domingo, 14 de julho de 2013

Química das Emoções


A QUÍMICA PERFEITA DAS EMOÇÕES

Como os neurônios transformam uma situação positiva em sensação agradável.

Acreditar que a felicidade depende unicamente da perfeita harmonia do sistema neurológico humano seria tão equivocado quanto deixar de incluir o corpo e a mente saudáveis no conjunto de fatores responsáveis por esse estado de espírito. Todas as atividades humanas, da respiração à alimentação, da dor ao prazer, passando pela aquisição da memória, precisam ser decodificadas em diferentes partes do cérebro para que se tenha consciência delas. O transporte das informações adquiridas durante a existência é feito pelas sinapses – as conexões entre os cerca de 100 bilhões de neurônios que compõem o sistema nervoso.

Essas ligações – cerca de 10 mil por segundo – ocorrem por meio de um processo químico, pelo qual diferentes neurotransmissores – substâncias produzidas nos próprios neurônios – se encarregam de transmitir as mensagens recebidas, externa ou internamente, até a região capaz de reconhecê-las. "Como a felicidade é um sentimento complexo, difícil até mesmo de ser definido, é possível que envolva várias áreas cerebrais. No entanto, o sistema límbico, conhecido como o centro das emoções, provavelmente está mais intimamente relacionado com ela", explica o neurologista Mauro Muszkat, da Universidade Federal de São Paulo. 

Localizada na região central do cérebro, essa região é formada por quatro estruturas: amígdala, hipocampo, giro cingulado e fórnix. Todas se interligam, e embora não se possa atribuir a cada uma funções exclusivas, elas contribuem em maior ou menor escala para a formação de determinadas emoções. A mais relacionada à felicidade é a amígdala, envolvida com sentimentos elaborados, como amor, amizade, humor, medo e agressividade. O conjunto dessas estruturas, denominado sistema límbico, é a estação intermediária entre a região cerebral onde as emoções são recebidas, e o local onde elas são decodificadas. "No caso da felicidade, quem faz essa ponte é, sobretudo, a dopamina, responsável pela alegria e pelos sentimentos positivos", explica o neurologista Ademir Baptista Silva, também da Universidade Federal de São Paulo. De acordo com ele, é no sistema límbico que estão disponíveis o maior número de receptores da dopamina, capazes de reconhecer essas sensações e enviá-las para o córtex cerebral, que faz com que o indivíduo tome consciência delas. Também chamado de massa cinzenta, o córtex é a camada mais superficial do cérebro, que recebe todo tipo de estímulo sensorial, dos motores aos psíquicos, e os envia para as regiões onde são transformadas em respostas adequadas, como movimentos ou reações emocionais.

Texto e imagem: Revista Galileu
De Neurociências em benefício da educação.

Clique sobre a imagem para ampliar

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Convicções....



"As convicções são cárceres. Mais inimigas da verdade do que as próprias mentiras."

Friedrich Nietzsche


(compartilhado de Patricia Melo, do FB)

Osho

Foto: "Nenhuma pessoa inteligente está interessada em dominar os outros.
Uma pessoa inteligente está interessada em conhecer a si mesma."

Osho

"Nenhuma pessoa inteligente está interessada em dominar os outros.
Uma pessoa inteligente está interessada em conhecer a si mesma."

Osho

As angústias da (des) esperança


'Eu sou o limite de minhas ilusões perdidas", escreveu o filósofo francês Gaston Bachelard. E é nessa tensa relação entre angústia, desespero e esperança que transcorre a nossa existência


Por Josè Fernandes Pires Júnior*


“Deserto e vazio. Deserto e vazio. E as trevas à beira do abismo.” Eis a voz do poeta a T. S. Eliot. Há neste verso solene a sombra de um desespero presente – este que ataca não como um estresse quotidiano, mas que encurrala o homem como um animal indefeso frente ao seu poder avassalador. Não será preciso perceber isso nas doutrinas ou nos apontamentos da Filosofia e Psicologia. Basta-nos folhear as páginas do jornal diário, das revistas semanais e assistir aos programas televisivos com suas fórmulas mágicas para aplacar as angústias do ser humano.
O homem não quer mais aceitar sua condição existencial, por isso busca todos os tipos de terapia que ofereça a negação de sua condição temporal. Os métodos mais diversificados estão sendo empreendidos para retardar o envelhecimento, as academias estão lotadas, o consumo desenfreado cresce tresloucadamente, pois a ditadura do “vestir- se bem” determina que as pessoas se rendam à nova coleção do momento. Ser celebridade, seja em que patamar, e ter fama são outros dois vilões que encantam o homem moderno. Isso é apenas um quadro simplório do que vem acontecendo nesses a tempos de liquidez, bem definidos por Zygmunt Bauman.

T. S. Eliot 
o poeta e dramaturgo thomas stearns eliot, o t.s. eliot (1888-1965), embora nascido nos eua, sentia-se pertencente a uma tradição cultural europeia. vencedor do Prêmio nobel de literatura em 1948, t.s. eliot escreveu livros como Poemas e A terra devastada.
JOHN MILTON: ESPERANÇA NA ESCURIDÃO

Sem dúvida, esses encantos conseguem seduzir até mesmo os grandes homens. O poeta John Milton contava com 23 anos de idade quando, tomado de indignação, lamenta-se e angustia-se por não ter alcançado o seu ideal de grandeza e notoriedade, veja isso nestes versos que escreveu quando tinha essa idade: 

“O tempo, que é ladrão defraudador, Levou voando meus vinte e três anos. Vão-se meus dias em ritmos insanos, E a primavera acaba e não há flor”

Devo acrescentar – para que o amigo leitor não pense que o poeta inglês foi durante todo o curso de sua existência um presunçoso arrogante – um detalhe digno de nota: Milton sagrou-se, pari passu com a John Donne, o maior poeta que a Inglaterra já viu. Seu poema Paraíso Perdido foi ditado, quando já estava totalmente cego. Sobre seu estado, escreveu certa vez:

Quando penso que a luz está apagada Neste meu mundo vasto e tenebroso, E meu talento, único e precioso, Jaz inútil, mas a alma está inclinada A servir seu Criador sem deixar nada (...)

