domingo, 18 de junho de 2017

Arriscar conforma. Arriscar com forma.

Formatar imponderabilidades, quimera vã de um processo autofágico da sisifiniana imprevisibilidade.

Gildo Fonseca.

sábado, 17 de junho de 2017

Sim, bem sei donde provenho:
Insatisfeito, como chama em seco lenho
Vou ardente e me consumo.
Tudo o que toco faz-se luz e fumo,
Fica em carvão o que foi minha presa:
Sou chama com certeza”
– Nietzsche, Gaia Ciência, Rima Alemãs, §62

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Fellini sobre Borges

Federico Fellini sobre Borges

Borges me comunica siempre una singular exaltación pacificadora a causa de su prodigiosa vocación de aprisionar, aunque sea por un instante, entidades tan ambiguas y enrarecidas como el tiempo, el destino, la muerte, los sueños, en operaciones mentales portentosas y refinadas, en mecanismos conceptuales poderosamente simplificados, libres de los oropeles de la lógica, de los juegos de equilibrio de la dialéctica. Sobre todo para un hombre de cine, Borges es un autor particularmente estimulante en cuanto a que lo excepcional de su literatura consiste en ser muy parecida al sueño, como una extraordinaria visión onírica al evocar del subconsciente imágenes innatas donde la cosa y su significado coexisten simultáneamente, exactamente como en una película. Y justamente como en los sueños, también lo incongruente de Borges, lo absurdo, lo contradictorio, lo arcaico, lo repetitivo, aún conservando toda su virulenta carga fantástica, son igualmente iluminados como los rigurosos detalles de un dibujo más amplio e ignorado, son los elementos impecables de un mosaico atrozmente perfecto e indiferente. También, Borges, me hace pensar en un flujo onírico discontinuo, y la heterogeneidad de esta misma producción —relatos, ensayos, poesías— prefiero imaginármelas, no como el fruto de los múltiples resortes de un talento impaciente, sino más bien como el signo sin descifrar de una metamorfosis infatigable.

Imagem e texto compartilhados do Facebook da página  Las cuatro esquinas, una intersección literaria.

O sonho - Borges

El sueño
Si el sueño fuera (como dicen) una
tregua, un puro reposo de la mente,
¿por qué, si te despiertan bruscamente, 
sientes que te han robado una fortuna?
¿Por qué es tan triste madrugar? La hora
nos despoja de un don inconcebible,
tan íntimo que sólo es traducible
en un sopor que la vigilia dora

de sueños, que bien pueden ser reflejos
truncos de los tesoros de la sombra,
de un orbe intemporal que no se nombra

y que el día deforma en sus espejos.
¿Quién serás esta noche en el oscuro
sueño, del otro lado de su muro?

Jorge Luis Borges

Lastros fictícios e voláteis valorações

SUTILEZAS QUASE IMPERCEPTÍVEIS!!!!
As notas (títulos de vários governos) podem não ter lastro em qualquer coisa de valor real em toda a economia.

Baseiam-se num fluxo de confiança que só existe por causa da crença de que ela é real, tem retaguarda e consistência e, devido a isso, empresas privadas assumem as ofertas de dinheiro das emissões públicas e permitem que as impagáveis dívidas nacionais continuem, indefinidamente a existir.

Dívidas que nunca poderão ser, efetivamente, resgatadas, pois seu lastro talvez seja tão volátil quanto as intenções de seus administradores. Um sutil controle sobre o fluxo onde todos os eixos da vida são dependentes.

O fluxo da própria sobrevivência e suas nuances de expectativas e necessidades individuais são subjugadas e manipuladas pelo sutil controle do fluxo do oxigênio financeiro que banca as necessidades e aspirações feitas pelos senhores do mundo, senhores da vida, à revelia de consciências, sempre sobrepujadas por pequenas e triviais "emergências" cotidianas de caráter interior e exterior. 

