa fuga está sempre perseguida pela angústia.
 A angústia contém aspectos tanto destrutivos como construtivos, dependendo de como é utilizada. O Ser-aí é lançado na existência, na facticidade. A angústia constitui-se como estrutura fundamental do Ser-aí tal como se encontra primeiramente e antes de tudo, em seu mundo no cotidiano.
A angústia pode surgir nas situações mais inofensivas e não precisa do escuro para se manifestar. O angustiar-se com alguma coisa não possui nem o caráter de espera nem de entendimento, assim a insignificância do mundo é aberta na angústia.
A angústia angustia-se pela presença nua e crua, lançada na estranheza e surge do porvir da de-cisão.  É nela que o sentido do Ser-aí (sua essência) se anuncia.
 Heidegger relaciona a angústia com o temor. Aquilo que a angústia se angustia é o ser-no-mundo como tal. Porém, na angústia não se dá o encontro disso ou daquilo com o qual se pudesse estabelecer uma conjuntura ameaçadora. O ameaçador não vem de um lugar determinado, ele não se encontra em lugar algum.
O indivíduo não sabe o que é aquilo com que se angustia. Aquilo com que a angústia se angustia é o nada, que não se revela em parte alguma. A angústia de acordo com Heidegger se angustia com o mundo como tal, com o próprio ser-no-mundo.
Heidegger afirma que se angustiar abre, de maneira originária e direta, o mundo como mundo. A angústia não é somente angústia com, mas enquanto disposição, é também angústia por.  Na pré-sença, a angústia revela o ser-livre para a liberdade de assumir e escolher a si mesmo.
Assim é que, a angústia enquanto disposição fundamental empreende uma abertura para o desconhecido, ela se eleva a partir do ser-no-mundo enquanto ser-lançado-para-a-morte; é ela que libera o indivíduo de possibilidades nulas, tornando-o livre para as possibilidades próprias. Quando a angústia passa, diz-se costumeiramente: propriamente não foi nada.
Neste construto existencial, Olga Hack, em seu artigo sobre a angústia, cita Jean Barraud, em O homem e sua Angústia, e aponta que: quando esta surge de frente e derruba pontes que unem as margens, provoca um despertar e torna a lucidez mais incisiva.
Porém, a angústia se faz e se mostra a sua maneira e nem sempre o indivíduo tem uma leitura precisa para ela. Quando o indivíduo se dá conta, neste desvelar, e permite tal abertura, ele entra pelo caminho que Aristóteles dizia ser o do espanto; essa é a condição de contemplação do indivíduo, sob sua própria condição de existência enquanto possibilidade. Essa construção e condição de contemplação vêm integrar um olhar original para a angústia, que permite descortinar através desse processo, novas e infinitas possibilidades.
Karl Jaspers[3], em Filosofia da Existência (1974) anuncia que angústia, liberdade e transcendência estão interligadas; a verdadeira liberdade nasce da relação com a transcendência e o processo existencial é uma meditação racional nos confins da condição humana.
Desse modo, não existe comunicação existencial sem razão e liberdade. Jaspers esclarece: a existência é suscitar a liberdade e a existência não é possível, senão em face da transcendência e a transcendência não tem sentido, senão pela existência.
 Sem vínculos com a transcendência, não existe liberdade. A existência do indivíduo está situada de forma singular, e presa irremediavelmente a uma série de situações que escapam de seu controle. Jaspers chama estas situações de momentos nos quais o indivíduo não tem poder de escolha, cito Jaspers:
A existência só desperta quando o existente é sacudido pela idéia da morte. A existência ou se perde no desespero face ao nada ou se revela a si mesma na certeza da eternidade.
A existência procura a experiência das situações-limite, esforçando-se por aprofunda-la até lhe encontrar um sentido que a reintegre em sua autenticidade. A experiência da morte é para Jaspers uma situação limite, pois segundo ele:
Estamos todos destinados à morte, ignorando o momento em que ela virá, procedemos como se nunca devesse chegar. Em verdade, vivendo, não acreditados realmente na morte, embora ela se constitua a maior de todas as certezas.
Diante da morte, a existência autêntica descobre a angústia de uma forma radical, que é a angústia de perder-se enquanto existência. São nas situações-limite que a existência se torna possível.
É somente no desespero de uma situação-limite que o ser encontra a sua certeza, uma vez que: daí ocorre à idéia de que estar morto é não-ser, de que a morte é o nada.
E é tendo a consciência bem clara daquilo que ela não pode mudar, e opondo-se à resistência das situações-limite e graças a elas, (reconhecidas como condições primordiais), que a liberdade pode se concretizar.
É somente no desespero gerado por uma situação-limite que brota, portanto, toda a obscuridade e negatividade desesperadora da condição humana. É através das situações-limite que o indivíduo sofre o aniquilamento, caminho que o conduz à existência.
Jaspers era apaixonado pelo mistério da condição humana e convencido de que existiria um para além do conhecimento que é possível ao indivíduo atingir; ele apelava para o tesouro que todo indivíduo possuía em si, ou seja, a capacidade de se elevar acima de seu ser.
Para Jaspers, viver era escolher. A obrigação de efetuar uma escolha responde efetivamente ao imperativo categórico de Kant, como ele o formulou nos Fundamentos da Metafísica dos Costumes; a exigência de que o indivíduo deve agir segundo a máxima: “tu deves, logo podes” (1785 Paris).
O objeto da escolha depende, segundo Jaspers, somente de cada um; se o indivíduo deve escolher para existir, uma incerteza sempre o impedirá de saber (de certa maneira), o que ele será realmente, ou se conseguirá efetivar e realizar sua escolha. A existência, objeto de um dever de escolher, é realmente o objeto de uma aposta. No seu entender, o indivíduo, ao se fazer a si mesmo, acaba sendo determinado unicamente por suas escolhas.
A existência parece então, aos seus olhos, como uma vontade de existência sem limites; ela é um combate perpétuo, entre o dever e a incerteza, fora de todo o conhecimento. Esta experiência é sentida por Jaspers como uma experiência de dilaceramento, de angústia. Contudo, só através das situações limites, brotam toda a obscuridade e negatividade desesperadora da condição humana.
 É através dessas situações que o indivíduo sofre o aniquilamento, mas esse aniquilamento é também o caminho que o conduz à existência. Pois sem a ameaça do desespero possível, não há liberdade.
Desde modo, as aspirações a uma liberdade total da vida e das suas condições, não são mais que evasões diante das condições reais da existência possível, que são aquelas que permitem fazer verdadeiras escolhas e assumir verdadeiras responsabilidades.
Ao pretender uma liberdade total para a condição humana, o indivíduo, com seus excessos, escamoteia os verdadeiros possíveis de uma liberdade que as situações-limite restringem e estruturam. De acordo com Jaspers o indivíduo não encontra o absoluto senão através das situações-limite.

