terça-feira, 27 de março de 2012

Lucrécio: "o homem, uma abstração...."

Entrevista com Lucrécio

Enviado por Altair Massaro, ter, 29/03/2011 - 16:39
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 Manhã chuvosa de uma segunda feira de fevereiro. A redação estava muito abafada, não só pelo efeito do tempo como também pela expectativa da chegada do nosso entrevistado; tanto pela curiosidade como pela apreensão, já que sabíamos da sua aversão à entrevistas – dizia, como um filósofo francês, que dar entrevistas era nada mais que responder aos problemas dos outros. Todos estávamos ansiosos pela presença de Titus Lucretius Carus, conhecido entre nós simplesmente como Lucrécio. A entrevista fazia parte de uma agenda do filósofo e poeta Italiano – pelo menos todos acreditam que tenha nascido em Roma, coisa que jamais desmentiu – por conta do lançamento de seu livro no Brasil De Rerum Natura, traduzido para nossa língua pelo também poeta, filósofo e ensaísta português Agostinho da Silva com o titulo Sobre a Natureza das Coisas e publicado no volume V da coleção Os Pensadores da editora Abril. O trabalho é composto por seis livros e é considerado por muitos como a mais completa exposição do pensamento de Epicuro.
Lucrécio chegou aparentando muita tranquilidade, vestindo uma túnica bastante puída e amarelada, sugerindo que já fora branca um dia. Homem em torno dos 44 anos, possuindo uma barba e cabelos ondulados e bastante descuidados, próprio daqueles que pouco se fixam em ambientes domésticos e que tornam sua aparência mais envelhecida. Ao entrar foi logo cumprimentando todos muito cordialmente e pedindo algo para acalmar sua cede – água, para ser mais preciso; o que me fez expressar um leve sorriso entre os lábios, prontamente percebido pelo nosso entrevistado, afinal não pude evitar a imagem de Lucrécio pedindo uma bela taça de vinho, ou, o que me divertiu ainda mais, uma generosa dose da famosa poção do amor – invenção do religioso Jerônimo com intuito de difamar Lucrécio, dizendo, sobretudo, que enlouquecera depois da bebida e toda sua obra havia sido resultado dos períodos de lucidez entre as crises – pobre padre! Deve ter entendido muito pouco da obra; como pode tal beleza ter sido produzida em “períodos de lucidez”?
Redação: O senhor produziu uma obra que resgata a filosofia de Epicuro e que é propriamente uma concepção física da natureza. Entretanto, fica claro que a sua constituição não é epistemológica, mas altamente prática. O senhor poderia nos falar sobre o problema central da sua obra?
Lucrécio: De fato, você tem razão. Esta obra que escrevi – De Rerum Natura – tem um objetivo ético, prático. Não tem um objetivo físico. O meu problema é demonstrar que o homem vive com a alma perturbada e que esta perturbação da alma tem como causa os fantasmas de terceira espécie. Se não afastarmos estes fantasmas de terceira espécie, estes simulacros de terceira espécie nossa alma estará sempre perturbada. Ainda mais, estes fantasmas geram os criminosos religiosos, porque estes religiosos vivem sua vida em torno destes fantasmas e só se sustentam produzindo tristezas, ou, como diria um bom amigo, paixões tristes. Essas paixões tristes são produzidas por estes fantasmas. Tudo que eu quero neste livro é demonstrar que depois de mortos estaremos mortos.
R: O senhor afirma que a perturbação da alma dos homens se deve ao medo da morte. Como isso se daria?
LVeja, o homem, sob o domínio dos fantasmas de terceira espécie, criam dois falsos infinitos: a ilusão da capacidade infinita dos prazeres do corpo e a ilusão da duração infinita da alma. Ora, se a há prazeres infinitos, também há dores infinitas e se a alma dura eternamente então nós podemos ter dores eternas. Essa é toda condição do medo da morte. Essa é a ilusão gerada pelos fantasmas de terceira espécie.
R: O senhor fala de falsos infinitos e de verdadeiros infinitos. O que isso significa na sua filosofia e quais as implicações disso?
LBem, aqui entra a questão da física, de como funciona a natureza. Na minha obra vou afirmar que existe, e isso é decisivo, três infinitos verdadeiros: os átomos, o vazio e o conjunto de átomos e vazio. A soma dos átomos é infinita, justamente porque eles são elementos que não se totalizam. Mas essa soma não seria infinita se o vazio também não o fosse. O vazio e o cheio se entrelaçam e se distribuem de tal forma que a soma do vazio e dos átomos, por sua vez, é ela mesma infinita. O que eu estou dizendo aqui é muito grave, muda toda a concepção de verdade em relação à tradição. O que eu estou dizendo é que o verdadeiro e o falso são reais, são ontológicos. Veja por exemplo Aristóteles. Ele examina o real para buscar a verdade. É como funciona o pensamento em Aristóteles. Mas o real é penetrado pela falsidade e, às vezes, o pensamento se equivoca e toma o falso como verdadeiro. Ora Aristóteles