No meio dos anseios e da vontade do querer- -ser, há as angústias da não realização de nossos projetos. E quando eles falham nasce o desespero. A falta de esperança. Quando percebemos que não há como evitar o envelhecimento, que o consumo não pode efetivamente nos trazer a satisfação essencial de que necessitamos, que a fama pode ser provisória... o homem contempla as trevas à beira do abismo. A angústia toma conta de seu ser frágil e o remete ao desespero. Desespera-se o homem moderno quando percebe que é um nada e, por isso, não pode ser imortal.

Tempos de liquidez 
o termo “tempos de liquidez” refere-se à noção de “modernidade líquida” ou “tempos líquidos”, metáfora utilizada pelo sociólogo e filósofo polonês Zygmunt bauman nos livros Modernidade líquida, Amor Líquido, Vida Líquida, Medo Líquido etc.
KIERKEGAARD: O SALTO DE FÉ

É a Sören Kierkegaard que vai dissecar o indivíduo tomado por predileções a que a vida moderna o apresenta. Mas, uma advertência! Se você é um otimista incondicional, uma Poliana convicta, então é melhor não ler o dinamarquês. Não obstante, aqui e acolá é possível encontrar um lampejo de otimismo ou um ponto luminoso em meio à penumbra, à moda dos quadros de a Rembrandt: uma nesga de luz irradia timidamente de uma escuridão pesada. Conforme Kierkegaard, a fé seria esse foco de luz na densa escuridão. Para ele, angústia e desespero convivem juntos no âmago do ser humano; entretanto, a fé pode ser um antídoto para a cura dessa doença mortal que é o desespero, como ele mesmo define. É preciso que se diga que a fé aqui não é qualquer uma. Virginia Stem Owens diz que “ninguém que saiba de onde virá sua próxima refeição ou onde irá dormir hoje à noite deveria ter o direito de dizer que tem fé. Fé é uma palavra que deveríamos ter medo de pronunciar, para evitar que ela nos seja definida de maneira que não imaginamos. Kierkegaard iria mais longe. Você não deveria falar de fé, diria ele, a menos que estivesse preparado para erguer, como Abraão, a faca sobre o corpo do seu filho.” O paradoxo, aqui, é que em meio a toda falta de esperança, a fé pode nascer no indivíduo e fazer com que ele se jogue nos braços Daquele que pode ser o sentido de tudo. Kierkegaard denomina isso de salto de fé.

Tempos de liquidez 
o termo “tempos de liquidez” refere-se à noção de “modernidade líquida” ou “tempos líquidos”, metáfora utilizada pelo sociólogo e filósofo polonês Zygmunt bauman nos livros Modernidade líquida, Amor Líquido, Vida Líquida, Medo Líquido etc.
JOHN DONNE: POR QUEM OS SINOS DOBRAM?As grandes preocupações do ser humano nos dias de hoje são o desejo e a vontade de querer ter. Aliás, é Gabriel Marcel que fala sobre a vontade do ter em detrimento da do ser. Em tempos de modernidade líquida – para usar uma expressão baumaniana – o ter predomina sobre o ser. O imediatismo, o desejo de estar em evidência angustiam o ser humano, uma vez que vive na esperança de que a sorte mude seu destino e de que a fortuna bata à sua porta. Viver assim não é uma escravidão? Contrário a toda essa via negativa de aceitação da finitude, coloco como paradigma o nome do poeta John Donne. Paradigma não é uma palavra que se apresenta aqui por acaso, ela tem toda uma razão de aqui estar, pois J. Donne, ou seja, sua vida encarna toda a via positiva da aceitação de forma cabal. Esperança é uma palavra mística, que calha bem quando aplicada a J. Donne. Mas antes de falar sobre o poeta inglês, faço uma pequena digressão para contextualizar melhor: quando disseram a Mark Twain que o mundo estava chegando ao fim, ele teria respondido: – “Ótimo! Podemos viver sem ele”. John Donne poderia ter dito como Twain sobre esse mundo; no entanto, o poeta inglês conviveu com suas desgraças triunfantemente.
John Donne 
John donne (1572-1631) foi um poeta e pastor anglicano nascido em londres. além da densa obra poética, produziu ensaios críticos. a poesia de donne influenciou alguns autores do romantismo.
Sob os ares da Londres elisabetana, viveu J. Donne. W. Shakespeare, seu contemporâneo, já havia alcançado notoriedade invejável. A peste negra assolava e vitimava os londrinos, desafiando a medicina da época. Seu rastro epidêmico de morte vitimou 40 mil pessoas. Nas ruas de Londres, a peste bubônica foi pretexto para profetas desatinados anunciarem o apocalipse. Donne não escapou. Também adoecera. Os médicos diagnosticaram sua enfermidade, erradamente, como peste; no entanto, sua doença foi uma febre com erupções cutâneas similares ao tifo. Fora posto em quarentena por causa disso. Por seis semanas esteve no limiar da morte. É aí, por meio de seu suplício, que nasce Devoções (Devotions), obra que o coloca, como já dissemos, ao lado de John Milton, como o maior poeta da Inglaterra.
Meditação 17, sobre o significado dos sinos da igreja, é passagem mais famosa de Devoções e, também, uma das mais cultuadas da literatura inglesa. A inspiração dos versos desta Meditação veio quando Donne ouvia da janela de seu quarto o toque dos sinos. Era o anúncio de que um vizinho seu havia morrido de peste bubônica. Essa percepção o levou a compreender que aquilo era um duro lembrete da finitude humana. Eis um trecho da celebrada passagem:

“Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. (...)