[1] O conceito de angústia. 1844. Tradução de Álvaro Luiz Montenegro Valls, a partir do original de SKS 4, (manuscrito), em andamento, 2008.
[2] Ser e o Tempo. Parte II. 1989. Tradução de Márcia de Sá Cavalcante. Coleção Pensamento Humano. Petrópolis: Vozes, 340p.
[3]  Filosofia da Existência. 1974. Buenos Aires: Aguilar, 1ª ed. 128 p.
Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e  Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre. Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Enfrentando nossos fantasmas.....

"A melhor forma de enfrentar qualquer fantasma é acender a Luz" !!!!!


sábado, 25 de maio de 2013

Um brinde à Vida !!!!

Beber champanhe previne a perda de memória

Beber champanhe previne a perda de memória
Beber um a dois copos de champanhe por semana contribui para contrariar a perda de memória associada ao envelhecimento e pode ajudar a atrasar o aparecimento de doenças degenerativas como a demência. A conclusão é de um estudo recente de investigadores da Universidade de Reading, no Reino Unido.
 
De acordo com a equipa britânica, os compostos fenólicos - antioxidantes que combatem o envelhecimento celular, também denominados radicais livres - presentes nesta bebida alcoólica melhoram a memória espacial, responsável pela "gravação" de informação sobre o ambiente de cada um e pelo armazenamento de dados para uso futuro.
 