E la nave va... Gildo Fonseca

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Sartre — horror a existência

Meu pensamento sou eu: eis por que não posso parar. Existo porque penso... E não posso me impedir de pensar. Nesse exato momento — é terrível — se existo é porque tenho horror a existir. Sou eu, sou eu que me extraio do nada a que aspiro: o ódio, a repugnância de existir são outras tantas maneiras de me fazer existir, de me embrenhar na existência. Os pensamentos nascem por trás de mim como uma vertigem, sinto-os nascer atrás de minha cabeça... Se eu cedo, o pensamento cresce, cresce e fica imenso, me enchendo por inteiro e renovando minha existência.
— Jean-Paul Sartre, in A Náusea. pg 137. Editora Nova Fronteira.
Obra de Jean Veber.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Lispector, intensa...

Trecho de A Paixão Segundo G.H.

[...]
E tudo isto é neste próprio instante, é no já. Mas ao mesmo tempo o instante atual é todo remoto por causa do tamanho-grandeza do Deus. Por causa do enorme tamanho perpétuo é que, mesmo o que existe já, é remoto: no próprio instante em que se quebra no armário a barata, ela também é remota em relação ao seio da grande indiferença-interessada que a reabsorve impunemente.
A grandiosa indiferença - era isto o que estava existindo dentro de mim?
A grandeza infernal da vida: pois nem meu corpo me delimita, a misericórdia não vem fazer com que o corpo me delimite. No inferno, o corpo não me delimita, e a isso chamo de alma? Viver a vida que não é mais a de meu corpo - a isto eu chamo de alma impessoal?
E minha alma impessoal me queima. A grandiosa indiferença de um astro é a alma da barata, o astro é a própria exorbitância do corpo da barata. A barata e eu aspiramos a uma paz que não pode ser nossa - é uma paz além do tamanho e do destino dela e meu. E porque minha alma é tão ilimitada que já não é eu, e porque ela está tão além de mim - é que sempre sou remota a mim mesma, sou- me inalcançável como me é inalcançável um astro. Eu me contorço para conseguir alcançar o tempo atual que me rodeia, mas continuo remota em relação a este mesmo instante. O futuro, ai de mim, me é mais próximo que o instante já.
A barata e eu somos infernalmente livres porque a nossa matéria viva é maior que nós, somos infernalmente livres porque minha própria vida é tão pouco cabível dentro de meu corpo que não consigo usá-la. Minha vida é mais usada pela terra do que por mim, sou tão maior do que aquilo que eu chamava de “eu” que, somente tendo a vida do mundo, eu me teria. Seria necessário uma horda de baratas para fazer um ponto ligeiramente sensível no mundo - no entanto uma única barata, apenas pela sua atenção-vida, essa única barata é o mundo.
[...]

sábado, 6 de maio de 2017

Reflexões

SEMPRE AGORA... lugar desafiador, busque esse exercício, busque estar no agora, o que será que acontecerá?
“A maioria de nós faz de tudo pra não pensar sobre a morte. Mas há sempre uma parte das nossas mentes que sabe que isso não pode durar pra sempre. Parte de nós sempre sabe que a visita a um médico ou um telefonema irá duramente nos lembrar do fato da nossa própria mortalidade ou daqueles próximos de nós. Eu estou certo de que muitos de vocês nessa sala experimentaram isso de alguma forma e devem saber o quão sinistro é, ser subitamente arrancado do curso normal da sua sua vida para apenas se entregar em tempo integral à tarefa de não morrer, ou de cuidar de alguém que esteja morrendo. Mas a única coisa que as pessoas tendem a ser dar conta em momentos como esse é que elas desperdiçaram muito tempo quando a vida era normal. E não é só sobre o que elas fizeram com o seu tempo. Não é só sobre gastar tempo demais trabalhando ou checando e-mails compulsivamente. É que elas se importavam com as coisas erradas. Elas se arrependem sobre aquilo com o quê se importavam. Sua atenção estava voltada a preocupações insignificantes, ano após ano, quando a vida era normal. E isso é um paradoxo é claro, porque todos nós sabemos que essa epifania está chegando. Digo, você não sabe que está chegando? Você não sabe que chegará um dia em que você estará doente, ou alguém próximo a você irá morrer, e você vai olhar pra trás para o tipo de coisas que capturavam a sua atenção, e vai pensar: “O que eu estava fazendo?”.
— Sam Harris, em “Death and The Present Moment”
E nós, agora?
O que estamos fazendo?