A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido; por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”

Esta velha angústia

Esta angústia que trago a séculos em mim.
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelos sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum,
Transbordou,
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este pode ser que...


Fernando Pessoa


Foto: 'Eu não tenho paredes.
Só tenho horizontes.'

Mario Quintana

"Eu não tenho paredes... eu só tenho horizontes" - Quintana


Olhares contidos....

Foto: Amor entre Almas !!!!

Pessoa

Foto


"O que me mata é o cotidiano....
Eu só queria exceções" !!!!!

"Bancando" a Liberdade.....


Gosto muito da visão de Sartre quando afirma que "ou a liberdade é absoluta ou não existe. O homem só não é livre para não ser livre", daí, o "risco" de transcender, conscientemente, superfícies, é inevitável, ou como ele mesmo diz: "estamos condenados a liberdade", embora nem sempre conscientes disso.

Em uma passagem do livro A Náusea, de Sartre, o personagem Roquentin afirma: "agora vejo, lembro-me melhor do que senti outro dia, junto ao mar, quando segurava aquela pedra, tenho certeza, passava de pedra em pedra para as  minhas mãos. Sim, é exatamente isso, "um a espécie de náusea nas mãos".

Essa náusea angustiante da consciente condenação à Liberdade é o preço a ser pago por aqueles que cristalizam suas opções e escolhas como exercício da afirmação de sua própria Individualidade e parafraseando Nietzsche, através de nossas próprias "Potencias de Vontade". Não há escolha a não ser "bancar" a Consciência de ousarmos Ser nós mesmos.

Em última instância, creio também que todos não somos uma "Necessidade", mas, uma "Possibilidade" a ser descortinada em processos próprios da Afirmação, tornada consciente pela dialética de nossas próprias cotidianas contradições.

Gildo Fonseca


Suportes....

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Suportabilidade é amplitude de espectro de nossa transitória percepção pela matéria.

Mas... não somos matéria. Estamos matéria. Somos Vibração, portanto, a dor ou prazer, o sofrimento ou alegria, perdas ou ganhos, pertencem ao Caminho, esse Espelho onde nos enxergamos.

Somos a perene e eterna recomposição de miríades de formas e pensamentos, cores, luzes, relações....

Somos Luz, somos Potência vibratória criativa em permanente ação por impermanentes sensações.

Por isso, para nós, só existe o que acreditamos, só existe o que sentimos, só existe o que Somos.

E Somos Escolhas. Podemos escolher. Escolhemos e decidimos que as crenças culturais da pretensa dor não encontram guarida em nós.

Decidimos, escolhemos e criamos o que acreditamos ser o melhor para nós, a alegria, a saúde, o amor, o prazer e tudo aquilo que faz a Vida ser mais Leve, porque somos senhores de nossas vidas e de tudo o que nela está contido.

Ao respirar, recebemos a herança do Poder da Criação. Tudo está em nosso Mundo. Tudo É, em nossa peregrina Consciência.

Nada, absolutamente nada, é mais forte que o nosso poder de escolher. Estamos acima de quaisquer circunstâncias.

Escolhemos o que podemos suportar, pois somos, nosso próprio, único e eterno Suporte, uma Graça da própria Criação.

Cristo tinha razão quando ensinava a nós todos: "Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida".

Que possamos suportar nossas facetas espelhadas nos contrastes de tantos mosaicos desafiadores, que formam esse Caminho onde tentamos encontrar a Nós Mesmos.

Gildo Fonseca.


Simone.... de infinita Liberdade !!!!

Foto: by Jeanne Argent

"Eu sou incapaz de conceber o Infinito e ainda assim,
eu não aceito Finitudes...."

Simone de Beauvoir

Seja ímpar para formar pares.....

Foto: "Que nada nos limite,
Que nada nos defina,
Que nada nos sujeite,
Que a liberdade seja 
a nossa própria substância."

"Só os verdadeiramente ímpares podem formar pares".

terça-feira, 9 de julho de 2013

segunda-feira, 1 de julho de 2013

SedAtivos.....

SedAtivos ou.... AO VENCEDOR.... AS BATATAS !!!!

Começou a época da colheita. Depois de brotar, por todo o Brasil, a insatisfação popular, costumazes pelegos e políticos, tomados de surpresa pela força e espontaneidade do povo, buscam agora "capitalizar", digerir e se aproveitar da situação.
"Líderes" sindicais correm e preparam agora, grandes "manifestações" pelo país afora, políticos tomam "decisões" populistas e aprovam, em caráter de urgência, projetos de lei engavetados por eles mesmos durante muitos anos. Ninguém quer cantar "lá se vão meus anéis..."
Realmente... o Brasil é um país surreal, deve derivar daí até o nome da nossa moeda. O cabresto, o curral e alguns "cachorros" (que me perdoe a nobre raça canina), à semelhança de alguns pastos de ovelhas da Escócia e Irlanda, também são usados por aqui por aqueles que detém o controle do poder econômico, do poder político e das mídias, para "confinar" essas novas ovelhas rebeldes dentro dos procustos institucionais, oportunistas e interesseiros onde se preparam novamente para se candidatar, e pior, paradoxalmente, se elegerem pelo voto desses mesmos revoltosos.
A "canalização", o comando e o controle do descontentamento popular será agora prioridade pois é melhor "dar alguns brioches" do que perder a cabeça nessa nova Bastilha.
Podem aguardar, daqui em diante, medidas populistas pelos mesmos de sempre e o "trabalho", sempre eficiente, de sindicalistas e "líderes" sociais que se prestam ao trabalho de conduzir as massas para os velhos interesses dos governantes, impedindo, a criação de alternativas de novas estruturas de poder, longe do tradicional e carcomido, triunvirato de "legislativo, executivo e judiciário", já que, nenhum dos três tem demonstrado, em grande parte, Servir, aos interesses do Brasil e de seu Povo. O gigante acordou.... mas o pesadelo continua !!!!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Lacan

Quem busca a "verdade" corre o risco de encontrá-la....