Segundo os especialistas, estes compostos "modelam" os sinais no hipocampo e no córtex que controlam a memória e a aprendizagem, o que explica os seus benefícios para o cérebro, já que alteram favoravelmente algumas proteínas associadas à manutenção das recordações no cérebro.
 
Muitas destas proteínas tendem a desaparecer com o avanço da idade, mas o estudo agora divulgado mostrou que o champanhe atrasa a perda da memória, prevenindo o aparecimento precoce de distúrbios cognitivos que ocorrem à medida que os indivíduos envelhecem.
 
Os investigadores sublinham que o champanhe tem mesmo "níveis mais altos de compostos fenólicos do que o vinho branco", em particular os que derivam das uvas Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay, compostos esses que são responsáveis pelos benefícios da bebida.
 
"Estes resultados entusiasmantes demonstram, pela primeira vez, que o consumo moderado de champanhe tem o potencial para influenciar o funcionamento cognitivo, nomeadamente a memória", salienta Jeremy Spencer, do departamento de ciências nutricionais da Universidade de Reading, em comunicado.

Benefícios para o coração e a circulação sanguínea
 
Spencer explica que resultados semelhantes já tinham sido observados em relação ao vinho tinto, graças à presença de flavonóides na sua composição, mas que "o champanhe, que não conta com este composto, também é capaz de influenciar a função cerebral através da ação dos fenólicos".
 
O especialista acrescenta que, anteriormente, se pensava que estes compostos "não tinham atividade biológica", mas que a investigação agora levada a cabo demonstrou que uma abordagem responsável ao consumo de álcool, em particular de champanhe, pode ser boa para o organismo. "Acreditamos que a ingestão de um a dois copos por semana pode ser eficaz", declara.
 
"No futuro, esperamos conseguir 'transferir' os resultados desta descoberta para os humanos", afirma David Vauzour, um dos investigadores envolvidos no estudo. "Os benefícios já foram provados com alimentos ricos em polifenóis como o mirtilo e o cacau e achamos que o consumo moderado de champanhe terá as mesmas vantagens para a cognição", conclui.
 
De realçar que investigações anteriores realizadas, também, na Universidade de Reading, revelaram que o consumo de dois copos de champanhe por dia pode ser, além disso, benéfico para o coração e a circulação sanguínea, reduzindo o risco de acidente vascular cerebral e doença cardiovascular.

Clique AQUI para aceder ao resumo do estudo (em inglês) publicado na revista científica Antioxidants & Redox Signalling. 

sexta-feira, 29 de março de 2013

História da Páscoa

História da Páscoa

A história da Páscoa é rica de aspectos religiosos e simbologias

Ovo: símbolo da vida

O ovo, geralmente branco e frágil, é, de forma geral, uma metáfora para esta nova vida, ele é o símbolo do germe, encarna todo o conteúdo de uma vida numa simples casquinha, é o um que se divide passando pela metamorfose que cria o pintinho que consegue sair da sua casca, sendo um símbolo da transmutação e do renascimento. É desta forma que, para o cristianismo, Jesus é comparado ao pintinho que sai da sua casca, assim como Cristo saiu do Santo Sepulcro, sendo que a cor branca representa a pureza e a perfeição.

Do simbólico para o cotidiano, durante os 40 dias que precedem o domingo de Páscoa os fiéis estavam proibidos de consumir carnes e ovos. No entanto as galinhas, que não conheciam esta interdição, continuavam a pôr seus ovos normalmente, o que fazia com que os cristãos ficassem com muitos ovos sem poder comê-los. Para não desperdiçá-los surge, no século XII, a tradição de decorar as cascas dos ovos e oferecê-los como presente.