então cria um método baseado numa lógica atributiva. Ele, então, atribui predicados aos sujeitos. Isso pode ser feito de duas maneiras: atribuir predicados essenciais e predicados acidentais. Ao dizer “Sócrates é animal racional, alto, magro e está sentado”, por exemplo, se diz que “animal racional” é a essência de Sócrates, mas “alto, magro e está sentado” são acidentes. Os acidentes são apreendidos pela experiência, mas a essência é produzida pela razão. Veja, eu insisto, é produzida pela razão. Então, a essência, na verdade, é a projeção do sujeito sobre o mundo. E observe que a ciência está interessada exatamente nestes atributos essenciais. O que eu estou dizendo é que o pensamento não projeta nada, ele entra no mundo; e diz o mundo exatamente como ele é. A lógica que proponho é conjugativa e não atributiva. Esta posição de atribuição leva Aristóteles a fundar a Doutrina das Categorias e é exatamente isso que aquele filósofo francês, Deluze, vai dizer que é fixo e sedentário. Olha que coisa interessante ele disse: a distribuição fixa e sedentária é a atribuição e a distribuição nômade é exatamente a conjugação, e essa distribuição atributiva é o que esse filósofo chama de bom senso. Seriam mesmo duas maneiras de pensar a realidade.
R: O senhor fala em sua obra sobre estes fantasmas de terceira espécie, os simulacros de terceira espécie. Qual a relação destes fantasmas com os átomos?
L: Vamos entender melhor como esta física é constituída. Estou afirmando, junto com Epicuro, que o que constitui os corpos são os átomos e o vazio, dois infinitos. Ora, quando os átomos se agregam, se juntam, eles formam os corpos. Veja a extensão disso. Os átomos são eternos, mas as junções dos átomos, os corpo, duram, ou seja, estão no tempo. Bergson, outro filósofo francês, viu bem isso na sua prática filosófica. Ele estuda o tempo exatamente dessa maneira; claro, dentro do seu próprio sistema, com seus próprios conceitos. Esses átomos que estamos falando não são como estes que a física passou a descrever muito recentemente. Eles não podem ser divididos, eles não podem ser reduzidos. Esses átomos modernos, na verdade, dentro deste pensamento, já são corpos, eles são constituído de partes. Além disso, o que é fundamental entender, os átomos não podem ser apreendidos pela sensibilidade. Só os corpos são sensíveis. A sensibilidade só apreende os corpos, não os átomos. Os átomos e o vazio são exatamente - você vai se surpreender aqui - o próprio Caos. É aquilo que o filósofo que citei a pouco, Bergson, chamaria de “virtual” e o Deleuze chama de “empírico transcendental” ou “Corpo sem Órgãos”, ou seja, a condição de genealogia do individuo, do real existente. Essa não é bem uma linguagem que eu estou habituado a usar, mas nesse mundo do tempo que não é linear, agente é capaz de cada coisa surpreendente. Esses três infinitos, portanto, átomos, vazio e conjunto dos átomos e vazio, só são apreendidos pelo pensamento, não pela sensibilidade.
Agora a questão. Os corpos, que são constituídos pelos átomos e pelo vazio, podem ser apreendidos pela sensibilidade. Esses corpos, os indivíduos no mundo, só são apreensíveis porque emitem átomos. Na verdade compostos de átomo. Você está entendendo? Os corpos emitem átomos e essas emissões são apreendidas pela sensibilidade. Claro, são compostos de átomos, já que os átomos em si não podem ser apreendidos. Você poderia me perguntar se esses corpos emitem átomos, como eles não se extinguem? A resposta é muito simples: todo corpo encontra-se em um meio e este meio imediatamente repõe os átomos que foram emitidos. Essas emissões de átomos eu chamo de Simulacros. Ainda há mais, os corpos emitem átomos de superfície e de profundidade. Há diferenças entre eles. Assim, estou falando de dois tipos de emissões: átomos de superfície e átomos de profundidade. Agora uma coisa terrível. Há ainda uma terceira espécie simulacro. Os corpos são, portanto, fontes destas emissões. Ora, quando essas emissões se afastam da sua fonte elas ganham uma certa autonomia, elas não são mais, digamos, dependentes de suas fontes. A essas emissões eu chamo de fantasmas de terceira espécie. Agora, estas emissões, esses simulacros de terceira espécie, os fantasmas, podem ser ainda de três maneiras: oníricos, teológicos e eróticos. Esses fantasmas não são criados por um sujeito, eles estão na natureza. Não são criados por algum tipo de ficção, são absolutamente reais. De novo em outra linguagem: eles são imanentes. Então, ao se distanciarem de suas fontes eles vão adquirindo isso que eu chamei de certa autonomia e também vão perdendo sua conformação. Quanto mais eles se distanciam de suas fontes, mais eles perdem sua conformação e aparece um fenômeno, a interpenetração destes fantasmas. Eles se interpenetram. E aqui está todo problema: estes fantasmas, esses simulacros de terceira espécies que se distanciam de suas fontes são a origem dos mitos. Todo tipo de imagem. Porque eles se misturam aparecem dragões de fogos, cavalos alados etc. Então, os fantasmas oníricos, teológicos e eróticos seriam os responsáveis por todas as superstições, por todo terror. A origem dos falsos infinitos. Estes falsos infinitos então, que são o poder do corpo para o infinito de prazer e o poder da alma para a infinita duração, têm origem exatamente nestes simulacros de terceira espécie. E é aqui que aparece o homem religioso, que atualmente ocupa as mais diversas formas, se aproveitando destes falsos infinitos, destes simulacros para gerar paixões tristes, produzindo a perturbação das almas dos homens. 