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"Quem busca a Verdade corre o risco de encontrá-La".

Isso me faz refletir sobre o canto dessa sereia, pretensiosa, sedutora, arrogante, sádica, embriagadora, travestida de pretensa lucidez, com véus de consciência, inebriando-nos com pretensas flutuantes verdades, levando-nos à loucura do acreditar que podemos ter certezas baseadas em tantas impermanências. "Eu", "Gildo", permaneço em "meu" fluir... Somente o inesperado pode dar Luz à Vida, fazê-la respirar, surpreenda-me, permitindo assim espasmos de existir....

Gildo Fonseca.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O Universo é uma Harmonia dos Contrários. Pitágoras



Todo o sistema binário, eu e o outro, dentro e fora, luz e sombras, todas as matizes que estão contidas no flexível e amplo espectro de todos os contrários, são espelhos, onde percebemos nossas faces e antefaces frente a cada experiência em que a vida se nos manifesta e nos informa assim, que estamos, naquele instante de Percepção, Vivos !!!

Nossa Identidade é a Energia que, movendo o pêndulo que somos e em que estamos, cria o Caminho para conhecermos a nós mesmos através desse mosaico de contrastes onde fluímos pelo Movimento na Dança do Existir, no compasso da Vontade, nos gritos da Alma.

Gildo Fonseca



terça-feira, 18 de junho de 2013

TUDO É VIDA... COM INTENSIDADE !!!!!

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Alguns amigos tem me cobrado um posicionamento quanto às recentes manifestações então, a pedidos, rsrsrs, aqui vai:

Os atuais confrontos tem cinco componentes:

1. A extrema esquerda que acredita que pode haver uma revolução popular a partir da insatisfação da população com a situação social, econômica e política.

2. A extrema direita que infiltrada nos movimentos reivindicatórios de alguns grupos, aproveita a situação para radicalizar e gerar violência nos confrontos. A imagem de um possível skinhead mascarado jogando um foguete contra a polícia e divulgado pelas imagens da imprensa é fato inegável disso.

3. O oportunismo de algumas lideranças de movimentos estudantis e populares que no fundo estão interessados apenas em se elegerem nas próximas eleições.

4. A população, através das pessoas que passam nos locais durante as manifestações e acabam se envolvendo emocionalmente e como uma catarse de inúmeras situações de desconforto econômico aliado a frustrações represadas, desanuviam todas as mágoas da vida não ser como elas querem extravasando sua ira, revolta e indignação no movimento.

5. Os burocratas que estão nas diversas instâncias do poder, preocupados somente com a conservação do seu poder político, tentando contornar a situação e não sairem com a imagem arranhada da situação.

Do embate e do jogo entre essas forças é que se dá o panorama das atuais manifestações. Cada pessoa, dependendo de em qual grupo esteja no momento sintonizado vai defender apaixonadamente uma posição e tentar usá-la para justificar seu posicionamento nessa frente de combate.

Mas ficam algumas perguntas:

- carregar vinagre numa bolsa para não ser obrigado a sofrer com gás lacrimogêneo é crime? Onde podemos encontrar isso na constituição?
- a prisão imediata de 230 pessoas e o envio de 4 delas imediatamente para o presídio de Tremembé no interior do estado de SP, quando, essa mesma rapidez não é usada para a prisão de assaltantes que atacam a população, é correta?

As manifestações, orquestradas em todo o país, pela extrema esquerda e pela extrema direita e com a participação apaixonada da população envolvida e junto com a falta de sensibilidade e percepção dos governantes pode levar, sem dúvida, como um rastilho de pólvora, a um incêndio definitivo das instituições democráticas já tão carcomidas pela podridão interesseira de políticos corruptos, individualistas e insensíveis às necessidades básicas e imediatas do nosso povo.

É claro que existem várias outras nuances e elementos a serem analisadas, mas precisaríamos de muito espaço para a discussão.

Nesse quadro, cada um vai encontrar a válvula de escape para um posicionamento, um meio para desanuviar de suas paixões reprimidas e para a catarse de seus específicos desafios materiais e psicológicos. Como dizia Nietzsche "quem tem um porquê aceita quase qualquer como". O importante é viver intensamente.


