domingo, 9 de outubro de 2016

Schopenhauer - O Vazio da Existência

Esse vazio encontra sua expressão em toda forma de existência, na infinitude do Tempo e Espaço em oposição à finitude do indivíduo em ambos; no fugaz presente como a única forma de existência real; na dependência e relatividade de todas coisas; em constantemente se Tornar sem Ser; em continuamente desejar sem ser satisfeito; na longa batalha que constitui a história da vida, onde todo esforço é contrariado por dificuldades, até que a vitória seja conquistada. O Tempo e a transitoriedade de todas as coisas são apenas a forma sob a qual o desejo de viver — que, como coisa-em-si, é imperecível — revelou ao Tempo a futilidade de seus esforços; é o agente pelo qual, a todo o momento, todas as coisas em nossas mãos tornam-se nada e, portanto, perdem todo seu verdadeiro valor.

O que foi não mais existe; existe exatamente tão pouco quanto aquilo que nunca foi. Mas tudo que existe, no próximo momento, já foi. Consequentemente, algo pertencente ao presente, independentemente de quão fútil possa ser, é superior a algo importante pertencente ao passado; isso porque o primeiro é uma realidade, e está para o último como algo está para nada.
Um homem, para seu assombro, repentinamente torna-se consciente de sua existência após um estado de não-existência de muitos milhares de anos; vive por um breve período e então, novamente, retorna a um estado de não-existência por um tempo igualmente longo. Isso não pode ser verdade, diz ao seu coração; e mesmo as mentes rudes, após ponderarem sobre o assunto, devem sentir algum tipo de pressentimento de que o Tempo é algo ideal em sua natureza. Essa idealidade do tempo, juntamente com a do espaço, é a chave para qualquer sistema metafísico verdadeiro, pois proporciona uma ordem de coisas distinta da que pode ser encontrada no domínio da natureza. Por essa razão Kant é tão grandioso.
De cada evento em nossa vida, é apenas por um momento que podemos dizer que este é; após isso devemos dizer para sempre que este foi. Cada noite nos empobrece, dia a dia. Provavelmente nos deixaria irritados ver este curto espaço de tempo esvaecendo, se não fôssemos secretamente conscientes, nas maiores profundezas de nosso ser, de que compartilhamos do inexaurível manancial da eternidade, e de que nele podemos sempre ter a vida renovada.
Reflexões com a natureza das acima podem, de fato, nos levar a estabelecer a crença de que gozar o presente e fazer disso o propósito da vida é a maior sabedoria; visto que somente o presente é real, todo o mais é representação do pensamento. Mas tal propósito poderia também ser denominado a maior tolice, pois aquilo que, no próximo instante, não mais existe e desaparece completamente como um sonho, jamais poderá merecer um esforço sério.

Toda a nossa existência é fundamentada tão-somente no presente — no fugaz presente. Deste modo, tem de tomar a forma de um constante movimento, sem que jamais haja qualquer possibilidade de se encontrar o descanso pelo qual estamos sempre lutando. É o mesmo que um homem correndo ladeira abaixo: cairia se tentasse parar, e apenas continuando a correr consegue manter-se sobre suas pernas; como um pólo equilibrado na ponta do dedo, ou como um planeta, o qual cairia no sol se cessasse com seu percurso. Nossa existência é marcada pelo desassossego.
Num mundo como este, onde nada é estável e nada perdura, mas é arremessado em um incansável turbilhão de mudanças, onde tudo se apressa, voa, e mantém-se em equilíbrio avançando e movendo-se continuamente, como um acrobata em uma corda — em tal mundo, a felicidade é inconcebível. Como poderia haver onde, como Platão diz, tornar-se continuamente e nunca ser é a única forma de existência? Primeiramente, nenhum homem é feliz; luta sua vida toda em busca de uma felicidade imaginária, a qual raramente alcança, e, quando alcança, é apenas para sua desilusão; e, via de regra, no fim, é um náufrago, chegando ao porto com mastros e velas faltando. Então dá no mesmo se foi feliz ou infeliz, pois sua vida nunca foi mais que um presente sempre passageiro, que agora já acabou.
Ao mesmo tempo, é algo surpreendente que, tanto no mundo de seres humanos quanto no dos animais em geral, essa variada e incansável moção é produzida e mantida por meio de dois simples impulsos — fome e o instinto sexual, ajudados talvez por um pouco de tédio, mas nada mais —, e estes, no teatro da vida, têm o poder de constituir o primum mobile de uma maquinaria tão complexa, colocando em movimento cenas tão estranhas e variadas!
Analisando os pormenores, constatamos que a matéria inorgânica apresenta um constante conflito entre forças químicas, as quais por vezes promovem a dissolução; por outro lado, a existência orgânica somente é possível através de uma contínua substituição de matéria, e não pode subsistir se não dispuser de uma eterna ajuda exterior. Portanto a vida orgânica é como o balançar de um pólo na mão; deve ser mantida em constante movimento e ter constante suprimento de matéria — da qual necessita continuamente e eternamente. Apesar disso, é apenas através da vida orgânica que a consciência é possível.
Este é o reino da existência finita, e seu oposto seria uma existência infinita, a qual não está exposta a ataques externos nem precisa de ajuda exterior; [grego: aei hosautos on] o reino da paz eterna; [grego: oute gignomenon, oute apollymenon], sem mudanças, sem tempo, sem diversidade; o conhecimento negativo do que constitui a nota fundamental da filosofia platônica. A renúncia da vontade de viver revela o caminho a um tipo de estado como esse.

