sexta-feira, 19 de julho de 2019
quinta-feira, 18 de julho de 2019
Ser é escolher-se....
Para a realidade humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, nem tão-pouco de dentro, que possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem auxílio de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de se fazer ser até ao mais ínfimo pormenor. Assim, a liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser. (...) O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente e sempre livre, ou não é.
Jean-Paul Sartre, in 'O Ser e o Nada'
quarta-feira, 17 de julho de 2019
Temos que gerar luz para iluminar nossos Caminhos...
80% dos seres que vivem no fundo do mar são bio-luminescentes, ou seja, emitem luz própria.
Fonte: cienciahoje.uol
terça-feira, 16 de julho de 2019
Vestir-Se implica aceitar-Se despido...
"Visto para quem me dispo."
Simone de Beauvoir
Vestir-se pela linguagem para despir-se pela sua leitura.
Gildo Fonseca
Vestir-se pela linguagem para despir-se pela sua leitura.
Gildo Fonseca
sábado, 13 de julho de 2019
Nos interstícios, pulsam profundos desafios, aos perspicazes...
Clique sobre o link abaixo para ver um trabalho maravilhoso baseado na obra de nossa querida Lispector:
https://vimeo.com/41981310?fbclid=IwAR2hPxQLFqDuIRrGQY9yXD6YZbljhTjDA6epXYhc2AFHnjIGk3KJIxJIeS4
sexta-feira, 12 de julho de 2019
quinta-feira, 11 de julho de 2019
Clarice, sempre maravilhosa...
Texto do livro Aprendendo a viver, de Clarice Lispector
FUTURO IMPROVÁVEL
Uma vez eu irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria. Meu corpo, esse serei obrigada a levar. Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão. E irei à frente, sozinha, finalmente cega
para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente. Não é a violência que eu procuro, mas uma força ainda não classificada mas que nem por isso deixará
de existir no mínimo silêncio que se locomove. Nesse instante há muito que o sangue já terá desaparecido. Não sei como explicar que, sem alma, sem espírito, e um corpo morto – serei ainda eu, horrivelmente esperta. Mas dois e dois são quatro e isso é o contrário de uma solução, é beco sem saída, puro problema enrodilhado em si. Para voltar de “dois e dois são quatro” é preciso voltar, fingir saudade, encontrar o espírito entregue aos amigos, e dizer: como você engordou! Satisfeita até o gargalo pelos seres que mais amo. Estou morrendo meu espírito, sinto isso, sinto…
Nota: peço licença para pedir à pessoa que tão bondosamente traduz meus textos em braile para os cegos que não traduza este.
Não quero ferir os olhos que não veem.
Não quero ferir os olhos que não veem.
quarta-feira, 10 de julho de 2019
Sensibilidade demais:
Na hora de listar as qualidades que a gente quer encontrar nas pessoas com quem iremos nos relacionar vida afora, está lá a indefectível “sensibilidade”.
A gente quer que o patrão seja sensível e não um grosso. A gente quer que nossa amiga seja sensível e não um trator. A gente quer - e como quer! - que nosso namorado seja sensível e não um machista brucutu.
Encontrar sensibilidade nos outros é meio-caminho andado para o entendimento. E sermos, nós mesmos, sensíveis, também é um filtro bem-vindo, é a sensibilidade que permite nossa comoção diante de um quadro, de uma música, de um amor que nos arrebata ou de uma perda irreversível.
Mas admito que sinto uma certa inveja daquelas pessoas que são sensíveis mas não se tornam vítimas da própria emoção. Porque sensibilidade demais esgota a gente.Tem horas em que o filtro não filtra coisa nenhuma: permite que a gente seja atingido profundamente por coisas que mereceriam menos entrega. Cultivamos mágoas por coisas que nos aconteceram 15 anos atrás, remoemos culpas que já foram mais que perdoadas e esquecidas, temos nosso sistema nervoso totalmente abalado porque alguém compreendeu mal nossas palavras, sofremos por questões insolúveis, sofremos, sofremos, e sofrer dá uma senhora consistência à nossa vida, mas como cansa.