Conta-se que o rei Eduardo I da Inglaterra, em 1307, teria distribuído 450 ovos pintados aos membros da família real. Esta ideia acabará se desenvolvendo e ovos esculpidos em madeira são oferecidos ao rei, a família real russa começa a consumir ovos de Páscoa feitos pelo joalheiro Fabergé e os doceiros vão começar a fazer ovos em açúcar, chocolate e torrone para as crianças.
Coelho, não. Lebre de Páscoa

Para não falar de ovos sem falar de quem os traz, temos que contar que historicamente nunca foi um coelho quem fez este trabalho, mas sim a lebre, que é símbolo de fecundidade e, ao mesmo tempo, por ser indefesa, o símbolo do homem que coloca toda sua confiança em Deus. A associação ovo e lebre da Páscoa sempre teve um caráter fundamental na simbologia da chegada da primavera e este animal foi, desde cedo, confundido com o coelho pela sabedoria popular. A lebre é tão fortemente associada à fecundidade que desde a antiguidade aconselha-se comer carne de lebre para dar fertilidade às mulheres e testículos de lebre para que o bebê fosse um homem.

Ainda sobre os animais, não nos esqueçamos da galinha, um símbolo tradicional da realização dos desejos.

Finalmente, hoje em dia a Páscoa ultrapassou os limites da cristandade e de uma forma ecumênica agrega todos em torno do sabor universal do chocolate.


Matéria elaborada por Cintia Alfieri Gama, doutoranda na École Pratique des Hautes Études em Sorbonne, Paris, docente de História da Gastronomia e Antropologia da Alimentação das Faculdades Metropolitanas Unidas e conselheira científica do Museu do Louvre na França.

terça-feira, 19 de março de 2013

CONDENADOS À LIBERDADE !!!!


A CÓPULA DIALÉTICA DA VERDADE

"O excesso de verdades é pior que o erro". Pascal 

O êxtase das contradições, semente da dinâmica espiral de novas verdades, vive no interlúdio, no lapso da consciência, entre vácuos de pretensa lucidez, no intervalo de fraccionadas realidades, entre elos de contrastes que alimentam fugazes, contraditórias e contrastantes Percepções.


O erro, coadjuvante de tantas verdades individuais, alicerça nossos passos de navegantes nauseabundos no oceano do existir.


Nos interstícios de todos os sistemas binários, em todas as manifestações, está, oculta, sob o véu de loucuras insensatas, a patética tentativa do Ente de levantar-se, de afirmar o "seguro" dentro de dinâmicas tão inseguras, o ponto dentro de retas, o finito dentro de tantos infinitos, porquês dentro de tantos como.


A razoabilidade extasiante do Instante Perceptivo é o gozo da Consciência, no ventre de Infinitos possíveis de todo Infinito presente, na união entre atemporais, transcendências e irracionabilidades de amplas finitudes presentes nas possibilidades delimitadas pela nossa própria "cerca", essa protagonista carrasca da danação de nossos porquês, dentro da eterna condenação à liberdade de nós mesmos.



Gildo Fonseca



domingo, 10 de março de 2013

Interpreto que Sartre quando afirmava "o inferno são os outros", referia-se jocosamente à delegação da responsabilidade consciencial ao outro e ao meio. Ao que Freud e depois Lacan sistematizam e codificam nas estruturas analíticas das linguagens do inconsciente, Sartre contrapõe com a pretensa "supremacia" libertária do consciente. Simpatizo mais com Heidegger e sua visão ontológica. Com todo respeito, creio existir uma prevalência dessa transcendência, dessa Sombra Universal a ser descoberta, iluminada, e que se manifesta apenas por sinapses de consciência condensadas em arquétipos Yunguianos que acabam se associando, se cristalizando, na união de uma busca desesperada na tentativa de descortinar o Conhecimento, através das apalpadelas das associações não só de nossos atos cotidianos mas também da etérea percepção da eterna busca de quem somos. Cristalizemos pois a Vida, esse Caminho que construímos a cada entendimento.

por Gildo Fonseca


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A substância secreta do dinheiro



A substância secreta de dinheiro




Se a economia é uma ciência imperfeita, isto é devido à incapacidade de
contabilizar e prever o número complexo de variáveis ​​envolvidas no assunto de estudo.
Entre eles está a economia definitivamente não pode corrigir, embora não desconhece
a importância do seu papel: a relação profunda e complexa subjetiva que os
humanos têm com o dinheiro.