Gildo Fonseca


Catarse de um povo

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Catarse (do grego Κάθαρσις "kátharsis") é uma palavra utilizada em diversos contextos, como a tragédia, a medicina ou a psicanálise, que significa "purificação", "evacuação" ou "purgação". Segundo Aristóteles a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama.
Segundo o filósofo, para suscitar a catarse era preciso que 'o herói recolhesse frutos do pátio da escola'e levasse para casa a fim de comer junto com os outros heróis. 
Sob a ótica da psicologia, catarse é o experimentar da liberdade em relação a alguma situação opressora, tanto as psicológicas quanto as cotidianas, através de uma resolução que se apresente de forma eficaz o suficiente para que tal ocorra.
Por ser um conceito relativo, é difícil estabelecer uma média de frequência de processos catárticos. Por exemplo, há relatos de pessoas que, após andarem sobre brasas afirmam ter experimentado uma liberdade e confiança em termos catárticos. Entretanto, após algum tempo, quando todos os processos hormonais envolvidos nessa sensação se normalizam, estas pessoas se vêem diante da mesma situação anterior à tal experiência.
Para que uma pessoa experimente catarse em relação a um conflito é necessário que uma oportunidade de resolução apresente-se, a "disponibilidade" da pessoa em aceitar tal resolução esteja compatível com a possibilidade de tal resolução se transformar em catarse, a qualidade de tal resolução ser suficiente diante da opressão que a pessoa sente, e outros fatores pessoais, culturais e ambientais (ou seja, se é possível, dentro da realidade que circunda a vida da pessoa, de se manter a resolução).
(o texto acima foi extraído da wikipedia)
Nessa grande catarse coletiva que o Brasil passa hoje cabe pensar, estamos preparados para entender o conjunto de fatores que afeta a todos e a cada um de nós individualmente?
temos uma alternativa segura para preencher o vazio de uma eventual purgação dessa praga chamada corrupção, egoísmo e insensibilidade social que conduz o país através de seus governantes?
depois da repetição de tantas experiências, ao longo de décadas, em que só mudam os personagens políticos enquanto o caráter, que deveria ser o eixo político de todo governante, é deixado de lado, em função de interesses pessoais ou, na melhor das hipóteses, é negociado com pretensos aliados que só querem resolver seus problemas pessoais, quem ou o quê, vamos colocar no lugar como alternativa?
A dura verdade é que manifesta-se a catarse de um povo onde é purgada a náusea do desamparo social, uma revolta contida e que agora explode pela falta de um horizonte ético, amoroso e fraterno, naufragado em negociatas de bastidores onde o respeito pelos direitos do semelhante é simplesmente massacrado.
O grande desafio é, quando se faz uma catarse e a purgação é bem feita, fica um vazio no lugar.
Existem alternativas para realizar o sonho de um povo?
ou mais uma vez, como tantas repetidas vezes, sucede-se a ascensão de oportunistas de plantão, que, canalizando o descontentamento popular, assumem o papel de heróis de um povo, para depois, tornarem-se carrascos das expectativas das quais tornaram-se fiéis depositários?
a mobilização e busca de alternativas de um povo em desespero é utilizada pela hábil manipulação dos destinos, das sensações e dos interesses de cada um, pelas mídias que, associadas ao poder econômico, reconduz, com o passar do tempo e pela alternância dos personagens desse baile de máscaras chamado política, seus parceiros na função de oprimir, fazendo assim, autofagicamente para eles, o povo dar mais um passo rumo a autoconsciência e seu papel social, crescendo individual e coletivamente na incorporação de sua própria Liberdade. Esse processo de crescimento é dialético, entre a opressão e o oprimido.

Vivemos uma grande selva, onde a única coisa que nos une, é a volátil tentativa de superarmos tantos desamparos individuais tornados coletivos (sic), pela soma de desesperos pessoais contra as opressões, paulatinamente conscientes, que nos provocam, nos desafios cotidianos, a fugaz esperança de que o único caminho é entender cada "inimigo" exterior como mais um degrau do descobrimento de nossas forças interiores.


Na superação de tantas opressões que, como "cercas exteriores", nos desafiam a descobrir nossas forças e nesse atrito, geram Luz, conseguiremos, mesmo que parcamente, visualizar a nós mesmos, em nossa trágica e desafiadora circunstância do existir, rumo a quem Somos.
De tudo sempre ficará uma certeza, seremos gratos a tudo aquilo que nos desafia pois é semente de descobertas de tudo o que podemos, dentro e fora de nós, individual ou coletivamente.

O tempo é de emoção, de um fogo que consome, mas, parafraseando Jorge Luis Borges, "nós somos o Fogo".



Gildo Fonseca




sexta-feira, 7 de junho de 2013

Diferenças

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A ótica do processo evolutivo é individual. Então sempre veremos as experiências nossas e dos outros pelo grau de nossa pretensa maturidade evolutiva. Isso implica então em percebermos e aceitarmos que muitos ainda precisam passar por experiências de dor, sofrimento e frustração que farão com que eles também, assim como nós, subam degraus que lhes permitam uma maior Lucidez. É triste ver pessoas trilharem caminhos que, conhecemos, por experiência, como insanos. Sabemos, por experiência, que vai "doer", mas eles precisam, assim como todos nós vivenciamos algum dia, o passar por isso, precisam da dor e do sofrimento para desenvolverem um alto grau de tolerância à frustrações que virá somente com o tempo, depois de sofrerem muitos desenganos tanto na experiência individual como na coletiva. A Inteligência é uma ferramenta poderosa que pode ser utilizada pela Virtude ou pela Canalhice, a depender das necessidades, também evolutivas, de cada um de seus manipuladores. A responsabilidade ética pelos menos afortunados quanto à Percepção da Vida, pertence somente à Consciência dos Lúcidos. Se essa "inteligência" é usada para o bem ou para o mal faz parte do jogo do existir que vai fazer com que aqueles que não entendem porque são oprimidos venham a entender, infelizmente pela dor, frustração e "murro em ponta de faca", que a construção da escada de suas próprias consciências dependerá sempre e muito da sua tentativa de entender o porque de suas próprias experiências. Quando entendemos a razão de qualquer sofrimento ele se dissolve pelos raios luminosos da nossa Consciência por trânsito permanente em tantas impermanências. Quem "acredita" saber mais, com certeza sofre mais, pois compreende a dificuldade consciencial de todos aqueles que tateiam dolorosamente em busca do despertar. Me fascina apreciar os contrastes entre os diferentes tipos de pessoas, me fazem compreender as singularidades e suas características, independentemente do momento em nosso estágio da Caminhada Evolutiva. Interessante também ver como muitos gostam e precisam de "santos", "líderes", "seres" e "coisas" que lhes sejam "âncoras" para sua próprias e momentâneas convicções. e essa é uma "brecha" por onde manipuladores coletivos de consciências, exercem sua maléfica atuação. Cabe, na minha humilde opinião, a todos nós, assistirmos esse filme, onde ora somos protagonistas, ora somos coadjuvantes, para ver no que vai dar, oprimidos sem consciência de sua opressão e  opressores sem consciência do Amor. É certo que, muitos, como eu, podem acreditar que as mesclas, os contrastes, compõem um mosaico, a ser permanentemente preenchido, em cada experiência, em cada convivência, e que vão muito além de circunstanciais necessidades da dimensão experimental, vividas por todos nós num determinado momento da nossa Percepção Consciencial. O importante, talvez seja, na verdade, a Caminhada, essa "Luz' que nos permite "ver" e "olhar" para a soma de singulares pontos que compõem nossas retas e nossos planos onde vivenciamos essa coisa chamada "existir". Nietzsche tinha razão quando afirmava "quem tem um porquê pode suportar quase qualquer como". Busquemos nossos singulares, transitórios e contrastantes "porquês" em cada  uma de nossas fugazes e transitórias percepções, percebendo, em cada "diferença" entre coisas, pessoas e fatos, mais uma parte da soma dos elementos que compõem o quadro de nossa transitória e momentânea Consciência. Já dizia Heráclito, "nada é permanente, exceto a mudança".