As cenas de nossa vida são como imagens em um mosaico tosco; vistas de perto, não produzem efeitos — devem ser vistas à distância para ser possível discernir sua beleza. Assim, conquistar algo que desejamos significa descobrir quão vazio e inútil este algo é; estamos sempre vivendo na expectativa de coisas melhores, enquanto, ao mesmo tempo, comumente nos arrependemos e desejamos aquilo que pertence ao passado. Aceitamos o presente como algo que é apenas temporário e o consideramos como um meio para atingir nosso objetivo. Deste modo, se olharem para trás no fim de suas vidas, a maior parte das pessoas perceberá que viveram-nas ad interim [provisoriamente]: ficarão surpresas ao descobrir que aquilo que deixaram passar despercebido e sem proveito era precisamente sua vida — isto é, a vida na expectativa da qual passaram todo o seu tempo. Então se pode dizer que o homem, via de regra, é enganado pela esperança até dançar nos braços da morte!
Novamente, há a insaciabilidade de cada vontade individual; toda vez que é satisfeita um novo desejo é engendrado, e não há fim para seus desejos eternamente insaciáveis.
Isso acontece porque a Vontade, tomada em si mesma, é a soberana de todos os mundos: como tudo lhe pertence, não se satisfaz com uma parcela de qualquer coisa, mas apenas como o todo, o qual, entretanto, é infinito. Devemos elevar nossa compaixão quando consideramos quão minúscula a Vontade — essa soberana do mundo — torna-se quando toma a forma de um indivíduo; normalmente apenas o que basta para manter o corpo. Por isso o homem é tão miserável.
Na presente época, que é intelectualmente impotente e notável por sua veneração daquilo que é ruim em todas formas — um estado de coisas que é bastante condizente com a palavra cunhada “Jetztzeit” (tempo presente), tão pretensiosa quanto é cacofônica — os panteístas atrevem-se a dizer que a vida é, como dizem, “um fim-em-si”. Se nossa existência neste mundo fosse um fim-em-si, seria a mais absurda finalidade jamais determinada; mesmo nós próprios ou qualquer outro poderia tê-la imaginado.
A vida apresenta-se principalmente como uma tarefa, isto é, de subsistir de gagner sa vie [para ganhar a vida]. Se for cumprida, a vida torna-se um fardo, e então vem a segunda tarefa de fazer algo com aquilo que foi conquistado — a fim de espantar o tédio, que, como uma ave de rapina, paira sobre nós, pronto para atacar sempre que vê a vida livre da necessidade.
A primeira tarefa é conquistar algo; a segunda é banir o sentimento de que algo foi conquistado, do contrário torna-se um fardo.
Está suficientemente claro que a vida humana deve ser algum tipo de erro, com base no fato de que o homem é uma combinação de necessidades difíceis de satisfazer; ademais, se for satisfeito, tudo que obtém um estado de ausência de dor, no qual nada resta senão seu abandono ao tédio. Essa é uma prova precisa de que a existência em si mesma não tem valor, visto que o tédio é meramente o sentimento do vazio da existência. Se, por exemplo, a vida — o desejo pelo qual se constitui nosso ser — possuísse qualquer valor real e positivo, o tédio não existiria: a própria existência em si nos satisfaria, e não desejaríamos nada. Mas nossa existência não é uma coisa agradável a não ser que estejamos em busca de algo; então a distância e os obstáculos a serem superados representam nossa meta como algo que nos satisfará — uma ilusão que desvanece assim que o objetivo é atingido; ou quando estamos engajados em algo que é de natureza puramente intelectual — quando nos distanciamos do mundo a fim de podermos observá-lo pelo lado de fora, como espectadores de um teatro. Mesmo o prazer sensual em si não significa nada além de um esforço contínuo, o qual cessa tão logo quanto seu objetivo é alcançado. Sempre que não estivermos ocupados em algum desses modos, mas jogados na existência em si, nos confrontamos com seu vazio e futilidade; e isso é o que denominamos tédio. O inato e inextirpável anseio pelo que é incomum demonstra quão gratos somos pela interrupção do tedioso curso natural das coisas. Mesmo a pompa e o esplendor dos ricos em seus castelos imponentes, no fundo, não passam de uma tentativa fútil de escapar da essência existencial, a miséria.