Às vezes me farto dos ideais que persigo e que, por serem ideais, nunca se concretizarão plenamente. A vida é defeituosa, imprevisível, nada é exatamente como a gente gostaria que fosse - e sensibilidade é algo que faz a gente aceitar isso e ser feliz do mesmo jeito. Já sensibilidade demais dá nos nervos e fatiga à toa. Uma certa frieza nos faz andar mais rápido, não nos retém.
Como se mede, se pesa, se percebe a sensibilidade suficiente e a sensibilidade excessiva? No quanto ela joga a nosso favor ou contra. Sensibilidade suficiente refina você, lhe dá um foco na vida. Já a sensibilidade excessiva faz de você protagonista de um dramalhão mexicano. Temos escolha? Não se escolhe, é o que se é. Os que são sensíveis na medida aproveitam a vida sem duras cobranças internas. Já a turma dos excessivos pega canetas, câmeras, pincéis, sapatilhas, instrumentos, e transforma o excesso em arte. Ou faz besteiras. Cada um encontra onde colocar sua sensibilidade, uns com leveza, outros com fartão de si mesmos. Os únicos que seguem não entendendo nada são os insensíveis.
A gente quer que o patrão seja sensível e não um grosso. A gente quer que nossa amiga seja sensível e não um trator. A gente quer - e como quer! - que nosso namorado seja sensível e não um machista brucutu.
Encontrar sensibilidade nos outros é meio-caminho andado para o entendimento. E sermos, nós mesmos, sensíveis, também é um filtro bem-vindo, é a sensibilidade que permite nossa comoção diante de um quadro, de uma música, de um amor que nos arrebata ou de uma perda irreversível.
Mas admito que sinto uma certa inveja daquelas pessoas que são sensíveis mas não se tornam vítimas da própria emoção. Porque sensibilidade demais esgota a gente.Tem horas em que o filtro não filtra coisa nenhuma: permite que a gente seja atingido profundamente por coisas que mereceriam menos entrega. Cultivamos mágoas por coisas que nos aconteceram 15 anos atrás, remoemos culpas que já foram mais que perdoadas e esquecidas, temos nosso sistema nervoso totalmente abalado porque alguém compreendeu mal nossas palavras, sofremos por questões insolúveis, sofremos, sofremos, e sofrer dá uma senhora consistência à nossa vida, mas como cansa.
Às vezes me farto dos ideais que persigo e que, por serem ideais, nunca se concretizarão plenamente. A vida é defeituosa, imprevisível, nada é exatamente como a gente gostaria que fosse - e sensibilidade é algo que faz a gente aceitar isso e ser feliz do mesmo jeito. Já sensibilidade demais dá nos nervos e fatiga à toa. Uma certa frieza nos faz andar mais rápido, não nos retém.
Como se mede, se pesa, se percebe a sensibilidade suficiente e a sensibilidade excessiva? No quanto ela joga a nosso favor ou contra. Sensibilidade suficiente refina você, lhe dá um foco na vida. Já a sensibilidade excessiva faz de você protagonista de um dramalhão mexicano. Temos escolha? Não se escolhe, é o que se é. Os que são sensíveis na medida aproveitam a vida sem duras cobranças internas. Já a turma dos excessivos pega canetas, câmeras, pincéis, sapatilhas, instrumentos, e transforma o excesso em arte. Ou faz besteiras. Cada um encontra onde colocar sua sensibilidade, uns com leveza, outros com fartão de si mesmos. Os únicos que seguem não entendendo nada são os insensíveis.
Martha Medeiros
segunda-feira, 8 de julho de 2019
E como é verdadeira esta citação...
"Somente aquele que foi o mais sensível pode tornar-se o mais frio e o mais duro, para se defender do mais pequeno golpe - e esta própria couraça lhe pesa muitas vezes."
Johann Goethe
domingo, 7 de julho de 2019
Suposições...
Nunca é tão fácil perder-se como quando se julga conhecer o caminho. Provérbio chinês.
Contrastes lapidam a Percepção...
"Cada um descobre o seu anjo
tendo um caso com o demônio."
