quinta-feira, 12 de outubro de 2017

“Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro” (Lispector, 1973, p. 38).

Mas é do buscar e não achar que nasce o que eu não conhecia, e que instantaneamente reconheço. A linguagem é o meu esforço humano. Por destino tenho de ir buscar e por destino volto com as mãos vazias. Mas – volto com o indizível. O indizível só me poderá ser dado através do fracasso de minha linguagem. Só quando falha a construção é que tenho o que ela não conseguiu.”

Clarice Lispector, in A paixão segundo G.H.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017




ODE A SCHOPENHAUER

Hoje vi um pássaro num bosque feliz tentando apanhar com seu bico, uma lagartixa encurralada, patente era a alegria do pássaro preparando-se para almoçar, patente o desespero da lagartixa tentando sobreviver. Me lembrei de todos os animais caçando uns aos outros para poder sobreviver. Lembrei do homem que caça por puro prazer, os animais e até seus semelhantes. Todos nós para sobreviver, precisamos tirar a vida de alguma coisa, seja vegetal, seja animal. Se quisermos sobreviver precisamos matar alguma vida e o pior, precisamos de "esforço" para buscar essa insana sobrevivência através da força das ações, que por sua vez, dependem da "energia" gerada pelo resultado de nossos inexoráveis assassinatos cotidianos. A luta para sobreviver e a forçosa adaptação às culturas condicionantes através da história nos levam a essa embriaguez absoluta da ambição, dos prazeres, da busca pelo novo e o diferente entre muitos outros aspectos. Não consigo conceber uma Criação que, para uns sobreviverem outros precisem morrer. Como uma forte injeção de consciência, direta na veia, Schopenhauer traz a tona, de forma clara essa tragédia da nossa existência em seu texto "O Vazio da Existência", que recomendo a todos que tiverem um "estômago de aço" na alma. A embriaguez consciencial é a saída. Vamos nos embriagar desse majestoso senhor, o Cotidiano, com todos os seus insensatos, fugazes, transitórios mas, necessários, sonhos. É a única saída, uma vez que nos roubaram a única coisa, essa semente realmente nossa: a compreensão do PORQUÊ de todas as coisas, a sinceridade da busca do nosso Espírito, única "coisa" realmente "nossa". Assim talvez possamos deixar se ser escravos de tantos COMOS, pois os meios para atingir as coisas estão sempre em evolução enquanto o FIM que justificaria tantos MEIOS é uma incógnita, um punhal lançado no coração dos que mergulham no Oceano da Consciência. Vamos pois mergulhar na embriaguez das impermanências. TIM TIM !!!!!

Gildo Fonseca

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Quase

Quase .... ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu. Sarah Westphal

Imagem: Christian Schloe |

Imagem e texto compartilhados do FB, página de Solange Bassi, Astrologia.
Quem quiser conhecer melhor essa fantástica figura, G. K. Chesterton sugiro pesquisar na wikipedia. Vale a pena.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

2 elevado a potência de 10 trilhões de sinapses

"Se cada cérebro humano só fizesse uma sinapse – correspondente a uma estupidez monumental – seríamos capazes de apenas dois estados mentais. Se tivéssemos duas sinapses, 4 estados, três sinapses, 8 estados, e em geral, para N sinapses, 2 estados. Mas o cérebro humano é caracterizado por umas 10 trilhões de sinapses. Por conseguinte, o numero de diferentes estados de um cérebro humano equivale a 2 elevado à essa potência, ou seja – multiplicado por ele mesmo 10 trilhões de vezes. Esse é um numero inconcebivelmente grande, muito maior, por exemplo, do que o numero total de partículas elementares (elétrons e prótons) em todo o universo, que é muito menor do que 2 elevado à potência de 10 trilhões. É em virtude desse imenso número de configurações funcionalmente diferentes do cérebro humano que dois seres humanos, mesmo que sejam idênticos, jamais poderão ser muito parecidos. Esses números enormes também podem explicar algo da imprevisibilidade do comportamento humano. A resposta deve ser que de forma alguma estão ocupados todos os estados cerebrais possíveis; deve existir um número enorme de configurações mentais que jamais foram introduzidas ou sequer vislumbradas por qualquer ser humano na história da humanidade. Sob essa perspectiva, cada ser humano é realmente raro e diferente, sendo a santidade de cada vida humana uma consequência ética plausível."
Carl Sagan; In: Os Dragões do Éden.

domingo, 24 de setembro de 2017

Nós dois...


Sombra em movimento

SOMBRA EM MOVIMENTO.