O fato de que a mais perfeita manifestação da vontade de viver — o organismo humano, com a sua sutil e complexa maquinaria — deve decair e finalmente render todos os seus esforços à extinção — esse é o simples meio pelo qual a Natureza, invariavelmente verdadeira e sincera, declara todo o esforço da vontade, em sua própria essência, como estéril e inútil. Se tivesse algum valor em si, algo incondicionado e absoluto, seu fim não seria a inexistência. Esta é a nota dominante da bela música de Goethe:
No alto da velha torre
Fica o herói de mente nobre.
[Hoch auf dem alten Thurme steht
Des Helden edler Geist.]
O homem é apenas um fenômeno, não a coisa-em-si — digo: o homem não é [grego: ontos on]; isso se comprova pelo fato de que a morte é uma necessidade.
E quão diferente o começo de nossas vidas é do seu fim! O primeiro é feito de ilusões de esperança e divertimento sensual, enquanto o último é perseguido pela decadência corporal e odor de morte.
O caminho que divide ambas, no que concerne nosso bem-estar e deleite da vida, é a bancarrota; os sonhos da infância, os prazeres da juventude, os problemas da meia-idade, a enfermidade e miséria frequente da velhice, as agonias de nossa última enfermidade e, finalmente, a luta com a morte — tudo isso não faz parecer que a existência é um erro cujas consequências estão se tornando gradualmente mais e mais óbvias?
Seria sábio considerar a vida como um desengaño, uma ilusão; que tudo está organizado nesse sentido: isso está suficientemente claro.
É apenas no microscópio que nossa vida parece grandiosa. É um ponto indivisível, captado e ampliado pelas poderosas lentes do Tempo e do Espaço.
Tempo é um elemento em nosso cérebro que, por meio da duração, cria uma semelhança de realidade na existência absolutamente vazia das coisas e de nós mesmos.
Quanta tolice há no homem que se arrepende e lamenta por não ter aproveitado oportunidades passadas, as quais poderiam ter-lhe assegurado esta ou aquela felicidade ou prazer! O que resta desses agora? Apenas o fantasma de uma lembrança! E é o mesmo com tudo aquilo que faz parte de nossa sorte. De modo que a forma do tempo, em si, e tudo quanto é baseado nisso, é um modo claro de provar a nós a vacuidade de todos deleites terrenos.
Nossa existência, assim como a de todos animais, não é duradoura, mas apenas temporária, meramente uma existentia fluxa, que pode ser comparada a um moinho no qual há constante mudança.
É verdade que a forma do corpo dura por um tempo, mas apenas sob a condição de que a matéria esteja sempre mudando, de que a velha matéria seja descartada e uma nova seja incorporada. É o principal empenho de todas as formas viventes assegurar um constante suprimento de matéria aproveitável. Ao mesmo tempo, estão conscientes de que sua existência é modelada de modo a durar apenas um período de tempo, como foi dito. Por essa razão tentam, quando estão abandonando a vida, deixá-la para outrem que tomará seu lugar. Essa tentativa toma a forma do instinto sexual em autoconsciência, e na consciência de outras coisas apresenta-se objetivamente — isto é, na forma do instinto genital. Esse instinto pode ser comparado ao enfileiramento de uma corrente de pérolas; um indivíduo sucedendo o outro tão rapidamente como as pérolas na corrente. Se nós, em imaginação, acelerarmos essa sucessão, veremos que a matéria está mudando constantemente em toda a fileira assim como está mudando em cada pérola, enquanto retém a mesma forma: percebemos então que temos apenas uma quasi-existência. Que são somente as Ideias que existem e criaturas-sombra daquilo que lhes corresponde — isso é a base dos ensinamentos de Platão.
A ideia de que não somos nada senão um fenômeno, em oposição à coisa-em-si, é confirmada, exemplificada e clarificada pelo fato de que a conditio sine qua non de nossa existência é um contínuo fluxo de descarto e aquisição de matéria que, como nutrição, é uma constante necessidade. De modo que nos assemelhamos a fenômenos como fumaça, fogo ou um jato de água, todos os quais desvanecem ou cessam diretamente se não houver suprimento de matéria. Pode ser dito, então, que a vontade de viver apresenta-se na forma de um fenômeno puro que termina em nada. Esse nada, entretanto, juntamente com o fenômeno, permanece dentro do limite da vontade de viver e são baseados nesse. Admito que isso é um pouco obscuro.
Se tentarmos obter uma perspectiva geral da humanidade num relance, constataremos que em todo lugar há uma constante e grandiosa luta pela vida e existência; que as forças mentais e físicas são exploradas ao limite; que há ameaças, perigos e aflições de todo gênero.
Considerando o preço pago por isto tudo — existência e a própria vida —, veremos que houve um intervalo quando a existência era livre de sofrimento, um intervalo que, entretanto, foi imediatamente sucedido pelo tédio, o qual, por sua vez, foi rapidamente sucedido por novos anseios.
O tédio ser imediatamente sucedido por novos anseios é um fato também verdadeiro à mais sábia ordem de animais, pois a vidanão tem valor verdadeiro e genuíno em si mesma, mas é mantida em movimento por meio de meras necessidades e ilusões. Tão logo quanto não houver necessidades e ilusões tornamo-nos conscientes da absoluta futilidade e vacuidade da existência.
Se deixarmos de contemplar o curso mundo como um todo e, em particular, a efêmera e cômica existência de homens enquanto sucedem um ao outro rapidamente para observar a vida em seus pequenos detalhes: quão ridícula é a visão!
Impressiona-nos do mesmo modo como uma gota d’água, uma simples gota fervilhando de infusoria, é vista por um microscópio, ou um pedaço de queijo cheio de carunchos invisíveis a olho nu. Sua atividade e luta uns contra os outros em um espaço tão pequeno nos entretém grandemente. Acontece o mesmo no pequeno lapso da vida — uma grande e séria atividade produz um efeito irrisório.
Nenhum homem jamais se sentiu perfeitamente feliz no presente; se acontecesse, isso o entorpeceria.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Sinapses Cósmicas.