O dinheiro é um objeto que não se comporta da mesma forma que uma molécula
ou uma estrela. Refuta as leis da natureza, apesar de insistir que o neoliberalismo
continuar a fazer-nos crer que o mercado tem um comparável à sabedoria intrínseca
da natureza. Enquanto símbolo fundamental da condição humana, não apenas
dinheiro se recusa a ser totalmente objetivado pela economia, sociologia e história
em geral, mas persistir em desafiar a qualquer tentativa de dominação.
Sua dinâmica, aparentemente para servir os homens, de fato as regras, mesmo
o mais poderoso. A relação entre o sujeito eo dinheiro é sempre caracterizada
por uma desordem, um desequilíbrio, uma espécie de desarmonia fundamentais
freqüentemente torna-se um dos motivos mais férteis para o crescimento de um
sintoma. Na verdade, independentemente de sua escassez ou folga, é que
indivíduo raro que não mostra a sua posição sobre o dinheiro uma parte
essencial de seu ser.

Alguns anos atrás, o filósofo italiano Vittorio Mathieu escreveu um livro intitulado
Filosofia do dinheiro , e explicou que que o único uso possível do dinheiro é dá-lo afastado.
Paradoxalmente, é negar sua posse como afirma a sua existência. Amém para o que o 
indivíduo médio, especialmente uma em-desemprego pode pensar desta dedução, 
nem todos os economistas partes desta lógica, que basicamente parece assentar no 
sentido mais puro. Que bom é dinheiro, se não passar? Embora essa função acaba
por ser razoável de dinheiro, é uma resposta totalmente inadequada, quando se
considera que muitas pessoas gastam enormes esforços e às vezes arriscado para
acumular fortunas que não pode ser usado por gerações, e muitos outros vivem
vidas mesmo apesar de ter miseráveis ​​somas inconcebíveis.





Dessal
Usado por Sigmund Freud sofá no escritório de sua casa em Londres.

Por mais de um século que Freud descobriu o segredo da origem do valor do dinheiro, ea origem inconsciente desta dinâmica entre acumulação e gastos. O banco é o primeiro objeto que estamos lançando no mercado de swap, neste caso de amor. É o que somos ensinados a manter (guardar) ou lugar , dadas as circunstâncias, a nossa primeira e mais preciosa posse com grande pesar que temos de atribuir. É em torno desta trama curioso objeto do primeiro capítulo de nossa ambivalência: dar ou não dar, eis a questão que se coloca para a criança e Angela Merkel, com a ressalva de que a chanceler alemã, ao contrário do filho não ser subornado pelo amor da mãe.
Se a sabedoria convencional chamou o dinheiro como "excremento do diabo", Lutero astúcia (a quem o seu banquinho inspirou a Reforma, como seus biógrafos dizem) era roubar o dinheiro do diabo e Deus o abençoe. Isso deu a luz verde para o capitalismo não, pois nada é muito melhor com o pragmatismo com o protestante Memec católicos, que ainda permanecem vergonha de fazer o mesmo para os outros.
Com o esfíncter anal pode atuar como o gasto público: aberta ou colapso. Assim como o erotismo anal keynesiana opõe friedmaniano, algumas pessoas gostam de passar, bem como outros se deleitarão na retenção de mais. A última mostra que a noção habitual de que o dinheiro existe apenas em termos do que você pode comprar é absolutamente falso. O dinheiro pode proporcionar diversão para si mesmo, para o bem de sua retenção e acumulação.
Muitas pessoas têm a noção equivocada de que a psicanálise é coisa rica, e que eles estão errados do início ao fim. Primeiro, porque essa idéia é típica de quem não sabe nada sobre a psicologia dos ricos: os ricos não pagam. Não que pagar suas sessões de psicanálise, nós simplesmente não pagar nada. Isto é, nem mais nem menos do que a posição dos ricos: . não pagar qualquer preçopor isso, é uma contradição que esperar para pagar mais impostos. Se o fizessem, não seriam eles, os ricos, embora a fortuna continuar saliéndoseles pelas orelhas. É muito raro que um psicoanalice rica: geralmente não estão dispostos a pagar o preço que vem de saber. Preferem contratar outras pessoas para tomar conta de saber que ele não está disposto a assumir.
Segundo, se você quiser saber alguma coisa de si mesmo, um pouco de sua verdade mais íntima, você tem que estar disposto a abrir mão de algo, e não quero saber de nada, muito possivelmente pagar um preço mais caro. É por isso que vale a pena terapia analítica. Naturalmente, a quantidade variará de acordo com as possibilidades de cada. Um analista de real no porta nunca deixar alguém decidiu mostrar um desejo de querer saber. Pagando por isso não é a única prova de seu compromisso, mas a metáfora para isso do que para descartar a fim de obter algo melhor para sua própria vida. Em torno deste gesto simbólico iremos desenvolver os comportamentos mais surpreendentes: o sacrifício, a mesquinhez, a ocultação, exibição, generosidade. Em suma: um conjunto de paixões humanas vai entrar em jogo quando colocar a mão no bolso.
"Caught" ou "solto", o assunto sempre mostra algo de sua própria privacidade quando se trata de dinheiro, eo analítico é uma cama de teste única para estudar o que a economia nunca vai chegar a decifrar: a substância secreta e impuro o que move o mundo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Relacionamentos