Gildo Fonseca.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Álvaro de Campos - Fernando Pessoa

Compartilhado de Mariah de Olivieri:


Acordar

Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

Para Lacan (1977)" a poesia é um efeito de sentido,bem como um efeito de furo. Poète (poeta) é sentido. Pohàte é furo. " Philippe Julien, " O fim de uma sessão", Trabalhando com Lacan"

" Lacan amava a poesia e acreditava nela como possibilidade de acesso ao real e no ato poético como matriz do ato analítico." 

Angústia existencial

Foto: A CULTURA SEMPRE CONDUZ CORPOS SEM ALMA



Filosofia - Colaboradores - (coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.

O problema filosófico da Angústia Existencial
Mariah de Olivieri


Privar o homem da angústia para melhor dominá-lo, é despojá-lo de sua verdade, arrancar sua coragem, inocência e alegria – também seu desgosto – de viver. É querer reduzir à animalidade, é pecar contra seu espírito. 
Henri Pradal


O problema da angústia existencial foi ao logo dos séculos, profundamente examinado por alguns filósofos, que se depararam com esse sentimento em suas existências. Não foi por puro acaso que, ao interessarem-se pelo tema da existência, do destino e suas de conseqüências, o tema da angústia tornou-se o tema de suas vidas.
Neste artigo discorreremos sobre o significado da angústia para Kierkegaard, Heidegger e Karl Jaspers. Estamos cientes de que outros filósofos e estudiosos do pensamento e emoções humanas discorreram sobre o tema da angústia; porém, nos ativemos aqui, a debruçar nosso olhar somente sobre pensadores com os quais nos identificamos, por suas idéias sobre o tema.
A angústia existencial é um sentimento difuso e desconcertante que sufoca a existência e impregna a vida do indivíduo de tristeza e dor; é uma zona limítrofe, um pântano de sombras aterrorizantes, um emaranhado de sentimentos incongruentes, um abismo profundo, que o indivíduo carrega dentro de si.
Inúmeras vezes, em seu cotidiano, o indivíduo sente a falta de algo incompreensível; o resultado é tédio e vazio existencial, ao qual ele é remetido sem aviso prévio. As aquisições materiais, e as vitórias amorosas não preenchem o âmago do seu ser.
O sujeito está em uma constante busca. O ser humano é um mar de infinitas possibilidades, que muitas vezes foram castradas, amordaçadas. Assim, por causa desse afeto ele se torna uma criatura profundamente marcada, mutilada em sua alma, cuja dor perpassa sua compreensão.
Sensação de devastação interna, sentimento de impotência. Para entender a angústia, esse sentimento tão subjetivo, é necessário primeiro compreendê-lo; aceitar essa impressão que torna o indivíduo absolutamente débil, frágil, desorientado.
O indivíduo compõe o mundo através das circunstâncias vividas, das experiências e sentimentos suscitados pelas mesmas; ele é para essa composição uma complementação e, quando se sente fora de tudo isso, abandonado nesse vazio profundo, surge a angústia.
Diante do vazio e do desconhecido, o indivíduo se assusta, pois em seu cotidiano ele lida sempre com situações concretas sejam atividades ou de trabalho, ele está sempre envolvido com outros indivíduos, e estar só é considerado deprimente.
Para a filosofia, a angústia existencial projeta-se por uma ambigüidade conceitual; se por um lado, ela assusta, por outro, permite ao indivíduo encontrar-se com algo maior, que o lança para a condição de sua irremediável finitude e limitações diante de sua existência. Paradoxalmente, a angústia aponta a possibilidade de ser e de existir no enfrentamento da vida, como uma força que emana desde dentro.
Ao refletirmos sobre o significado filosófico da angústia, encontramos o pensamento de Kierkegaard[1]; em seu livro O Conceito de Angústia (1844), atribui que a raiz da angústia é a existência como possibilidade. Esta asserção aponta tratar-se de uma disposição afetiva; algo que impulsiona o sujeito nos seus próprios movimentos.
Heidegger[2], em Ser e o Tempo (1989), anuncia que é a angústia que possibilita ao indivíduo o encaminhamento à um encontro com o Ser, num direcionar ao nada, que permite a abertura de caminhos para o indivíduo encontrar-se com algo não descrito, rumo ao seu destino. Cito Heidegger:
É na disposição da angústia que o estar-lançado na morte se desentranha para a pré-sença de modo mais originário e penetrante. A angústia com a morte e a  angústia da com o poder-ser mais próprio, e remissível e insuperável.
Heidegger discorre sobre o fato da angústia libertar o homem das possibilidades nulas e torná-lo livre para as autênticas.  É pelo fato de ser livre que o Ser-aí pode fugir das responsabilidades para permanecer no nível de uma existência exteriorizada, mas essa fuga está sempre perseguida pela angústia.
 A angústia contém aspectos tanto destrutivos como construtivos, dependendo de como é utilizada. O Ser-aí é lançado na existência, na facticidade. A angústia constitui-se como estrutura fundamental do Ser-aí tal como se encontra primeiramente e antes de tudo, em seu mundo no cotidiano.
A angústia pode surgir nas situações mais inofensivas e não precisa do escuro para se manifestar. O angustiar-se com alguma coisa não possui nem o caráter de espera nem de entendimento, assim a insignificância do mundo é aberta na angústia.
A angústia angustia-se pela presença nua e crua, lançada na estranheza e surge do porvir da de-cisão.  É nela que o sentido do Ser-aí (sua essência) se anuncia.
 Heidegger relaciona a angústia com o temor. Aquilo que a angústia se angustia é o ser-no-mundo como tal. Porém, na angústia não se dá o encontro disso ou daquilo com o qual se pudesse estabelecer uma conjuntura ameaçadora. O ameaçador não vem de um lugar determinado, ele não se encontra em lugar algum.
O indivíduo não sabe o que é aquilo com que se angustia. Aquilo com que a angústia se angustia é o nada, que não se revela em parte alguma. A angústia de acordo com Heidegger se angustia com o mundo como tal, com o próprio ser-no-mundo.