Ouso dizer que toda Sombra (estado) contém, como um coração a pulsar, as suas Palavras (alma). Cada Palavra é uma emanação da Potência de Luz a Ser sombreada, prismada e multifacetada pelos espelhos de seus próprios e dinâmicos heterônimos. Somos todos Sombras da Luz, reluzindo, pela fricção dialética de nossas contrapartes, a cristalização de Identidades conscienciais intersectivas, criando Caminhos e Realidades que vão sendo absorvidos pelos Buracos Negros da sempre transcendente, fugidia e pretensiosa Lucidez, rumo a outras dimensões perceptivas de nós mesmos. Gildo Fonseca.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017


Nada como uma "visão" ampla.

domingo, 17 de setembro de 2017

“Nossas percepções, sensações e idéias se apresentam sobre um duplo aspecto: um nítido, preciso, mas impessoal; o outro confuso, infinitamente móvel e inexprimível, pois a linguagem não saberia apreendê-lo sem fixar sua mobilidade nem adaptá-lo à sua forma banal sem fazê-lo tombar em seu domínio comum [...] Nossa vida exterior e por assim dizer social tem mais importância prática para nós que nossa existência interior e individual. Nós tendemos instintivamente a solidificar nossas impressões para expressá-las em linguagem. Daí vem que nós confundamos o sentimento mesmo, que está em perpétuo devir, com seu objeto exterior permanente e sobretudo com a palavra que exprime este objeto. [...] Só há na alma humana progresso. O que quer dizer que toda sensação se modifica em se repetindo e que, se ela não me parece mudar da noite para o dia é porque eu a percebo agora através do objeto que lhe é causa, através da palavra que lhe traduz. [...] Em suma, a palavra de contornos bem definidos, a palavra brutal que reúne aquilo que há de estável, de comum e por consequência de impessoal nas impressões da humanidade apaga ou pelo menos recobre as impressões delicadas e fugidias de nossa consciência individual [...] Eis-nos portanto em presença da sombra de nós mesmos: nós cremos termos analisados nossos sentimentos, nós o substituímos em realidade por uma justaposição de estados inertes, traduzíveis em palavras e que constituem cada um o elemento comum, o resíduo impessoal das impressões sentidas em um caso dado pela sociedade inteira.” (Bergson. Ensaio sobre os dados imediatos da consciência)
"Sempre conservei uma aspa à esquerda e à direita de mim." 

(Clarice Lispector)






Imagem compartilhado do FB página catarsecomclarice

Lispector

Compartilhado do FB página catarsecomclarice

terça-feira, 12 de setembro de 2017

A TRAPEZISTA DO CIRCO
--Antonio Bivar---
"Era uma vez, mas eu me lembro como se fosse agora, eu queria ser trapezista. Minha paixão era o trapézio, me atirar lá do alto na certeza de que alguém segurava minhas mãos, não me deixando cair. Era lindo mas eu morria de medo. Tinha medo de tudo quase, cinema, parque de diversão, de circo, ciganos, aquela gente encantada que chegava e seguia. Era disso que eu tinha medo, do que não ficava para sempre. Era outra vez, outro circo, ciganos e patinadores. O circo chegou a cidade era uma tarde de sonhos e eu corri até lá. Os artistas, eles se preparavam nos bastidores para começar o espetáculo, e eu entrei no meio deles e falei que eu queria ser trapezista. Veio falar comigo uma moça do circo que era a domadora, era uma moça bonita, forte, era uma moçona mesmo. Ela me olhou, riu um pouco, disse que era muito difícil, mas que nada era impossível. Depois veio o palhaço Poli, veio o Topz, veio o Diverlangue que parecia um príncipe, o dono do circo, as crianças, o público. De repente apareceu uma luz lá no alto e todo mundo ficou olhando. A lona do circo tinha sumido e o que eu via era a estrela Dalva no céu aberto. Quando eu cansei de ficar olhando para o alto e fui olhar para as pessoas, só aí, eu vi que eu estava sozinha".

Texto compartilhado do FB da página de Edilene Torino

Em cada parágrafo desse texto do Bivar há um oceano de percepções. No circo da vida já nascemos trapezistas subindo pelas cordas de todo Incriado.

domingo, 10 de setembro de 2017



Oração de Tatto Palhares

ORAÇÃO PARA DORMIR TRANQUILO
Meu Pai,
agora que as vozes silenciaram
e os clamores se apagaram,
aqui ao pé da cama
minha alma se eleva a Ti, para dizer:
Creio em Ti, espero em Ti,
e amo-te com todas as minhas forças,
glória a Ti, Senhor!

Deposito nas tuas mãos a fadiga e a luta,
as alegrias e desencantos
deste dia que ficou para trás.
Se os nervos me traíram,
se os impulsos egoístas me dominaram
se dei lugar ao rancor ou à tristeza,
perdão, Senhor!
Tem piedade de mim.
Se fui infiel,
se pronunciei palavras em vão,
se me deixei levar pela impaciência,
se fui um espinho para alguém,
perdão Senhor!
Nesta noite
não quero entregar-me ao sono
sem sentir na minha alma
a segurança da tua misericórdia,
a tua doce misericórdia
inteiramente gratuita.
Senhor! Eu te agradeço, meu Pai,
porque foste a sombra fresca
que me cobriu durante todo este dia.
Eu te agradeço porque,
invisível, carinhoso e envolvente,
cuidaste de mim como uma mãe,
em todas essas horas.
Senhor! Ao redor de mim
tudo já é silêncio e calma.
Envia o anjo da paz a esta casa.
Relaxa meus nervos,
sossega o meu espírito,
solta as minhas tensões,
inunda meu ser de silêncio e de serenidade.
Vela por mim, Pai querido,
enquanto eu me entrego confiante ao sono,
como uma criança
que dorme feliz em teus braços.
Em teu Nome, Senhor, descansarei tranquilo.
Amém.
Gratidão - Namastê