..é impossível saber qual é o melhor texto do Jabor ...mas esse ... é a pura verdade , expressa em simples palavras ....

ARNALDO JABOUR   -   RELACIONAMENTOS

Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
- 'Ah,terminei o namoro...
- 'Nossa,quanto tempo?
- 'Cinco anos... Mas não deu certo...acabou'
- É não deu...?
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico; que é uma delícia.
E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate... se joga... se não bate...mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa. Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria compania?
Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte.
Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo
E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar. Enfim...quem disse que ser adulto é fácil?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Um breve passeio ao Infinito real de Cantor.


INTRODUÇÃO  
Georg Cantor - matemático russo
Georg Cantor – matemático russo
1845-1918
Quantos elementos tem um conjunto infinito?
Podemos imaginar pontos distribuídos ordenadamente sobre uma reta ou eixo ordenado. Se todos os racionais forem colocados sobre essa reta será impossível encontrar “buracos” nessa linha: entre dois números, por exemplo 1/2 e 2/3, existe um outro número, 7/12; entre 1/2 e 7/12 existe 13/24, e entre estes existe ainda outro, e assim sucessivamente… Isto é, parecerá que os pontos estão unidos entre si. Na terminologia deGeorg Cantor, existe uma correspondência biunívoca entre todos os pontos da linha e todos osnúmeros racionais.
Este sistema de números – os racionais – era aquele que Pitágoras acreditava que regia o Universo. No entanto, até Pitágoras sabia que este sistema estava incompleto: há pontos da reta que não estão preenchidos por pontos associados a números racionais, como se pode verificar facilmente marcando sobre ela a hipotenusa de um triângulo retângulo cujos catetos meçam uma unidade. O ponto determinado pelo comprimento da hipotenusa,  h=RQ(2), não tem equivalente numérico no sistema racional de números. Assim, nem todos os pontos da linha estavam efetivamente preenchidos, pelo que não há correspondência biunívoca entre todos os pontos e todos os números. (obs. RQ = raiz quadrada)
O comprimento da hipotenusa é irracional; para preencher as lacunas na linha, os números irracionais têm de ser introduzidos no sistema. Mas com que fundamento, para além da conveniência e da necessidade, é que eles são introduzidos? E será que a sua admissão resulta no preenchimento de todos os espaços? Foram estas as questões que Cantor se propôs responder, e ao respondê-las transformou radicalmente a idéia acerca daquilo que o número é.
Infinito e os Números Transfinitos
Cantor chegou à noção de infinito – (infinito real, e não a infinidade potencial de limites, por séculos utilizada pelos matemáticos) – sem considerar diretamente os números, mas sim os conjuntos. Para isso, procurou atribuir “tamanhos”, que ele chamou de potências(ou cardinalidade), aos diversos tipos de conjuntos de infinitos elementos. À essas potências deu o nome de “números transfinitos”.
Esses resultados constituíram um primeiro avanço na compreensão do infinito real, e mostraram que as descobertas eram dignas de interesse. Eles permitiram construir umahierarquia de totalidades infinitas.
O Alef
Não satisfeito com a notação para números transfinitos, resolveu então denotá-los usando a primeira letra do alfabeto hebraico:  (alef)… Mas por que ?
Cantor conhecia a tradição judaica, o alfabeto hebraico e a “cabala” (misticismo judaico, tradição recebida dos judeus). As palavras seguintes começam com a letra , em hebraico:Ein Sof – infinitude de Deus;  Ehad – um;  Eloim – Deus
Portanto,  representando a natureza infinita e única de Deus, representaria um novo começo para a Matemática: o começo do infinito real.
Como haviam muitos infinitos, cada vez maiores, Cantor levantou a hipótese de haver uma sequência de alefs:    0, 1, 2, · · · , n, · · ·, apesar de não saber a colocação exata de cada um.
A Unidade Cardinal
A princípio, Cantor denotou o menor nº transfinito, que é a cardinalidade do conjunto dosnúmeros naturais, por ω. Posteriormente, concluiu que o conjunto infinito possui um subconjunto equipotente a N. Logo, a cardinalidade (quantidade de elementos) de qualquer conjunto infinito é maior ou igual à cardinalidade dos naturais (o).