Sinapses Cósmicas. 

Quais serão as Percepções geradas no Interior Daquilo que cristaliza "nossas" Sensações ????


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Compartilhado do FB página de Cassiane Loss
"Se cada cérebro humano só fizesse uma sinapse – correspondente a uma estupidez monumental – seríamos capazes de apenas dois estados mentais. Se tivéssemos duas sinapses, 4 estados, três sinapses, 8 estados, e em geral, para N sinapses, 2 estados. Mas o cérebro humano é caracterizado por umas 10 trilhões de sinapses. Por conseguinte, o numero de diferentes estados de um cérebro humano equivale a 2 elevado à essa potência, ou seja – multiplicado por ele mesmo 10 trilhões de vezes. Esse é um numero inconcebivelmente grande, muito maior, por exemplo, do que o numero total de partículas elementares (elétrons e prótons) em todo o universo, que é muito menor do que 2 elevado à potência de 10 trilhões. É em virtude desse imenso número de configurações funcionalmente diferentes do cérebro humano que dois seres humanos, mesmo que sejam idênticos, jamais poderão ser muito parecidos. Esses números enormes também podem explicar algo da imprevisibilidade do comportamento humano. A resposta deve ser que de forma alguma estão ocupados todos os estados cerebrais possíveis; deve existir um número enorme de configurações mentais que jamais foram introduzidas ou sequer vislumbradas por qualquer ser humano na história da humanidade. Sob essa perspectiva, cada ser humano é realmente raro e diferente, sendo a santidade de cada vida humana uma consequência ética plausível."
Carl Sagan; In: Os Dragões do Éden.