R: Perturbação da alma em que sentido?
L: Poço dizer que, por causa destes falsos infinitos, o homem tem sua alma totalmente perturbada, de tal maneira que o homem não teme a dor física.  O que mais o acomete é a perturbação de sua alma. Veja por exemplo o caso da peste em minha época e da AIDS agora. O terror da alma suplanta em muito a dor física. Veja então, que a experiência dos fantasmas de terceira espécie é absolutamente real e é isso que garante o enunciado do homem religioso. Aqui está então todo problema político: o medo da morte. Medo de morrer e de depois de mortos ainda estarmos vivos.
R: Você falava da questão do tempo, citando inclusive Bergson e Deleuze. Poderia nos dizer mais?
L: Eu dizia que há três tipos de emissões: simulacros de superfície, simulacros de profundidade e Fantasmas. Bem, os três tipos diferem em suas velocidades de emissões. Cada um deles possui uma velocidade diferente de emissão. Ora, se são três velocidades diferentes nós imediatamente temos tempos também distintos. Nós ai já saímos do tempo como uno. O tempo é então múltiplo. Isso justifica, inclusive, essa nossa entrevista, não é?
R: Entendendo que sua obra é altamente prática, tomando-se o prático como ético e o especulativo como epistemológico. Como evitar os fantasmas de terceira espécie e, por conseguinte, a perturbação da alma?
L: É bem simples. Toda a questão prática, toda a questão ética, é o prazer. O prazer se opõe a dor. Então, suprimir e evitar a dor. Agora, nossos prazeres têm obstáculos mais fortes que as próprias dores: os fantasmas, as superstições, os terrores, o medo de morrer, tudo o que forma a inquietação da alma. É a inquietação da alma que multiplica a dor. Se essas inquietações são produzidas pelos fantasmas de terceira espécie, que são as próprias ilusões, e essas ilusões são governadas pelos homens religiosos, para atingir o prazer teríamos que afastar esses simulacros. Mas os fantasmas de terceira espécie não são produzidos por um sujeito, eles são absolutamente reais e imanentes. Ora, não é possível afastá-los, eles sempre estarão presentes. Mas se o pensamento puder lidar com estes fantasmas, nós, inclusive, poderemos rir com eles, ter prazer com eles. Governar estes fantasmas, não deixar que o religioso o faça. Esta é toda questão ética, que também é estética e política. Essa é toda questão de pensadores como Espinosa, Nietzsche, Bergson, Deleuze, Foucault e tantos outros, assim como artistas como Artaud, Van Gogh, Kafka etc, ou seja, atingir o pensamento, atingir o virtual, a singularidade, o Corpo Sem Órgãos. Atingir o abstrato, aquilo que é pré-individual e apessoal.  Confrontar-se com o Caos, com as velocidades infinitas. A função do pensamento, então, é o confronto com o Caos.
R: Você fala em abstrato. A filosofia clássica também fala em abstrato. Qual a distinção?
L: Se tomarmos a posição clássica da filosofia veremos que há duas maneira de conhecer: conhecimento pela sensibilidade e conhecimento pelo intelecto. Pela sensibilidade podemos conhecer os corpos, os indivíduos no mundo – eu vejo, toco, ouço, sei que estou com fome etc. - e pelo intelecto podemos conhecer a espécie por abstração. Em Kant a primeira forma é a estética transcendental e a segunda a analítica transcendental. Então, uma coisa é este ou aquele homem – o individuo no mundo. Mas o intelecto não quer conhecer o individuo, e nem poderia, ele que conhecer “o homem”. “O homem” é uma abstração. O intelecto abstrai as semelhanças dos indivíduos e dá a espécie. Puramente Aristotélico, não é? Produção de conhecimento por abstração. Este é todo o procedimento dominante no ocidente. O que estou dizendo é absolutamente outra coisa. O abstrato não está no intelecto. O abstrato está no real. É o átomo. O abstrato é o átomo. Desta maneira o átomo jamais poderá ser apreendido pelo sensível, só o pode pelo pensamento. O que a sensibilidade apreende são os compostos. Quem apreende o átomo é o pensamento. Veja, a profundidade do que eu estou falando e que é, de muitas maneiras diferentes, retomado ao longo do tempo, é que o real não é só o concreto; existe também um real que é abstrato.

