"Sei perfeitamente, quando o sangue esquenta, como a alma é pródiga em juramentos...".
Hamlet - Ato I, Cena III
Comp. do FB, pg. Shakespeare Indignado
domingo, 14 de outubro de 2018
sábado, 13 de outubro de 2018
No "arco perceptivo" da experiência de cada momento, bailamos e, cada um do seu jeito, cria, com seus movimentos, as notas da grande música das esferas e contribui assim para a sinfonia do Existir. Gildo Fonseca.
Acesse: https://www.facebook.com/kheireldin.sammakieh/videos/2089496071084661/
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Dentre as inúmeras ilusões às quais podemos recorrer para amenizar ou buscar curar nossas dores, o desejo infantil de ser protegido e cuidado permanece a maior de suas fontes. É esse um desejo que, embora parta da necessidade de ser amado, desejado, cuidado, não deixa de passar pelo risco do desejo de ser exclusivo, escolhido, à despeito de outros. Na busca por um amor que se queira incondicional, podemos fomentar a negação da nossa condição humana de base: aquela que nos afirma, sem cessar, como seres necessitados uns dos outros. A criança que habita em nós precisa de amor. Tanto que, para consegui-lo, pode vir a vestir-se com as máscaras que ela crê serem necessárias para garantir esse amor. É assim que, desamparada, a criança que habita em nós se esquece de si, se esquece de suas dores. Olhos fixados que estão, apenas, na ilusão de um amor incondicional. As guerras tem em si as mesmas razões. (Evelin Pestana, psicanalista, São Paulo/Brasil) Ilustração: Michael Cheval - Comp. do FB, pg. Casa Aberta
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
"Ao crescer, as pessoas param de brincar e parecem renunciar ao prazer que obtinham do brincar. Contudo, quem compreende a mente humana sabe que nada é tão difícil para o homem quanto abdicar de um prazer que já experimentou. Na realidade, nunca renunciamos a nada; apenas trocamos uma coisa por outra. O que parece ser uma renúncia é, na verdade, a formação de um substituto ou sub-rogado. Da mesma forma, a criança em crescimento, quando pára de brincar, só abdica do elo com os objetos reais; em vez de brincar, ela agora fantasia. Constrói castelos no ar e cria o que chamamos de devaneios."
(Freud em "Escritores Criativos e Devaneio", 1907)
(Freud em "Escritores Criativos e Devaneio", 1907)
“Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro” (Lispector, 1973, p. 38).
Mas é do buscar e não achar que nasce o que eu não conhecia, e que instantaneamente reconheço. A linguagem é o meu esforço humano. Por destino tenho de ir buscar e por destino volto com as mãos vazias. Mas – volto com o indizível. O indizível só me poderá ser dado através do fracasso de minha linguagem. Só quando falha a construção é que tenho o que ela não conseguiu.”
Clarice Lispector, in A paixão segundo G.H. (Meu livro preferido)
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Sensibilidade é tudo...
Sensibilidade... Sentir com profundidade. Sentir as palavras, as coisas... todas as presenças e ausências... É emocionar-se ao som de uma música, com uma poesia, um quadro, uma cena de cinema, com uma página de livro... Com as cenas da vida! É percepção aguçada que cala profundamente. É virtude. Ela é capaz de dosar as alegrias e as decepções. É hábil em provocar reações físicas: arrepios, calafrios, soluços, suspiros, espanto... uma lágrima. Talvez seja fraqueza?
"Sabe o que eu quero de verdade ? Jamais perder a sensibilidade, mesmo que às vezes ela arranhe um pouco a alma. Porque sem ela não poderia sentir a mim mesma." - Clarice Lispector
Comp. do FB, pg. da Magaly Pires
"Sabe o que eu quero de verdade ? Jamais perder a sensibilidade, mesmo que às vezes ela arranhe um pouco a alma. Porque sem ela não poderia sentir a mim mesma." - Clarice Lispector
Comp. do FB, pg. da Magaly Pires
Sobre a ilusão de controle
SOBRE ILUSÃO DE CONTROLE:
"... De minha parte, me adianto e informo que, até esta data, ninguém conseguiu saber e menos ainda modificar o que acontecerá nos minutos seguintes. Mesmo que seja possível antecipá-los com alguma aproximação, saber com plena certeza é impossível. Os imprevistos são a regra, e o talento humano consiste em resolvê-los, não em evitá-los. ... Pelo que se sabe, nunca ninguém conseguiu quebrar a máquina do tempo que, pelo contrário, diverte-se quebrando a presunção humana."