domingo, 25 de setembro de 2016

sábado, 24 de setembro de 2016

"Eu", Gildo Fonseca, ouso dizer também que toda Sombra (estado) contém suas Palavras (alma). Cada Palavra uma Potência de Luz, sombreada, prismada e multifacetada pelos espelhos de seus próprios heterônimos. Somos todos Sombras da Luz, reluzindo, pela fricção dialética de nossas contrapartes, cristalizando Identidades conscienciais intersectivas, criando Caminhos e Realidades que vão sendo absorvidos pelos Buracos Negros da sempre transcendente e fugidia Lucidez, rumo a outras dimensões perceptivas de nós mesmos. Gildo Fonseca

Imagem compartilhada do FB página de Beth Goulart Simplesmente Clarice



terça-feira, 20 de setembro de 2016

Compartilhado do FB página Beth Goulart Simplesmente Clarice

sábado, 17 de setembro de 2016


Contraste de cores, luz e singeleza.

sábado, 10 de setembro de 2016



Beijo de Munch

BEIJO DE MUNCH

Sempre lembrado pela obra-prima “O grito” (Skrik), de 1893, que retrata uma figura andrógina em ummomento de angústia e desespero sob um céu laranja, o norueguês Edvard Munch (1863–1944) era um artista dedicado às formas clássicas e tradicionais. Até que, durante uma viagem a Paris, em 1890, descobriu a obra de Van Gogh e Gauguin. Foi o bastante para uma mudança radical no estilo de Munch, que adotou a técnica da distorção e o expressionismo para produzir obras marcantes da História da Arte, entre elas uma peça de escândalo pela força de seu erotismo, “O beijo” (kyss), óleo sobre tela de 1895, em tons de azul, cinza e pretoimagem impregnada pelas obsessões de Munch: o sexo, a morte, a solidão, a melancolia, a violência das relações e o terror das forças da natureza.

Compartilhado do FB (Semióticas) da página de Edilene Torino

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Bernard Berenson

"Uma vida plena pode ser aquela que alcance uma identificação tão completa com o não-eu que não haja mais um eu para morrer".


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Goethe

‘Longa é a arte, breve a vida, difícil o juízo, fugaz a ocasião. Agir é fácil, difícil é pensar; incômodo é agir de acordo com o pensamento. Todo começo é claro, os umbrais são o lugar da esperança. O jovem se assombra, a impressão o determina, ele aprende brincando, o sério o surpreende. A imitação nos é inata, mas o que se deve imitar não é fácil de reconhecer. Raras as vezes em que se encontra o excelente, mais raro ainda apreciá-lo. Atraem-nos a altura, não os degraus; com os olhos fixos no pico caminhamos de bom grado pela planície. Só uma parte da arte pode ser ensinada, e o artista a necessita por inteiro. Quem a conhece pela metade, engana-se sempre e fala muito; quem a conhece por inteiro, só pode agir, fala pouco ou tardiamente. Aqueles não têm segredos nem força; seu ensinamento é como pão cozido, que tem sabor e sacia por um dia apenas; mas não se pode semear a farinha, e as sementes não devem ser moídas. As palavras são boas, mas não são o melhor. O melhor não se manifesta pelas palavras. O espírito, pelo qual agimos, é o que há de mais elevado. Só o espírito compreende e representa a ação. Ninguém sabe o que ele faz quando age com justiça; mas do injusto temos sempre consciência. Quem só atua por símbolos é um pedante, um hipócrita ou um embusteiro. Estes são numerosos e se sentem bem juntos. Sua verborragia afasta o discípulo, e sua pertinaz mediocridade inquieta os melhores. O ensinamento do verdadeiro artista abre o espírito, pois onde faltam as palavras, fala a ação. O verdadeiro discípulo aprende a desenvolver do conhecido o desconhecido e aproxima-se do mestre.’ ”
Johann Wolfgang von Goethe. In: Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister.

Compartilhado do FBN, página Gigantes da Literatura Universal

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Fala-se de amor para falar de muitas
coisas que entretanto nos sucedem.