Texto de Altair Massaro, contando intensamente com os seguintes aliados: Áudios e transcrições das aulas de Cláudio Ulpiano e Luis Fuganti, além dos textos: Apêndice 2 de Lógica dos Sentidos de Gilles Deleuze e Sobre a Natureza das Coisas de Lucrécio.

Seremos mais fortes....


Mas nós ganharemos também se nos sentirmos mais alegres e mais fortes. 
Mais alegres, porque a realidade que se inventa sob nossos olhos dará a cada um de nós, sem cessar, certas satisfações que a arte fornece de tempos a tempos aos privilegiados da fortuna; ela nos descobrirá, para além da fixidez e da monotonia que nela apercebem de início nossos sentidos hipnotizados pela constância de nossas necessidades, a novidade sem cessar renascente, a movente originalidade das coisas.


Mas nós seremos sobretudo mais fortes, porque à grande obra de criação que está na origem e que prossegue sob nossos olhos nós nos sentiremos participantes, criadores de nós mesmos.


Nossa faculdade de agir, em se reapoderando, se intensificará.


Humilhados até aí em uma atitude de obediência, escravos de não sei quais necessidades naturais, nós nos redirigiremos, mestres associados a um maior Mestre. Tal será a conclusão de nosso estudo (...) Este pode ser uma preparação para bem viver (Bergson, 1993, p.116).


Bergson sobre a melancolia do pensador Lucrecio.



segunda-feira, 26 de março de 2012

domingo, 25 de março de 2012

Invasão de privacidade....

"Poderiam desnudar, nos mínimos detalhes tudo quanto houvesse feito, dito ou pensado, mas, o íntimo do coração, cujo funcionamento é um  mistério até para o próprio indivíduo, continuará inexplicável."


George Orwell


GRAÇAS A DEUS !!!!


SUA VIDA PRIVADA É SEGURA?


Acredito na democracia e passei grande parte de minha vida lutando por ela. Não apenas a democracia social mas também a democracia nas relações, respeitando as individualidades, aceitando as diferenças, tentando entender a vida e as pessoas.
Sempre acreditei que a Ética, o Respeito, o Direito, são metas as serem buscadas permanentemente.
A medida que a raça humana evolui em conhecimento, a luta pelo respeito, pela democracia se intensifica, uma vez que com o avanço da tecnologia, os meios de controle também evoluem e podem ser usados tanto para o bem quanto para o mal.
Podem ser usados sobretudo por aqueles que desejam controlar nossas vidas, dizer o que devemos fazer, o que deveríamos pensar, como deveríamos agir e assim por diante.
É como se tentassem "viver por nós", pois na opinião deles, não teríamos o direito de viver à nossa maneira.
Desde que a nossa vida não prejudique a vida de ninguém, do país, da sociedade, de qualquer pessoa enfim, temos o direito à individualidade que o Criador nos concedeu como benção suprema.
Mas como bom democrata, também aceito os pontos de vista contrários, para poder meditar sobre eles, embora aqueles que vivem a monitorar nossas vidas talvez não pensem assim.
No mundo existem dois tipos de pessoas, aquelas que criam, que fazem acontecer, que levam o mundo para a frente, tentam fazer um mundo melhor e também existem aquelas que vivem em função das outras pessoas, dependem do que elas fazem para poder sobreviver, para poder tornarem-se alguma coisa. De que tipo você é?


Sua privacidade é realmente sua?


George Orwell, em 1984, já falava do big brother. Hoje muita gente pensa que seria, entre outros, o Google, que armazena todas as informações sobre seu tráfego conhecendo sua personalidade pelos seus movimentos dentro da internet. Mas existem muitos outros sistemas que estão se popularizando e que é importante que sejam tornados públicos.
Entre eles o mspy é um dos sistemas mais populares, que qualquer um pode adquirir, para controlar pela internet e telefone, a vida e o movimento dos outros.
Acesse www.mspy.com,
de preferência com o google, pois aí  você já pode também traduzir se tiver alguma dificuldade no inglês, e veja tudo o que pode ser feito hoje em dia para controlar a vida alheia.
Já que a legalidade do uso desses sistemas seja discutível, acredito que divulgar essa informação é útil para todos aqueles que vivem éticamente, dentro da lei e não tenham nada a esconder.
Como dizia Voltaire: "posso não concordar com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las".


"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique, todo o resto é publicidade".  George Orwell (autor de 1984).



sexta-feira, 23 de março de 2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

Tempo e espaço no Eu profundo e outros Eus

Se escavarmos por baixo dessa superfície de contato com as coisas exteriores, penetraremos nas profundezas da consciência e chegaremos ao eu profundo, vivendo na pura duração:
"É, por sob estes cristais bem recortados e este congelamento superficial, uma continuidade que se escoa de maneira diferente de tudo o que já vi escoar-se. É uma sucessão de estados em que cada um anuncia aquele que o segue e contém o que o precedeu" (Bergson, 1903/1984, p. 16).
Da mesma maneira, mas indo à direção oposta, Bergson esclarece o processo pelo qual o eu profundo superficializa-se:
"Pouco a pouco, estes estados (profundos) transformam-se em objetos ou em coisas; não se separam apenas um do outro, mas também de nós. Então só os percepcionamos no meio homogêneo em que condensamos a sua imagem e através da palavra, que lhes empresta a sua banal coloração. Assim se forma um segundo eu que esconde o primeiro, num eu cuja existência tem momentos distintos, cujos estados se separam um dos outros e se exprimem sem dificuldade, por meio de palavras" (Bergson, 1889/1988, p. 96).

terça-feira, 20 de março de 2012

Afetos e afetados

Acredito que enquanto afetos não conhecidos, desbravados e compreendidos pela Luz da Consciência determinarem nossos caminhos, julgamentos, nosso livre arbitrio, já não seremos, nós mesmos, sujeitos, daquilo que eu chamaria de "afeto efeitor", mas sim, somente marionetes do destino interagido e ainda não inteligível para nossa compreensão.