Mia Couto
art by René Milot
Comp. da pag. de Patrícia Melo
sábado, 6 de julho de 2019
Spielgelberg – (...) O cão já se atracava aos meus calcanhares, raivoso, e a decisão não demorou, portanto... Tomar impulso e... lá estava eu, do outro lado. Ao salto devo meu corpo e minha vida, a besta teria me arrebentado em farrapos.
Moor – Sim, e o que queres dizer com isso?
Spielgelberg – Quero dizer que... tu deves ver como as forças da gente crescem com a necessidade. Por isso não me intimido quando é necessário chegar às vias de fato. A coragem cresce com o perigo. A força se eleva no aperto. O destino deve querer fazer de mim um homem grandioso, já que coloca tantas dificuldades no meu caminho.
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[Friedrich Schiller. In: Os bandoleiros - Segunda Cena - Taverna na fronteira da Saxônia. Karl voon Mor mergulhado num livro. Spiegelberg bebendo à mesa.]
[Friedrich Schiller. In: Os bandoleiros - Segunda Cena - Taverna na fronteira da Saxônia. Karl voon Mor mergulhado num livro. Spiegelberg bebendo à mesa.]
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[Art. Rafael Sanzio] - Comp. do FB, pg. Gigantes da Literatura Universal
[Art. Rafael Sanzio] - Comp. do FB, pg. Gigantes da Literatura Universal
Dialogando com as incertezas...
"Conhecer não consiste, necessariamente, construir sistemas sobre bases pré-determinadas, trata-se, antes de tudo, de dialogar com a incerteza".
Edgar Morin.
Freud, sobre a transitoriedade
Sobre a transitoriedade. FREUD, S. Vol. IV. 1916 texto completo
“Não faz muito tempo empreendi, num dia de verão, uma caminhada através de campos sorridentes na companhia de um amigo taciturno e de um poeta jovem mas já famoso. O poeta admirava a beleza do cenário à nossa volta, mas não extraía disso qualquer alegria. Perturbava-o o pensamento de que toda aquela beleza estava fadada à extinção, de que desapareceria quando sobreviesse o inverno, como toda a beleza humana e toda a beleza e esplendor que os homens criaram ou poderão criar. Tudo aquilo que, em outra circunstância, ele teria amado e admirado, pareceu-lhe despojado de seu valor por estar fadado à transitoriedade.
A propensão de tudo que é belo e perfeito à decadência, pode, como sabemos, dar margem a dois impulsos diferentes na mente. Um leva ao penoso desalento sentido pelo jovem poeta, ao passo que o outro conduz à rebelião contra o fato consumado. Não! É impossível que toda essa beleza da Natureza e da Arte, do mundo de nossas sensações e do mundo externo, realmente venha a se desfazer em nada. Seria por demais insensato, por demais pretensioso acreditar nisso. De uma maneira ou de outra essa beleza deve ser capaz de persistir e de escapar a todos os poderes de destruição.
Mas essa exigência de imortalidade, por ser tão obviamente um produto dos nossos desejos, não pode reivindicar seu direito à realidade; o que é penoso pode, não obstante, ser verdadeiro. Não vi como discutir a transitoriedade de todas as coisas, nem pude insistir numa exceção em favor do que é belo e perfeito. Não deixei, porém, de discutir o ponto de vista pessimista do poeta de que a transitoriedade do que é belo implica uma perda de seu valor.
Pelo contrário, implica um aumento! O valor da transitoriedade é o valor da escassez no tempo. A limitação da possibilidade de uma fruição eleva o valor dessa fruição. Era incompreensível, declarei, que o pensamento sobre a transitoriedade da beleza interferisse na alegria que dela derivamos.
Pelo contrário, implica um aumento! O valor da transitoriedade é o valor da escassez no tempo. A limitação da possibilidade de uma fruição eleva o valor dessa fruição. Era incompreensível, declarei, que o pensamento sobre a transitoriedade da beleza interferisse na alegria que dela derivamos.