Para falar do tempo, para falar do mundo
usamos o vocabulário preciso
que nos dá o amor.


Eu amo-te. Quer dizer: eu conheço melhor
as estradas que servem o meu território.


Quer dizer: eu estou mais acordado,
não me enredo nas silvas, não me enredo,
não me prendo nos cardos, não me prendo.


Quer também dizer: amar-te-ei
cada dia mais, estarei cada dia
mais acordado. Porque este amor não pára.


E para falar da morte; da enorme
definitiva irremediável morte,
do carro tombado na valeta
sacudindo uma última vez (fragilidade)
as rodas acendedoras de caminhos
- eu lembraria que o amor nos dá
uma forma difícil de coragem,
uma difícil, inteira possessão
de nós próprios, quando aveludada
a morte surge e nos reclama.


Porque eu amo-te, quer dizer, eu estou atento
às coisas regulares e irregulares do mundo.


Ou também: eu envio o amor
sob a forma de muitos olhos e ouvidos
a explorar, a conhecer o mundo.


Porque eu amo-te, isto é, eu dou cabo
da escuridão do mundo.


Porque tudo se escreve com a tua letra.



- FERNANDO ASSIS PACHECO

in 'Cuidar dos Vivos', Coimbra, Edição do Autor/Cancioneiro Vértice, 1963


Compartilhado do Facebook, página de Beatriz Giorgi

domingo, 28 de agosto de 2016


Non sense...

O pulsar de cada percepção é como um grão que brota e alimenta o próximo instante da busca de sentidos, o sentido da busca, da busca sentida. A Vida transcende os sabores de fatais impermanências, aquece e embala nossas almas na travessia por tantos oceanos de turbulenta insensatez. Que o Grão germine e que haja mais Luz e Amor, alimentos únicos de nossas almas.   Gildo.Fonseca.

sábado, 27 de agosto de 2016

"Temos constantemente de parir nossos pensamentos de nossa dor e maternalmente transmitir-lhes tudo o que temos em nós de sangue, coração, fogo, prazer, paixão, tormento, consciência, destino, fatalidade. Viver - assim se chama para nós, transmudar constantemente tudo o que nós somos em luz e chama; e também tudo o que nos atinge; não podemos fazer de outro modo."
A Gaia Ciência, Friedrich Nietzsche

Imagem: O Navio Negreiro, William Turner.



O texto e a imagem foram compartilhados da página do FB de Gigantes da Literatura Universal

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Somos aquilo que sentimos e percebemos.
Se estamos zangados, somos a raiva.
Se estamos apaixonados, somos o amor.
Se contemplamos um pico nevado, somos a montanha.
Enquanto sonhamos, somos o sonho.
Podemos ser qualquer coisa que quisermos, mesmo sem uma varinha mágica.

Thich Nhat Hanh

domingo, 21 de agosto de 2016

Eu nunca perco. Ou eu ganho ou aprendo.


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Parabéns a todos os filósofos que bebem do fluir Infinito no cálice da cada Finitude e, entre náuseas e êxtases, cristalizam a Vida em sinapses de Percepção no palco sua própria Consciência.

DESEJO UM FELIZ DIA DO FILÓSOFO A TODOS!!!!


"Angústia pode se comparar com uma vertigem. Aquele, cujos olhos se debruçam a mirar uma profundeza escancarada, sente tontura. Mas qual é a razão? Está tanto no olho quanto no abismo. Não tivesse ele encarado a fundura!... Deste modo, a angústia é a vertigem da liberdade, que surge quando o espírito quer estabelecer a síntese, e a liberdade olha para baixo, para sua própria possibilidade, e então agarra a finitude para nela tentar se firmar". (KIERKEGAARD).

domingo, 14 de agosto de 2016

Campbell

"Há um magnífico ensaio de Schopenhauer chamado 'Uma intenção aparente no destino do indivíduo', no qual ele diz que quando você chega a determinada idade - digamos, acima de 60 anos - e olha para trás, para a sua vida, há uma trama que você reconhece.
Quem a escreveu? Há uma continuidade, um esquema, um maravilhoso esquema. Ele disse que é um pouco como ler determinado tipo de romance. (...) Então você percebe, 'Oh, esse personagem que parecia estar na minha vida por acaso era um fator fundamental de estruturação no edifício da minha vida'. O que parecia ser acidental, na verdade, configurou-se em uma trama. Quem a escreveu?
Ao mesmo tempo, você percebe que desempenhou papéis como esse na vida de outras pessoas. Essas pessoas que o influenciaram foram influenciadas por você."