Alberto Goldin (psicanalista)
Compartilhado do FB, pg. do Projeto Estranha Força (Edilene Torino)
A solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma árvore no meio duma planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a casca, entre a folha e a raiz.
José Saramago
ilustraciones_Ben Gossens - Comp. do FB, pg. Neste Limbo do Ser
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Amar é um desacato à autoridade dos pessimistas, mal-amados, donos da verdade, descrentes da felicidade, vigias da vida alheia e toda torcida contra. Quem ama desobedece à lógica do um contra o outro, a fórmula do cada um por si, o vício odioso do confronto.
Compartilhado do FB, pg. Genialmente Louco
Compartilhado do FB, pg. Genialmente Louco
terça-feira, 9 de outubro de 2018
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
domingo, 7 de outubro de 2018
Eleger é acreditar. Cada alma, com o seu olhar singular, em seu diferente estágio de evolução, elegerá, com todo fervor do seu coração, alguém em quem acredita. Nietzsche já dizia; "não existem fatos, somente interpretações"; E assim é também na crença de cada pessoa. Cada um sempre tenta levar ao outro aquilo que acredita ser o melhor. Sempre. O problema é que o "melhor" pode ser relativo. Aspiro que o Amor possa imperar em todas as relações, independentemente da necessária experiência individual de cada um, com seus reflexos e contrastes momentâneos. A vida é muito breve. Logo logo, tudo acaba. Relevemos pois atitudes que os outros possam ter, segundo o nosso olhar, pois elas também estão praticando o seu melhor conforme o seu estágio evolutivo. A Vida pulsa, intensamente, à revelia das impermanências.
AMIGOS E AMIGAS, TUDO O QUE NOS UNE É SEMPRE MAIOR DO QUE QUALQUER FATO QUE POSSA NOS SEPARAR.
Uma boa eleição a todos. Sei que você fará a SUA melhor escolha.
Um domingo maravilhoso para você e todos os seus afetos !!!
Gildo Fonseca.
AMIGOS E AMIGAS, TUDO O QUE NOS UNE É SEMPRE MAIOR DO QUE QUALQUER FATO QUE POSSA NOS SEPARAR.
Uma boa eleição a todos. Sei que você fará a SUA melhor escolha.
Um domingo maravilhoso para você e todos os seus afetos !!!
Gildo Fonseca.
sábado, 6 de outubro de 2018
Fernando Pessoa, Winnicott e Espaço Transicional !
Em "Alma e realidade, duas paisagens sobrepostas" (Cancioneiro), Fernando Pessoa já nos falava deste fenômeno que, mais tarde, Winnicott traria para a Psicanálise: Esse espaço intermediário, entre o mundo interno e o mundo externo.
Resumidamente, ele dizia:
"Em todo o momento de atividade mental acontece em nós um duplo fenômeno de percepção: ao mesmo tempo que tempos consciência de um estado de alma, temos diante de nós... uma paisagem qualquer... o mundo exterior (...) Todo o estado de alma é uma paisagem... Há em nós um espaço interior onde a matéria da nossa vida física se agita. Assim uma tristeza é um lago morto dentro de nós, uma alegria um dia de sol no nosso espírito... todo o estado de alma se pode representar por uma paisagem (...) Assim, tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior e do nosso espírito... temos ao mesmo tempo consciência de duas paisagens. Ora, essas paisagens fundem-se, interpenetram-se, de modo que o nosso estado de alma, seja ele qual for, sofre um pouco da paisagem que estamos vendo... De maneira que a arte que queira representar bem a realidade terá de a dar através duma representação simultânea da paisagem interior e da paisagem exterior. Resulta que terá de tentar dar uma intersecção de duas paisagens..."
Uma bela descrição de um estágio intermediário, transicional... paradoxal...!!!