Caminhar em direção a nós mesmos, coincidir conosco mesmo, talvez seja conseguir sermos livres das manipulações e controles dessa força externa, trazida à Luz da Consciência pelo processo dialético, dinâmico e fluídico do compreender, embora nunca pleno, mas em constante mutação e formatação.
Talvez a função do que nos afeta seja gerar uma energia consciencial de empuxo rumo a autocompreensão. A mesma "cenoura" para diversas percepções e ocasiões.

Acredito que o controle consciencial sempre é e sempre será nosso, e, embora nunca saibamos direito o que é isso, pois é um processo perene, à medida que tomamos conhecimento do peso, da influência e de nossa parcimonia com os efeitos desses afetos sobre nós, manteremos o "controle" ou a "sanidade" (dinâmica) do que acreditamos poder nos afetar. Conseguimos "seguir" sem precisar desse "piloto automático", dessa "sombra" a tentar roubar nosso "poder". Vamos crescendo em Consciência, em Luz, em Discernimento.

Creio que só nos afeta o que desconhecemos. O que conhecemos não nos espanta mais!!! Quando o efeito do afeto é trazido à Luz da Consciência, torna-se uma ferramenta no processo evolutivo para compreendermos o fio tênue do equilibrio dinâmico das experiências entre todos os seres e que, acredito, sirva, em última análise, para evoluirmos e nos compreendermos, através da equação matemática entre o que somos, onde estamos, para onde vamos e tudo o que poderíamos ser, além do mais importante, o "para quê".

Eu particularmente gosto de ser afetado na percepção de minhas limitações, adoro isso, pois provoca em mim, a força para buscar mais Luz, compreendendo os efeitos que os afetos provocam em minha Alma.


by Gildo.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Eu não só acredito, eu vivo o milagre do existir....

Nossa adorável Marina Colasanti

Eu sei, mas não devia....


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(1972)

domingo, 18 de março de 2012

O que nos determina?

poder do indivíduo de escolher suas próprias ações é um conceito comum de liberdade pessoal ou livre-arbítrio.
Disso decorre que toda ação do indivíduo é explicada por sua vontade, a qual não seria completamente determinada por eventos antecedentes. A vontade, tal como alguns dizem do espírito, não partilharia das relações de causa e efeito do mundo físico, material. Mas a noção de que a vontade é indeterminada — ou apenas parcialmente determinada — contraria o fundamento do determinismoNo campo do comportamento humano, a doutrina determinista preconiza que qualquer ação seria determinada ou causada por eventos antecedentes, quer sejam imediatos, como o contexto que circunda o indivíduo no momento de sua ação, quer sejam distantes, como os eventos que compõem sua história de vida.
 Acerca do embate liberdade-determinação, que permeia a arena do Direito Penal, o cientista cognitivista Steven Pinker (2004) coloca o seguinte problema: “Se alguém tenta explicar um ato como efeito de alguma causa, está dizendo que o ato não foi escolhido livremente, e que o agente não pode ser responsabilizado” (p. 249).

       do site: www.bulevoador.com.br

Amar, verbo intransitivo...

Entrelaçamentos energéticos sutís e transcendentes.

Somos mais que formas, mais que condições, mais que circunstancias.

Amamos por Amar.

Amor interesseiro não é Amor, é sobrevivência, é preenchimento nosso pelo outro.

Amor caminha magnéticamente no Amor equivalente, numa frequencia vribratória que transcende a própria experiência evolutiva, transcende contrastes, diferenças ou situações.

Embora precisemos do amor que nos preencha durante esse evento chamado vida, o Amor, subjacente, e embora as vezes oculto, em todos nós, vibra numa frequencia mais alta, onde o circunstancial é compreendido apenas como parte do caminhar e do compreender, de tudo e de nós mesmos.

Amar transcende o compreender. O sentir não se explica pelo que ele não é, ou seja, razão.

Como dependemos de signos, sinais, imagens e outros elementos para tentarmos compreender a nós mesmos, assim como ao nosso meio, tentamos também explicar nossa Essência através daquilo que não somos, ou seja, através do meio em que estamos inseridos.

Sou "isso" por causa "daquilo". Não ! Sou "isso", embora, apesar, do "aquilo". Sou apesar de estar.

Gosto muito da variação do verbo "to be", pois sempre estamos em algo, ou em alguma situação, e não percebemos que Somos Energia, a própria Essência, que não depende dos transitórios, Ou seja, estamos, mas inconscientes de que Somos.

Não me pergunte o quê Sou, pois também ainda não sei, e esse "saber" ironicamente também é transitório. Só sei o que não sou, por tudo aquilo onde, eventualmente estou. E, no balanço desses dois, ainda acabarei por me achar....

E o Ser, nossa Essência, é simplemente Amor Puro, incondicional, que interage magneticamente em todas as coisas, na proporção exata do tamanho da nossa consciência disso.