Joseph Campbell in 'Stanley Keleman - Mito e Corpo - Uma Conversa com Joseph Campbell'

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Borges, sempre maravilhoso !!!!

"En verdad la realidad no existe, y en realidad la verdad tampoco".

*Jorge Luis Borges /

Frase atribuída a Confucio

Similarmente, a "qualidade de nossa vibração" emanada em "nosso" campo, permite aquilatar o que estamos atraindo ou repelindo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Compartilhado do FB página da Patricia Melo

domingo, 7 de agosto de 2016

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

"Mas se uma formiga, se uma abelha - pelo milagre de uma ideia ou por uma tentação de singularidade - se isolasse do formigueiro ou do enxame, se contemplasse de fora o espetáculo de suas penas, persistiria ainda em seu trabalho?" - Breviário da Decomposição (Emil M. Cioran)

Faça o seu Melhor e com Amor....


sábado, 30 de julho de 2016



Onde há Vontade, há um Caminho.

A sensibilidade perceptiva, aspirando transcendências, sempre supera pedras, geleiras e gravidades dos interiores e exteriores de coisas, circunstâncias e pessoas. A Vida é Maior quaisquer que sejam nossos limitados degraus.


Gildo Fonseca.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Ou, como já dizia Henri Kissinger:

"A falta de alternativas clarifica muito a nossa mente".




sábado, 23 de julho de 2016

REFLEXÕES SOBRE SUPOSIÇÕES, POTÊNCIAS, ANCORAGENS E PERCEPÇÕES. SE ACHANDO....

Quem pode afirmar, para algo ou alguém, com alguma relativa certeza (rs), quem (ou o quê?) É Você, agora???


Gildo.


"E amanhã não seremos o que fomos, nem o que somos."

Ovídio



Compartilhado do FB Lua de Proverbia

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Transitoriedade

A consciência da morte nos dá uma maravilhosa lucidez. (...)

“Resta então a pergunta o que é essencial?” (...) O fato é que sem que o saibamos, todos nós estamos enfermos da morte e é preciso viver a vida com sabedoria para que ela, a vida, não seja estragada pela loucura que nos cerca. Lembrei-me das palavras de Walt Whitman: “Quem anda duzentos metros sem vontade/ anda seguindo o próprio funeral/ vestindo a própria mortalha...”. Pensei então nas minhas longas caminhadas pelo meu próprio funeral, fazendo aquilo que não desejo fazer, fazendo porque outros desejam que eu faça. (...) é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. (...)

A vida nunca é terminada. Ela termina sempre sem que tenhamos escrito o último capítulo. O herói do livro ‘Lições de abismo’, de Gustavo Corção, sabendo que não teria mais que seis meses para viver, compara a vida a uma sonata de Mozart que, em vinte minutos, diz tudo o que é para ser dito. Os seus acordes finais não são um fim. O silêncio que os segue não é um vazio. Os acordes finais anunciam que a beleza se consumou. E o silêncio que se segue é para que o encantamento não seja quebrado. Mas a nossa vida, infelizmente, não é como uma sonata. Ela é interrompida antes da hora. Muita coisa fica para ser dita.

A vida é assim: a gente escolhe um caminho na esperança de que ele vá nos conduzir a um lugar de alegria. Tolos pensamos que a alegria está ao final do caminho. E caminhamos distraídos, sem prestar atenção. Afinal de contas, caminho é só caminho, passagem, não é o ponto de chegada. Com frequência, a gente não chega lá, porque morre antes. Mas há uns poucos que chegam ao lugar sonhado – só para descobrir que a alegria não mora lá. Caminharam sem compreender que a alegria não se encontra ao final, mas às margens do caminho.
.
[Rubem Alves. In: Variações sobre o prazer - Prefácio - Crônica- "Se eu tiver apenas um ano a mais de vida..."]
.
Compartilhado do FB, página Gigantes da Literatura Universal

segunda-feira, 18 de julho de 2016

"Se sou inumano é porque meu mundo transbordou das fronteiras humanas, porque ser humano parece uma coisa pobre, triste, miserável, limitada pelos sentidos, restrita pela moral e a lei, definida pelos lugares-comuns e pelos ismos" -

Henry Miller, Trópico de Câncer, p. 236

- Antony Micallef

Compartilhado do FB página Razão Inadequada


sábado, 16 de julho de 2016

Compartilhado da página Resiliência do FB

Simone essa Gigante....