Este texto foi compartilhado da página de Rita de Cassia Antunes do Facebook

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A MEIA-NOITE DA RAZÃO

Texto de Eterno Retorno:
A MEIA-NOITE DA RAZÃO
Tememos o não sentido. Somos viciados no sentido. Ser no lugar do não-ser. Cadê o meu ser! – gritamos desesperados no tempo. A ciência é a mais carente de sentido, se não houver sentido não há ciência. Eu sei, a nobreza diz que a ciência dá sentido ao sem sentido, e assim caminhamos – verniz ilusório, quem dá sentido é o homem que faz ciência. Sentido arbitrário mas que não se diz arbitrário por que segue uma lógica, gira em torno de sistemas e outras lógicas… mas também arbitrários. A lógica é o empacotamento do arbitrário para que um dependa do outro – cria-se uma rede de dependência e como as origens são esquecidas, cria-se a ilusão de coerência e sentido. Ou você para no sentido que tem, ou vai ficar escavando fundos em busca de sentidos, e como todo fundo pode ter seu fundo retirado, escavamos. Escavamos em busca de resolver o mistério, o desconhecido, o assombroso do mundo? O universo é indiferente, o mundo nos esmaga com sua brutalidade incognoscível.

A questão não é tanto escavar ou deixar de escavar, um sentido por outro sentido, ambos são buscas incessantes de sentidos. Nem razão nem irrazão. Irrazão! Palavra selvagem aos dicionários. O despotismo do sentido nos faz bichos incomodados com o silêncio, é como se precisássemos falar o tempo todo, e falamos. Se pudéssemos imaginar um mundo onde a maior parte do que comunicamos fosse realmente aquilo que gostaríamos de dizer, talvez houvesse somente uma pequena biblioteca no mundo, e o silêncio seria a partitura por onde irromperia alguns ruídos vocálicos. Compreender a tagarelice que somos, espermatozóides verborrágicos conforme chamado por Cioran, possibilita-nos deixar de viver nas trincheiras de coerência e clareza de palavras com que se trava a batalha contra nossa ruína, ruína no tempo, na morte, na dissolução… em vão. Possibilita-nos a deixar de morrer pelo sentido. Morremos a cada vez que algo sai fora da órbita do sentido. Não compreendo isso, ou isso não me faz sentido ou isso não poderia ter acontecido comigo. E quem disse que nossos encontros no mundo devem vir carimbados com uma justificativa? A história dos homens é a história da aspereza do homem contra o mundo. Também podemos acariciá-lo, delirando e devaneando sob o manto lunar.
O post A meia-noite da razão apareceu primeiro em Eterno Retorno.

domingo, 30 de abril de 2017

sábado, 29 de abril de 2017

Nos interstícios, entre as percepções, reina a Possibilidade, útero da criação, à espera do olhar semeador, rebelde, sangue pulsante das almas indômitas, eternamente insubservientes às mortes de tantas inações cotidianas da Consciência.

Gildo Fonseca.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Invejar vem de "videre", de olhar. Como um dos sentimentos mais difíceis de ser reconhecido e amansado, a inveja se inscreve na primeira infância como fixação no visto vindo de fora, e como dificuldade de reconhecer o visto vindo de dentro. É um efeito das precárias condições de estruturação do Eu em suas relações com o meio. Não ultrapassada, ela compromete o sentimento de reconhecimento e de gratidão (M.Klein). É um dos sinais de outro de nossos maiores sintomas humanos: a insatisfação crônica, prima-irmã da dificuldade de reconhecer a finitude de si e da vida. É a busca desenfreada pelo que nenhum humano pode ter: tudo. O invejoso sofre, e faz sofrer. (Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Compartilhado do FB - Página Aberta


Olhar é tudo.