Nosso Amor constrói nosso universo, através da atração de partículas energéticas semelhantes que por encadeamentos sutis entre frequencias diversas, em polaridades diversas, acaba por criar nossos cotidianos, onde, nos divertimos, sofremos ou simplesmente "vamos levando" na proporção exata de nossa consciência equidistante entre os outros dois pólos desse triângulo composto de luz e trevas, consciencia ou inconsciencia, da função de cada evento nesse grande filme chamado Vida,
Somente podemos ser afetados pela quantificação e qualificação vribratória das coisas onde colocamos nossa consciencia.

Se permitirmos que aquilo que acreditamos poder nos afetar domine nossa consciencia, então seremos vítimas de nosso próprio bumerangue energético criado pelos fragmentos de pretenso conhecimento obtido naquilo que é circustancial, transitório, a ausência de nós mesmos, e portanto não confiável.

Somos Potenciais Energéticos Eternos, a criar, em cada situação "qualquer coisa nova", sem noção de valor, pois que este pertence ao momento existencial, cultural de cada ser, é tempo, não Força.

Viver por Viver, sem se deixar envolver por juizos de valor em qualquer situação é a única forma de sobrevivermos enquanto tentamos entender o que Somos através de tudo aquilo que não somos, através das experiências criadas por nós e pelo entorno, para buscar a essência do significado da palavra Afeto.


Somos afetados? Não! Somos, Sempre, o Afeto, oculto, mas contido, em meio a todos os afetos.

by Gildo.

Autoridade, de Freud, per si.....

Freud, em seu trabalho Leonardo da Vinci e uma lembrança da sua infância, diz:
"na maioria dos seres humanos, tanto hoje como nos tempos primitivos, a necessidade de se apoiar numa autoridade de qualquer espécie é tão imperativa que seu mundo desmorona se essa autoridade é ameaçada".

sábado, 17 de março de 2012

de Isami Tiba

"Debaixo de um ser folgado sempre tem um sufocado.
Mas não se engane, o sufocado é que constrói o folgado."

sexta-feira, 16 de março de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

domingo, 11 de março de 2012

O Novo em nós e que nos mantém vivos....

O Amor e a LoucuraPara sobrevivermos, nossa determinação precisa ser, sempre, inversamente proporcional ao tamanho dos pântanos de nossas frustrações.


Ansiar e enfrentar o novo e as novas faces de todo porvir pode preencher o absurdo de cada experiência vivenciada, já que, ao experimenta-la, ela perde, para nós, sua singularidade magnética, inerente a todo e qualquer evento desconhecido.


Quando pensamos conhecer algo... o novo subjacente a todas as coisas e que vive a brincar de oculto com nossa consciência, desafia nosso compreender e continuamos então a caminhar na eterna busca do que está por trás daquilo que achamos conhecer.


Acredito que podemos dizer, a tudo e a todos: o que és, não me interessa mais, somente o que você poderá vir a ser, pois no amanhã, aí sim seremos, juntos, sempre, uma nova experiência nessa coisa chamada futuro. Quando nos conhecermos, então, também, já seremos, ironicamente, passado.


Surpreender-mo-nos, sempre, talvez seja a única forma de nos sentirmos vivos em meio a tantas incompletudes, ilusões, fantasias e movimentos do óbvio, do trivial, do usual tão conhecido.


Podemos conhecer o sentido do existir pela sua falta, pois oscila, binariamente, entre esses dois, entre luz e trevas dentro de nós, aquilo que ousamos chamar de autoconsciência, talvez, somente uma sombra entre contrastes, entre tudo que É e tudo que poderia Ser, como imagens apaixonadas, entre espelhos que se descobrem.


by Gildo.

Relembrando Fragmentos de Hermann Hesse

Como todos los grandes espíritus

" Como todos los grandes espíritus, ha conocido y ha sentido perfectamente el problema, la desesperanza de la vida humana: la grandiosidad del momento y su miserable marchitarse, la imposibilidad de corresponder a una elevada sublimidad del sentimiento de otro modo que con la cárcel de lo cotidiano, la aspiración ardiente hacia el reino del espíritu (...), todo este terrible flotar en el vacío y en la incertidumbre, este estar condenado a lo efímero, a lo incompleto, a lo eternamente en ensayo, en suma, toda la falta de horizontes y de comprensión y la desesperación agobiante de la naturaleza humana. "

Consequências da crise na Grécia

Zeus vende o seu trono para uma multinacional coreana.

Medusa faz bico na ala dos ofídios em um zoológico local.

Narciso vende seus espelhos para pagar a sua dívida do cheque especial.

Aquiles vai tratar o seu calcanhar no SUS.

Eros e Pan abrem um prostíbulo.

Hércules suspende os seus 12 trabalhos por falta de pagamento.

Medusa transforma pessoas em pedra e vende na Cracolândia.

O Minotauro está puxando carroça para ganhar a vida.


Acrópole é vendida e em seu lugar é inaugurada uma Igreja Universal do Reino de Zeus.

Afrodite teve que montar uma banquinha de produtos afrodisíacos para pagar as contas.

Eurozona rejeita Medusa como negociadora grega: "ela tem minhocas na cabeça".

Sócrates inaugura Cicuta's Bar para tentar ganhar uns trocados.