"Visto para quem me dispo".

 Simone de Beauvoir

Compartilhado de Gigantes da Literatura Universal no FB

Eu, Gildo, concordo, pois

"Vestir-Se
implica
aceitar-Se
despido".

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Amada Clarice ....

Texto do livro Aprendendo a viver, de Clarice Lispector

FUTURO IMPROVÁVEL

Uma vez eu irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria. Meu corpo, esse serei obrigada a levar. Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão. E irei à frente, sozinha, finalmente cega

para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente. Não é a violência que eu procuro, mas uma força ainda não classificada mas que nem por isso deixará
de existir no mínimo silêncio que se locomove. Nesse instante há muito que o sangue já terá desaparecido. Não sei como explicar que, sem alma, sem espírito, e um corpo morto – serei ainda eu, horrivelmente esperta. Mas dois e dois são quatro e isso é o contrário de uma solução, é beco sem saída, puro problema enrodilhado em si. Para voltar de “dois e dois são quatro” é preciso voltar, fingir saudade, encontrar o espírito entregue aos amigos, e dizer: como você engordou! Satisfeita até o gargalo pelos seres que mais amo. Estou morrendo meu espírito, sinto isso, sinto…

Nota: peço licença para pedir à pessoa que tão bondosamente traduz meus textos em braile para os cegos que não traduza este.
Não quero ferir os olhos que não veem.

Compartilhado do FB, página da Beth Goulart em Simplesmente Eu, Clarice Lispector


domingo, 10 de julho de 2016

quinta-feira, 7 de julho de 2016

sexta-feira, 17 de junho de 2016

“A carpa japonesa (koi) tem a capacidade natural de crescer de acordo com o tamanho do seu ambiente. Assim, num pequeno tanque, ela geralmente não passa de cinco ou sete centímetros – mas pode atingir três vezes este tamanho, se colocada num lago.

Da mesma maneira, as pessoas têm a tendência de crescer de acordo com o ambiente que as cerca. Só que, neste caso, não estamos falando de características físicas, mas de desenvolvimento emocional, espiritual e intelectual.


Enquanto a carpa é obrigada, para seu próprio bem, a aceitar os limites do seu mundo, nós estamos livres para estabelecer as fronteiras de nossos sonhos. Se somos um peixe maior do que o tanque em que fomos criados, ao invés de nos adaptarmos a ele, devíamos buscar o oceano – mesmo que a adaptação inicial seja desconfortável e dolorosa.”

Compartilhado do Facebook, página Estranha Força (Edilene Torino)

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Inconclusivos

A argila fria de todo devir aspira o calor do inexorável movimento de todos nós. Na dialética dos contrários, qual olhos em união, vamos, com apalpadelas modelando o espectro de nossa Percepção. Seremos sempre, no próximo Vir a Ser, pois Concluir, pertence sempre, ao próximo Passo.






sexta-feira, 3 de junho de 2016

"Que a vida humana é apenas um sonho outros já disseram, mas também a mim persegue esta idéia por toda parte. Quando penso nos limites que circunscrevem as ativas e investigativas faculdades humanas; quando vejo que esgotamos todas as nossas forças em satisfazer nossas necessidades, que apenas tendem a prolongar uma existência miserável; quando constato que a tranquilidade a respeito de certas questões não passa de uma resignação sonhadora, como se a gente tivesse pintado as paredes entre as quais jazemos presos com feições coloridas e perspectivas risonhas, (...) meto-me dentro de mim e acho ai um mundo! Mas antes em pressentimentos e obscuros desejos que em realidade e ações vivas. E então tudo paira a minha volta, sorrio e sigo a sonhar, penetrando adiante no universo."

- Os sofrimentos do jovem Werther; Goethe.


Compartilhado do FB página Gigantes da Literatura Universal


domingo, 29 de maio de 2016

Hagar e a Filosofia

Compartilhado da Revista Bula no FB

quinta-feira, 12 de maio de 2016

quarta-feira, 4 de maio de 2016