Então, em que lugar estamos quando diante de uma bela paisagem?
"Ainda que eu tivesse que viver inteiramente sozinho, estando vivo, eu viveria na condição de pluralidade. Tenho que me suportar, e não há lugar em que o eu-comigo-mesmo se mostre mais claramente do que no pensamento puro, sempre um diálogo entre os dois que sou. O filósofo que, tentando escapar da condição humana de pluralidade, foge para a solidão total, entrega-se, de forma mais radical do que qualquer outro, a essa pluralidade inerente a todo ser humano, pois é a companhia dos outros que, atraindo-me para fora do diálogo do pensamento torna-me novamente um — um ser só humano, único, falando apenas com uma voz e sendo reconhecido como tal por todos os outros."
Hannah Arendt. O diálogo entre amigos, da obra: A Dignidade da Política".
Imagem: The Café Terrace on the Place du Forum, Arles, at Night, c.1888By: van Gogh, Vincent
Coragem
“A semente não pode saber o que lhe vai acontecer, a semente jamais conheceu a flor. E a semente não pode nem mesmo acreditar que traga em si a potencialidade para transformar-se em uma bela flor. Longa é a jornada. E sempre será mais seguro não entrar nela, porque o percurso é desconhecido, e nada é garantido... mil e uma são as incertezas da jornada, muitos são os imprevistos - e a semente sente-se em segurança, escondida no interior de um caroço resistente. Ainda assim ela arrisca, esforça-se; desfaz-se da carapaça dura que é a sua segurança, e começa a mover-se. A luta começa no mesmo momento: a batalha com o solo, com as pedras, com a rocha. A semente era muito resistente, mas a plantinha será muito, muito delicada, e os perigos serão muitos.
Não havia perigo para a semente, a semente poderia ter sobrevivido por milênios, mas para a plantinha os perigos são muitos. O brotinho lança-se, porém, ao desconhecido, em direção ao sol, em direção à fonte de luz, sem saber para onde, sem saber por quê. Enorme é a cruz a ser carregada, mas a semente está tomada por um sonho e segue em frente.
Semelhante é o caminho para o homem. É árduo. Muita coragem será necessária”.
Esta descrição da carta me faz refletir sobre todos os momentos em que precisamos ser como a semente: aceitar o campo em que caímos e, mesmo dentro de um casca rija, acreditar nos nossos sonhos e romper esta casca, olhando em volta, intuindo onde estamos e para onde vamos.
Se o ambiente for inóspito, temos que, pacientemente, esperar pela chuva e pelo sol que vêm fortalecer nosso crescimento. Temos que encontrar uma brecha entre as pedras e os espinhos para serpentear nosso caule e abrir nossa copa e nossas flores debaixo do vasto céu azul que nos espera.
Texto Tarô Osho
Sensibilidade de rinocerontes...
"Saibamos que viver uma vida entre bilhões de idiotas com a sensibilidade de moléculas é em si uma arte."
Bukowski, "Os cães latem facas".
É na época de eleições que vemos quem sabe distinguir o que é transitório e o que é perene.
As eleições passam.
As verdadeiras amizades permanecem.
É na época de eleições que vemos quem sabe distinguir o que é transitório e o que é perene.
As eleições passam.
As verdadeiras amizades permanecem.
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
[...] Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.
Tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.
Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.
- Trecho do poema "Afinal", de Fernando Pessoa, no livro "Poemas Completo de Álvaro de Campos".
Obra "Sternenfall (Falling Stars)", 1995 - Anselm Kiefer.
Um turbilhão de paixões da alma acontece quando ela passa por eventos. O coração bate mais forte quando ela pensa, pretensamente, que pode se ancorar em singulares passagens, paisagens e momentos. Acreditamos que essa embriaguez alucinante possa, paradoxalmente, dar consistência a voláteis certezas que fluem em fugidias impermanências. Tábula rasa da consciência reescrita a cada paixão. Brindemos ao sagrado hospício da vida, onde cada um pode exercitar seu papel de procusto social com os serrotes de suas próprias loucuras. Brindemos a Luz dos contrastes que refletindo-se, doce e coloridamente, inebriam nossa passagem pelo Existir. Tim Tim. Gildo Fonseca.
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