Dioniso vende seus vinhos na beira da estrada de Marathónas.

Hermes está entregando o currículo para trabalhar nos correios. Especialidade: entrega rápida.

Caronte anuncia que a partir da próxima semana passará a aceitar o bilhete único.

Afrodite aceitou posar para a Playboy.

Sem dinheiro pra pagar os salários, Zeus libera as ninfas pra trabalharem na Eurozona.

Ilha de Lesbos abre resort hétero.

Para economizar energia, Diógenes apaga sua lanterna.


Oráculo de Delfos vaza números do orçamento e provoca pânico nas Bolsas.

Vênus de Milo promete dar uma mãozinha a desempregados.

Hades, deus da guerra, foi pego em flagrante desviando armamento para a milícia carioca.

Sócrates, Aristóteles e Platão negam envolvimento na rebelião da USP: 
 "Estamos na pindaíba, mas ainda não descemos a esse ponto"

A caverna de Platão está abrigando milhares de sem teto.

Descobri o porquê da crise: os economistas estão falando grego !!!


sexta-feira, 9 de março de 2012

Pra você que acha sua vida complicada....

Foi encontrado no bolso de um cadaver, quando se preparava para a autpsia, a seguinte carta:


Excelentssimo Senhor Delegado do Ministrio Publico:
Suicidei-me!... No culpe ninguem pela minha sorte. Deixei esta vida porque um dia a mais que vivesse acabaria por morrer louco.
Eu explico-lhe Senhor Doutor: Tive a desdita de me casar com uma viuva, a qual tinha uma filha; se soubesse isto jamais teria casado. Meu pai, para maior desgraca era viuvo e quis a fatalidade que ele se enamorasse e casasse com a filha da minha mulher.
Resultou da que a minha mulher se tornou sogra do meu pai. A minha enteada ficou a ser a minha mae e o meu pai ao mesmo tempo meu genro.
Apos algum tempo, a minha filha pos no mundo uma crianca que veio a ser meu irmao, porem neto da minha mulher que fiquei a ser avo do meu irmao. Com o decorrer do tempo, a minha mulher pos tambem no mundo um menino que como irmao da minha mae, era cunhado de meu pai e tio
do meu filho, passando a minha mulher a ser nora da propria filha.
Eu, Senhor Delegado, fiquei a ser pai da minha mae,tornando-me irmao dos meus filhos, a minha mulher ficou a ser minha avo ja que mae da
minha mãe, assim acabei sendo avo de mim mesmo.
Portanto, antes que a coisa se complicasse mais resolvi acabar com tudo de uma vez...

Busca do entendimento

"Há três espécies de cérebros:
uns entendem por si próprios,
os outros que discernem o que os primeiros entendem
e os terceiros que não entendem nem por si próprios nem pelos outros."


Maquiavel

Bergson e o tempo... não dá pra não ler....

http://www.scielo.br/pdf/icse/v8n15/a04v8n15.pdf

http://www.cei.unir.br/artigo12.html

Oni presentes....



O Presente nulo

Não é extraordinário pensar que dos três tempos em que dividimos o tempo - o passado, o presente e o futuro -, o mais difícil, o mais inapreensível, seja o presente? O presente é tão incompreensível como o ponto, pois, se o imaginarmos em extensão, não existe; temos que imaginar que o presente aparente viria a ser um pouco o passado e um pouco o futuro. Ou seja, sentimos a passagem do tempo. Quando me refiro à passagem do tempo, falo de uma coisa que todos nós sentimos. Se falo do presente, pelo contrário, estarei falando de uma entidade abstrata. O presente não é um dado imediato da consciência.

Sentimo-nos deslizar pelo tempo, isto é, podemos pensar que passamos do futuro para o passado, ou do passado para o futuro, mas não há um momento em que possamos dizer ao tempo: "Pare! És tão belo...!" -, como dizia Goethe. O presente não se detém. Não poderíamos imaginar um presente puro; seria nulo. O presente contém sempre uma partícula de passado e uma partícula de futuro. E parece que isso é necessário ao tempo.


Jorge Luís Borges
In: O Tempo

domingo, 4 de março de 2012

da Sutra Prajna Paramita Hrdaya

O VAZIO NÃO DIFERE DA FORMA,

A FORMA NÃO DIFERE DO VAZIO.

O QUE QUER QUE SEJA FORMA É VAZIO,

O QUE QUER QUE SEJA VAZIO É FORMA.

Todo amanhã também nos suporta....

"Não pensarei nisso agora, mas amanhã, em Tara. Então poderei suportá-lo...
Afinal amanhã é outro dia".

de Margareth Mitchell (E o vento levou)

Noites nos dias de sonos despertos....

"É durante a noite, quando não consigo dormir, que minhas idéias fluem melhor e mais abundantemente".

Wolfgang Amadeus Mozart

Bertrand Russell

"O GRAU DAS EMOÇÕES DE UMA PESSOA VARIA EM RAZÃO INVERSA AO CONHECIMENTO QUE ELA TEM DOS FATOS.
QUANTO MENOS VOCÊ CONHECER, TANTO MAIS ARDENTE FICARÁ".

Será que nos conhecemos?