Quando os elementos de um conjunto podem ser colocados em correspondência biunívoca (bijeção) com o conjunto dos números naturais, diz-se que ele é contável ou enumerável,e sua potência (ou cardinalidade) também é ω.
Naturais X Reais
Cantor, sempre preocupado em classificar os infinitos, descobriu com assombro que objetos de dimensões diferentes tinham a mesma ordem de infinito. Em termos de tamanho (no sentido dos conjuntos infinitos), uma reta e um plano (ou mesmo um espaço de dimensão n) são idênticos. A respeito disso, ele escreveu, em 1877, para Dedekind… “Estou vendo, mas não acredito”… http://www.matematica.br/historia/dedekind.html
Em 1874, Cantor percebeu entretanto, que o conjunto dos números reais () não pode ser posto em bijeção com o dos naturais C(N): ele é de tamanho estritamente maior. Por um método simples e elegante, denominado raciocínio diagonal, Cantor provou que os números reais não são enumeráveis, e chamou a potência daquele conjunto de contínuo.
E como os conjuntos infinitos podem apresentar uma infinidade de tamanhos, Cantor provou também que a cardinalidade  é igual à cardinalidade de P(N), o conjunto das partes de N.
terminologia:
N – conjunto dos números naturais (enumerável, com cardinalidade unitária igual a 0)
Q  - conjunto dos números racionais  [enumerável (com cardinalidade igual à do conjunto dos números naturais N, denotada por 0)]
R – conjunto dos números reais  [não enumerável (com cardinalidade, denotada por c, maior que a de N)]
Cantor se fazia então várias perguntas: Se haviam vários números transfinitos, será que era possível ordená-los?  Haveria um infinito maior que todos os outros?  Haveria algum ‘nº transfinito’ entre ω e c ?…
Aritmética Cardinal
Cantor, que era um teórico conciencioso, desenvolve então uma aritmética do infinito, isto é, uma extensão para os números que lhe servem como medida do infinito, das regras de cálculo que se aplicam aos números naturais, usados para medir o que é finito…(adição, multiplicação, potenciação, etc.).
obs. É importante observar que existe outro tipo de infinito introduzido por Cantor, que deve ser distinguido dos números cardinais, que é o infinito dos números ordinais, que não trataremos aqui. Os cardinais representam o tamanho dos conjuntos, vistos de maneira bruta, sem levar em conta a possível existência de uma ordenação entre seus elementos. O outro tipo de números infinitos de Cantor, os ordinais, serve para assinalar o tamanho dos conjuntos em termos de sua posição em uma sequência, ou seja, quando seus elementos são ordenados, a partir de uma boa ordem (uma ordem tal que todo subconjunto possui um elemento mínimo).
A Hipótese do Continuum
Cantor descobriu um problema de tamanha dificuldade, que ainda hoje não conseguimos dominar completamente: a “Hipótese do Continuum”, definida da seguinte forma:
considerando o cardinal do conjunto dos números reais, definido como c = 2e(0), também chamado de contínuo, estritamente maior que o cardinal dos números naturais, 0,  ahipótese do continuum diz que entre esses dois tamanhos de conjuntos infinitos não há nenhum outro, isto é:  Não existe nº cardinal u tal que 0 < u < c
Como Cantor designou por 1 o menor cardinal depois de 0, a hipótese do contínuo parac = 2e(0) é deduzida generalizando, e designando por n+1 o menor cardinal depois den, ou seja: 0 <1 < . . .<n < n+1;
o que significa que, a hipótese generalizada do contínuo é a afirmação que Não existe n cardinal u tal que r < u < r+1;  assim sendo:
2e(n) = 2e(n+1)  resultaria no limite máximo de c.
……………………………………………………………………………………………………………………………….
Em 1938, o matemático austríaco Kurt Gödel (1906-1978) mostrou que em qualquer sistema haverá proposições que não podem ser provadas (Teorema da Incompletude de Gödel). Mostrou também que a Hipótese do Continuum é consistente com os axiomas da Teoria dos Conjuntos (não produzia contradições). Gödel, porém, não conseguiu mostrar que a negação da Hipótese do Continuum também era consistente com a Teoria dos Conjuntos.
Em 1963, Paul Cohen (1934-2007), deu o segundo passo. Mostrou que a Hipótese do Continuum era independente de todos os axiomas da Teoria dos Conjuntos. Poderia ser tomada tanto verdadeira como falsa. Verdadeira ou não, a Hipótese do Continuum não poderia ser provada nem refutada no sistema atual. Ganhou a medalha Fields por esse trabalho em 1966.
Esses dois resultados afirmam que, quem aceita a teoria usual dos conjuntos pode, sem risco de introduzir contradições, adotar tanto a hipótese do contínuo, como sua negação.
de www.questcosmic.wordpress.com