Dúvidas das certezas. Certezas das dúvidas.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Como não haveria de ser eu um Lobo da Estepe e um mísero eremita em meio a um mundo cujos objetivos não compartilho, cuja alegria não me diz respeito! (...) E, de fato, se o mundo tem razão, se essa música dos cafés, essas diversões em massa e esses tipos americanizados que se satisfazem com tão pouco têm razão, então estou louco. Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes – aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem alegria nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível.

Hermann Hesse




Compartilhado do FB, página de Aruse Leão

domingo, 16 de abril de 2017

Autenticidade

No reniego de mi
naturaleza, no reniego de
mis elecciones, de todos
modos he sido una
afortunada. Muchas veces
en el dolor se encuentran
los placeres más profundos,
las verdades más complejas,
la felicidad mas certera. Tan
absurdo y fugaz es nuestro
paso por el mundo, que solo
me deja tranquila el saber
que he sido auténtica, que
he logrado ser lo mas
parecido a mi misma que he
podido.”
Frida Khalo

quinta-feira, 13 de abril de 2017

As Duas Direções
Se tentarmos contemplar o espelho em si, acabamos por não descobrir senão os objetos que nele se refletem. Se quisermos agarrar esses objetos, voltamos a ver somente o espelho. — Essa é a história geral do conhecimento.

Obra de Fatima Ronquillo. Texto e imagem 
compartilhados do FB, página de Friedrich Wilhelm Nietzsche


A foto ao lado e o texto abaixo foram compartilhados do Facebook, da página de Jorge Sesarino.








O que é o Amor? 
(Para ler muitas vezes até concluir.)
O amor é a substância gozante da qual somos feitos: palavras de amor, do verbo amar, verbo que se faz carne. Amamos porque o Outro nos amou primeiro. Essa primeira experiência de completude fracassa na medida em que o amor também é desejo e gozo enlaçados. O amor é a condição de existência do ser falante ("parletre", ser-de-fala, ser-de-palavra, ser-de-letra), articulado ao desejo que é ao mesmo tempo falta e incompletude, condição necessária para amar. O amor resulta da realização do desejo, do encontro do desejo com o seu objeto e com o gozo dele obtido. Todavia, o desejo por ser falta não tem objeto e logo após sua realização desfaz o encontro e segue adiante como desejo insatisfeito, como falta que anseia outro objeto em continuo deslize metonímico. Assim, do desejo nasce o amor que faz corpo. O amor é corporal, narcísico e recíproco. Ama-se com o corpo o corpo-outro, e do fracasso do amor em fazer, de dois corpos Um-corpo, nasce o desejo, ambos enlaçados pelo gozo limitado pela insatisfação, pois o desejo faz falta no amor, fazendo aquele que deseja, amar a falta, nome da castração Freudiana e estado de gozo chamado fálico, porque incompleto e parcial. É porque o amor fracassa no impossível de se fazer Um, que volta-se a amar e a desejar e a gozar por isso. O amor tende sempre ao Um, mas o desejo sempre o impede e por isso, o desejo, o amor e o amar se diferem, se completam e se des-completam.
E o que é amar?
Amar é gozar e desejar. Amar é sublimar a pulsão para além do objeto e elevar o objeto a condição de Ser-para-o-Amor. O milagre do amor (Lacan, Seminário 8) é quando o amante, ao amar, torna-se amante-amado, e o amado ao ser amado, torna-se amado-amante, porque o amante, ao dar o que não tem (sua falta, o falo), causa a falta no outro. Amar é fazer amor e falar de amor sendo o próprio amor. Amar é fazer o amor no dizer-amor, palavra-fala-que-ressoa-no-corpo-e-faz-ato. Amar é encarnar o amor em atitude, ação-conduta que conduz-e-eleva ao gozo maior da alegria de viver e do prazer de sentir gozar. Amar é elevar o outro, (objeto da pulsão e do desejo), a condição de Ser. Amar o amor conduz ao encontro do outro e possibilita aquele que ama eleva-lo como Ser-para-além-do-que-merece-Ser. Amar é gozar, é encantar-se de viver-sentir-falar-ser-partilhar a existência com outros. Todavia, só o amor pode fazer o gozo se aconchegar ao desejo de modo a enlaçar os três: o amor, o desejo e o gozo.