Só me torno um indivíduo transparente, conhecível para você, quando eu lhe digo os meus sentimentos.

Minhas idéias, c onvicções, valores, persuasões não são realmente originais. Formei-os com leituras, assimilando tradições, escutando e imitando outras pessoas, pela inevitável osmose do contagio humano.

Meus sentimentos - positivos, negativos, neutros - são como minhas impressões digitais, a cor dos meus olhos e o som da minha voz. Ùnicos e irrepetíveis em qualquer outra pessoa.

Para conhecer-me você precisa conhecer meus sentimentos.

John Powell, no livro The Secret of Staying in Love (O segredo de continuar amando)
"A Vida é uma idéia solitária.
Uma condição solitária, na qual é tão difícil pensar, que nós geralmente não o fazemos.

E assim, nós conversamos uns com os outros, escrevemos uns para os outros... combatemos uns aos outros e chegamos até a destruir uns aos outros, isto sempre porque alguma coisa impediu que atravessássemos os muros e nos encontrássemos uns com os outros".

Tennessee William, do livro Gata em Teto de Zinco Quente.

E. Stern

"Algumas pessoas carregam o coração na cabeça.
Muitíssimas carregam a cabeça no coração.
A dificuldade é separá-las, ficando os dois juntos em plena atividade".

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Descobrir... Se

Somos Caminhos. Somos o Caminhar.
O instante é Destino, entre tantos, desatinos
De Eus a se levantar
O Ser sendo, não obstante a dor
De ausências contidas, em tantos presentes
Enganos preenchidos de buscas persistentes....

Em nós e no outro, no certo e no louco,
Tão muito, tão pouco, quem pode dizer?

Somos vastidões desconhecidas de universos a vivenciar
Respirar Vida, tornando-me algo que somente a seguir, saberei,
Mas não hoje, somente amanhã, depois dessa morte do hoje,
Onde Sou, mas também ainda não Sou.
Pois só parte, Eu Sou, no que estou contido... esse Tudo, sem sentido,
Que vive sempre escondido, a brincar com minha dor.

Buscar... quem sabe, encontrar, Senso, em todo ato, para oxigenar a Alma,
Deixar a angústia sepultar seu próprio transitório, o efêmero, o fugaz.
Tudo só serve se servir, para anestesiar o talvez Compreender
Que a gente sempre, sempre, acha que tem, ou que terá...

Como Partes, só nos resta viver, relativamente,
nesse Todo, de Absoluta Incompletude....

by Gildo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mario Quintana

"Se as coisas são inatingíveis... ora! não é motivo para não querê-las...
Que tristes caminhos se não fora a presença distante das estrelas!"

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Nunca podemos esquecer....

O lugar que ocupamos é menos importante do que aquele para o qual nos dirigimos.



Já se foi.....

Quando um amor termina há sempre um sentimento de perda, de vazio, de frustração, de dor. É importante sentir e viver a dor interior. Para superar é preciso aceitar o sofrimento sem desespero, sem julgamento e sobretudo sem racionalizações.

A nossa interioridade encontra soluções somente quando a mente está vazia de racionalizações, quando deixamos os sentimentos fluírem livremente, sem bloqueios e sem pré-julgamentos.

É necessário poder vivenciar e sentir os estados de ânimo assim como se apresentam mesmo quando parecem ser contrastantes. Perceber raiva e rancor, tristeza e dor, tomar acto”.

É necessário saber que para cada amor, ao acolhemos a dor que provoca o abandono, nos deixa mais preparados a próximos encontros e a novos enamoramentos. O bom amor não é o que dura muito, mas o que nos faz viver intensamente: eros magia e desejo.

À nossa interioridade só se interessa pela intensidade da paixão que nos atravessou. É a paixão que nos faz sofrer e não o outro e não se encontra um novo amor enquanto a mente está repleta de lembranças passadas e muito identificada em quem já não está aí.

A nossa interioridade deseja “amar” e nada mais.

É importante compreender que quem perdemos é parte do mundo e se foi, mas a nossa capacidade de amar está intacta e reforçada para Amar.

A capacidade para amar é parte do nosso ser e sendo assim o “Amor” certamente entrará novamente na nossa vida.
"O que não tem remédio, remediado está". Ao aceitar os factos, saberá se relacionar melhor. Sobretudo porque o amor torna inteligente. Inspirou grandes poetas como Camões "... contentamento descontente" e Dante "… move o sol e as estrelas"...

Fonte: http://www.psico-online.net

Vou Vencer....

Existe sempre alguma coisa ausente.
Acho que a gente tem que vencer. Ou lutar. E ficar bem. Feliz. Criar. Fazer. Se mexer.

Vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas.


eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você.


Um café e um amor. Quentes, por favor.


Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. (...) É aceitar doer inteiro até florir de novo.


Não era possível evitar por mais tempo uma onda que crescia, barrando todos os outros gestos e todos os outros pensamentos.


A verdade é que ainda hesito em dar um nome àquilo que ficou, depois de tudo. Porque alguma coisa ficou.


Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol.


Sinto uma falta absurda de você. Ficou um vazio que ninguém preenche. E penso e repenso e trepenso em você aí… Tá tudo bem assim.
 
Caio F. Abreu