Heidegger afirma que se angustiar abre, de maneira originária e direta, o mundo como mundo. A angústia não é somente angústia com, mas enquanto disposição, é também angústia por.  Na pré-sença, a angústia revela o ser-livre para a liberdade de assumir e escolher a si mesmo.
Assim é que, a angústia enquanto disposição fundamental empreende uma abertura para o desconhecido, ela se eleva a partir do ser-no-mundo enquanto ser-lançado-para-a-morte; é ela que libera o indivíduo de possibilidades nulas, tornando-o livre para as possibilidades próprias. Quando a angústia passa, diz-se costumeiramente: propriamente não foi nada.
Neste construto existencial, Olga Hack, em seu artigo sobre a angústia, cita Jean Barraud, em O homem e sua Angústia, e aponta que: quando esta surge de frente e derruba pontes que unem as margens, provoca um despertar e torna a lucidez mais incisiva.
Porém, a angústia se faz e se mostra a sua maneira e nem sempre o indivíduo tem uma leitura precisa para ela. Quando o indivíduo se dá conta, neste desvelar, e permite tal abertura, ele entra pelo caminho que Aristóteles dizia ser o do espanto; essa é a condição de contemplação do indivíduo, sob sua própria condição de existência enquanto possibilidade. Essa construção e condição de contemplação vêm integrar um olhar original para a angústia, que permite descortinar através desse processo, novas e infinitas possibilidades.
Karl Jaspers[3], em Filosofia da Existência (1974) anuncia que angústia, liberdade e transcendência estão interligadas; a verdadeira liberdade nasce da relação com a transcendência e o processo existencial é uma meditação racional nos confins da condição humana.
Desse modo, não existe comunicação existencial sem razão e liberdade. Jaspers esclarece: a existência é suscitar a liberdade e a existência não é possível, senão em face da transcendência e a transcendência não tem sentido, senão pela existência.
 Sem vínculos com a transcendência, não existe liberdade. A existência do indivíduo está situada de forma singular, e presa irremediavelmente a uma série de situações que escapam de seu controle. Jaspers chama estas situações de momentos nos quais o indivíduo não tem poder de escolha, cito Jaspers:
A existência só desperta quando o existente é sacudido pela idéia da morte. A existência ou se perde no desespero face ao nada ou se revela a si mesma na certeza da eternidade.
A existência procura a experiência das situações-limite, esforçando-se por aprofunda-la até lhe encontrar um sentido que a reintegre em sua autenticidade. A experiência da morte é para Jaspers uma situação limite, pois segundo ele:
Estamos todos destinados à morte, ignorando o momento em que ela virá, procedemos como se nunca devesse chegar. Em verdade, vivendo, não acreditados realmente na morte, embora ela se constitua a maior de todas as certezas.
Diante da morte, a existência autêntica descobre a angústia de uma forma radical, que é a angústia de perder-se enquanto existência. São nas situações-limite que a existência se torna possível.
É somente no desespero de uma situação-limite que o ser encontra a sua certeza, uma vez que: daí ocorre à idéia de que estar morto é não-ser, de que a morte é o nada.
E é tendo a consciência bem clara daquilo que ela não pode mudar, e opondo-se à resistência das situações-limite e graças a elas, (reconhecidas como condições primordiais), que a liberdade pode se concretizar.
É somente no desespero gerado por uma situação-limite que brota, portanto, toda a obscuridade e negatividade desesperadora da condição humana. É através das situações-limite que o indivíduo sofre o aniquilamento, caminho que o conduz à existência.
Jaspers era apaixonado pelo mistério da condição humana e convencido de que existiria um para além do conhecimento que é possível ao indivíduo atingir; ele apelava para o tesouro que todo indivíduo possuía em si, ou seja, a capacidade de se elevar acima de seu ser.
Para Jaspers, viver era escolher. A obrigação de efetuar uma escolha responde efetivamente ao imperativo categórico de Kant, como ele o formulou nos Fundamentos da Metafísica dos Costumes; a exigência de que o indivíduo deve agir segundo a máxima: “tu deves, logo podes” (1785 Paris).
O objeto da escolha depende, segundo Jaspers, somente de cada um; se o indivíduo deve escolher para existir, uma incerteza sempre o impedirá de saber (de certa maneira), o que ele será realmente, ou se conseguirá efetivar e realizar sua escolha. A existência, objeto de um dever de escolher, é realmente o objeto de uma aposta. No seu entender, o indivíduo, ao se fazer a si mesmo, acaba sendo determinado unicamente por suas escolhas.
A existência parece então, aos seus olhos, como uma vontade de existência sem limites; ela é um combate perpétuo, entre o dever e a incerteza, fora de todo o conhecimento. Esta experiência é sentida por Jaspers como uma experiência de dilaceramento, de angústia. Contudo, só através das situações limites, brotam toda a obscuridade e negatividade desesperadora da condição humana.
 É através dessas situações que o indivíduo sofre o aniquilamento, mas esse aniquilamento é também o caminho que o conduz à existência. Pois sem a ameaça do desespero possível, não há liberdade.
Desde modo, as aspirações a uma liberdade total da vida e das suas condições, não são mais que evasões diante das condições reais da existência possível, que são aquelas que permitem fazer verdadeiras escolhas e assumir verdadeiras responsabilidades.
Ao pretender uma liberdade total para a condição humana, o indivíduo, com seus excessos, escamoteia os verdadeiros possíveis de uma liberdade que as situações-limite restringem e estruturam. De acordo com Jaspers o indivíduo não encontra o absoluto senão através das situações-limite.