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

AFETOS PALIATIVOS DE ADJETIVOS TRANSITIVOS
E SEM SUBSTANTIVOS

Inconsciencia, minha amante afetuosa das horas de consciente desamparo, onde estas?

insensatez de vãs quimeras, transitórios afetos e desejos que desviam nosso olhar do Infinito, onde estas?
Desejos embriagadores que com seu colorido véu iludem nosso existir, onde estás?
Entre fatos, laços, meios sem fim, sigo, eu, buscador de mim.
Inteirações fraccionadas em pulverizadas vontades e relações, quando te tornarás Inteira, preenchendo meus vazios, totalizando-me, espelhando a imagem completa de tudo aquilo que ainda não sou?
Embriague-me vida, entre brindes que saudam os caminhos dessa grande nau de insensatos, que nos conduz à portos desconhecidos de nossos eus, nesse imenso universo infinito.
Ora Eros, ora Tanatos, vamos seguindo, com "sandálias" embora descalços, para onde? quem se atreve, com certeza, dizer que sabe?
Seguimos então, embriagando-nos, uns aos outros, com a cotidiana e pueril transcendência de limitações de todo ser que busca Ser, e, buscando, torna-se, e tornando-se, nunca, em tempo algum, poderá ser, pois, se for, estará morto, em todo eterno renascer.
Se for, nunca será, eis que resta o que é, só Processo, além, além, muito além do lado de tudo que, individualmente, pensa que é.
Como dizia Vinicius de Moraes na música:
 "as vezes quero crer mas não consigo, é tudo uma total insensatez, então pergunto a Deus, que escute amigo, se foi pra desfazer porque é que fez? Mas não tem nada não, tenho meu violão..." Haja violão....

Gildo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

domingo, 9 de dezembro de 2012

Metades Inteiras

Nunca seremos inteiros enquanto conscientes de nossas limitações e inconscientes de nossas possibilidades. Todo devir é amplitude de nossa inteireza possível, mas, concomitantemente, o grito consciente de nossas limitações, nosso tamanho, e da semente oculta, contida em todos nós, de todos os impossíveis.

Metades inteiras em intensidades e inteiras metades que se projetam para criar os palcos de nossos sonhos.


Do equilíbrio lúcido e dinâmico entre possíveis e impossíveis, metades e inteiros, "Eu" e o "Outro" vamos tirando o véu de nós mesmos e descobrimos os enredos da própria Criação.




Gildo



domingo, 2 de dezembro de 2012