Quanto à beleza da Natureza, cada vez que é destruída pelo inverno, retorna no ano seguinte, do modo que, em relação à duração de nossas vidas, ela pode de fato ser considerada eterna. A beleza da forma e da face humana desaparece para sempre no decorrer de nossas próprias vidas; sua evanescência, porém, apenas lhes empresta renovado encanto. Um flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela. Tampouco posso compreender melhor por que a beleza e a perfeição de uma obra de arte ou de uma realização intelectual deveriam perder seu valor devido à sua limitação temporal. Realmente, talvez chegue o dia em que os quadros e estátuas que hoje admiramos venham a ficar reduzidos a pó, ou que nos possa suceder uma raça de homens que venha a não mais compreender as obras de nossos poetas e pensadores, ou talvez até mesmo sobrevenha uma era geológica na qual cesse toda vida animada sobre a Terra; visto, contudo, que o valor de toda essa beleza e perfeição é determinado somente por sua significação para nossa própria vida emocional, não precisa sobreviver a nós, independendo, portanto, da duração absoluta.
Essas considerações me pareceram incontestáveis, mas observei que não causara impressão quer no poeta quer em meu amigo. Meu fracasso levou-me a inferir que algum fator emocional poderoso se achava em ação, perturbando-lhes o discernimento, e acreditei, depois, ter descoberto o que era. O que lhes estragou a fruição da beleza deve ter sido uma revolta em suas mentes contra o luto. A idéia de que toda essa beleza era transitória comunicou a esses dois espíritos sensíveis uma antecipação de luto pela morte dessa mesma beleza; e, como a mente instintivamente recua de algo que é penoso, sentiram que em sua fruição de beleza interferiam pensamentos sobre sua transitoriedade.
O luto pela perda de algo que amamos ou admiramos se afigura tão natural ao leigo, que ele o considera evidente por si mesmo. Para os psicólogos, porém, o luto constitui um grande enigma, um daqueles fenômenos que por si sós não podem ser explicados, mas a partir dos quais podem ser rastreadas outras obscuridades. Possuímos, segundo parece, certa dose de capacidade para o amor — que denominamos de libido — que nas etapas iniciais do desenvolvimento é dirigido no sentido de nosso próprio ego. Depois, embora ainda numa época muito inicial, essa libido é desviada do ego para objetos, que são assim, num certo sentido, levados para nosso ego. Se os objetos forem destruídos ou se ficarem perdidos para nós, nossa capacidade para o amor (nossa libido) será mais uma vez liberada e poderá então ou substituí-los por outros objetos ou retornar temporariamente ao ego. Mas permanece um mistério para nós o motivo pelo qual esse desligamento da libido de seus objetos deve constituir um processo tão penoso, até agora não fomos capazes de formular qualquer hipótese para explicá-lo".
Comp. da pg. de Marcel Oliveira
Comp. da pg. de Marcel Oliveira
"Ela é estranha. Tem olhos hipnóticos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor."
Caio Fernando Abreu
Arte by Dragan Ilic Di Vogo.
sexta-feira, 5 de julho de 2019
Cada tempo é uma partida. O certo, ou incerto, fluirá "de cima", no próximo olhar, após a escalada da percepção pelos degraus da expectativa anterior. Paradoxalmente então, deixará de poder ser qualificada, já que cumpriu sua missão de oxigenar a volátil Consciência pela soma dos contrastes, diferenças e pigmentos de todo passado. Toda expectativa é procusto da pretensa órbita do compreender. Fluir é "apenas" sentir, já que todo entendimento pressupõe ancorar certezas no mar revolto de mutáveis, dinâmicas e indomáveis telas dos novos tempos de todo Devir.
Gildo Fonseca.
Gildo Fonseca.
quinta-feira, 4 de julho de 2019
Somos todos míopes, exceto para dentro.
Só o sonho vê com o olhar.
Transeuntes eternos para nós mesmos,
não há paisagens senão o que somos.
Nada possuímos, porque nem a nós possuímos.
Nada temos porque nada somos.
Que mãos estenderei para que universo?
O universo não é meu:
sou eu.
Só o sonho vê com o olhar.
Transeuntes eternos para nós mesmos,
não há paisagens senão o que somos.
Nada possuímos, porque nem a nós possuímos.
Nada temos porque nada somos.
Que mãos estenderei para que universo?
O universo não é meu:
sou eu.
Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa)
Do mural de Luiz Baroni
quarta-feira, 3 de julho de 2019
Uma mulher extraordinária...
Madame Lou Salomé
Lou Andreas-Salomé (1861-1937) era uma mulher russa, belíssima, e teve vários amantes e foi a grande paixão da vida de Nietzsche, mas não aceitou o convite dele para subir ao altar. Em maio de 1882, Nietzsche e Salomé passaram juntos temporada em Orta, na Itália, e, depois, em Lucerna, na Suíça. Salomé publicou, em 1894, um livro sobre ele: “Friedrich Nietzsche” — Nietzsche morreu em 1900. Em junho de 1887, Salomé casou-se com o professor Friedrich-Carl Andreas, mas o casamento não durou por conta dos amantes de Salomé. No Congresso da Associação Internacional de Psicanálise (IPA), em Weimar, na Alemanha, em 1911, Salomé se encontra pela primeira vez com Freud apresentada por Poul Bjerre e manifesta seu desejo de ser psicanalista. Em 25 de outubro de 1912, Salomé desembarca, em Viena, e é por Freud convidada para participar da Sociedade Psicanalítica Vienense (WPV) onde esteve presente até 1913. Freud dizia publicamente que tinha uma admiração especial por Salomé, mas deixava claro que não tinha nada a ver com atração sexual e tornou-se amigo e professor dela. Em 1931, Salomé publicou um livro em homenagem a Freud: “Minha gratidão a Freud”...
Luís Olímpio Ferraz Melo
terça-feira, 2 de julho de 2019
segunda-feira, 1 de julho de 2019
Ah, amada Clarice, direto na jugular de nossas almas...
"Já que tenho de salvar o dia de amanhã, já que tenho que ter uma forma porque não sinto força de ficar desorganizada, já que fatalmente precisarei enquadrar a monstruosa carne infinita e cortá-la em pedaços assimiláveis pelo tamanho de minha boca e pelo tamanho da visão de meus olhos, já que fatalmente sucumbirei à necessidade de forma que vem de meu pavor de ficar indelimitada — então que pelo menos eu tenha a coragem de deixar que essa forma se forme sozinha como uma crosta que por si mesma endurece, a nebulosa de fogo que se esfria em terra. E que eu tenha a grande coragem de resistir à tentação de inventar uma forma."
Toda compreensão súbita se parece muito com uma aguda incompreensão.
Não. Toda compreensão súbita é finalmente a revelação de uma aguda incompreensão“
Lispector, fragmento de A Paixão Segundo GH
sexta-feira, 28 de junho de 2019
quarta-feira, 26 de junho de 2019
sábado, 22 de junho de 2019
https://elvuelodelalechuza.com/2016/08/24/tempus-fugit-la-permanente-huida-del-tiempo-una-reflexion-a-partir-de-leopardi-y-baudelaire/?fbclid=IwAR2x3dnHSvqxo46PcJLuyQBCcSRJFT4vmeLMx7JQI9mrp9ZKcfUsYZTcZPo
Maravilhoso o conteúdo desse link acima sobre Leopardi e Baudelaire e recomendo para existencialistas que, mergulhados na densidade, exercitam a musculatura da suportabilidade da alma.
Esmeramos o "como" das coisas, nosso ópio e embriaguez de todo cotidiano, para suportarmos a fluidez de fugazes, inconsistentes e pretensiosos lapsos de lucidez, canto de sereia, com respostas que morrem já na sinapse seguinte. Como dizia Leopardi: "se algo revela a superioridade dos antigos, não é a felicidade que eles alcançaram, mas o fato de terem criado ilusões nas quais habitar".
O brilho das momentâneas Percepções é sempre devorado pelo "buraco negro" do imponderável devir. Como dizia uma "criança", para onde vai a luz quando chega o escuro? Talvez devido a isso, Goethe, em seu leito de morte clamava, como todos nós, "Luz, mais Luz..."
O brilho das momentâneas Percepções é sempre devorado pelo "buraco negro" do imponderável devir. Como dizia uma "criança", para onde vai a luz quando chega o escuro? Talvez devido a isso, Goethe, em seu leito de morte clamava, como todos nós, "Luz, mais Luz..."
Gildo Fonseca.
sexta-feira, 21 de junho de 2019
"Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo."
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo."
Lya Luft
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