[1] O conceito de angústia. 1844. Tradução de Álvaro Luiz Montenegro Valls, a partir do original de SKS 4, (manuscrito), em andamento, 2008.
[2] Ser e o Tempo. Parte II. 1989. Tradução de Márcia de Sá Cavalcante. Coleção Pensamento Humano. Petrópolis: Vozes, 340p.
[3]  Filosofia da Existência. 1974. Buenos Aires: Aguilar, 1ª ed. 128 p.
Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e  Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre. Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Enfrentando nossos fantasmas.....

"A melhor forma de enfrentar qualquer fantasma é acender a Luz" !!!!!


sábado, 25 de maio de 2013

Um brinde à Vida !!!!

Beber champanhe previne a perda de memória

Beber champanhe previne a perda de memória
Beber um a dois copos de champanhe por semana contribui para contrariar a perda de memória associada ao envelhecimento e pode ajudar a atrasar o aparecimento de doenças degenerativas como a demência. A conclusão é de um estudo recente de investigadores da Universidade de Reading, no Reino Unido.
 
De acordo com a equipa britânica, os compostos fenólicos - antioxidantes que combatem o envelhecimento celular, também denominados radicais livres - presentes nesta bebida alcoólica melhoram a memória espacial, responsável pela "gravação" de informação sobre o ambiente de cada um e pelo armazenamento de dados para uso futuro.
 
Segundo os especialistas, estes compostos "modelam" os sinais no hipocampo e no córtex que controlam a memória e a aprendizagem, o que explica os seus benefícios para o cérebro, já que alteram favoravelmente algumas proteínas associadas à manutenção das recordações no cérebro.
 
Muitas destas proteínas tendem a desaparecer com o avanço da idade, mas o estudo agora divulgado mostrou que o champanhe atrasa a perda da memória, prevenindo o aparecimento precoce de distúrbios cognitivos que ocorrem à medida que os indivíduos envelhecem.
 
Os investigadores sublinham que o champanhe tem mesmo "níveis mais altos de compostos fenólicos do que o vinho branco", em particular os que derivam das uvas Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay, compostos esses que são responsáveis pelos benefícios da bebida.
 
"Estes resultados entusiasmantes demonstram, pela primeira vez, que o consumo moderado de champanhe tem o potencial para influenciar o funcionamento cognitivo, nomeadamente a memória", salienta Jeremy Spencer, do departamento de ciências nutricionais da Universidade de Reading, em comunicado.

Benefícios para o coração e a circulação sanguínea
 
Spencer explica que resultados semelhantes já tinham sido observados em relação ao vinho tinto, graças à presença de flavonóides na sua composição, mas que "o champanhe, que não conta com este composto, também é capaz de influenciar a função cerebral através da ação dos fenólicos".
 
O especialista acrescenta que, anteriormente, se pensava que estes compostos "não tinham atividade biológica", mas que a investigação agora levada a cabo demonstrou que uma abordagem responsável ao consumo de álcool, em particular de champanhe, pode ser boa para o organismo. "Acreditamos que a ingestão de um a dois copos por semana pode ser eficaz", declara.
 
"No futuro, esperamos conseguir 'transferir' os resultados desta descoberta para os humanos", afirma David Vauzour, um dos investigadores envolvidos no estudo. "Os benefícios já foram provados com alimentos ricos em polifenóis como o mirtilo e o cacau e achamos que o consumo moderado de champanhe terá as mesmas vantagens para a cognição", conclui.
 
De realçar que investigações anteriores realizadas, também, na Universidade de Reading, revelaram que o consumo de dois copos de champanhe por dia pode ser, além disso, benéfico para o coração e a circulação sanguínea, reduzindo o risco de acidente vascular cerebral e doença cardiovascular.

Clique AQUI para aceder ao resumo do estudo (em inglês) publicado na revista científica Antioxidants & Redox Signalling. 

sexta-feira, 29 de março de 2013

História da Páscoa

História da Páscoa

A história da Páscoa é rica de aspectos religiosos e simbologias

Ovo: símbolo da vida

O ovo, geralmente branco e frágil, é, de forma geral, uma metáfora para esta nova vida, ele é o símbolo do germe, encarna todo o conteúdo de uma vida numa simples casquinha, é o um que se divide passando pela metamorfose que cria o pintinho que consegue sair da sua casca, sendo um símbolo da transmutação e do renascimento. É desta forma que, para o cristianismo, Jesus é comparado ao pintinho que sai da sua casca, assim como Cristo saiu do Santo Sepulcro, sendo que a cor branca representa a pureza e a perfeição.

Do simbólico para o cotidiano, durante os 40 dias que precedem o domingo de Páscoa os fiéis estavam proibidos de consumir carnes e ovos. No entanto as galinhas, que não conheciam esta interdição, continuavam a pôr seus ovos normalmente, o que fazia com que os cristãos ficassem com muitos ovos sem poder comê-los. Para não desperdiçá-los surge, no século XII, a tradição de decorar as cascas dos ovos e oferecê-los como presente.

Conta-se que o rei Eduardo I da Inglaterra, em 1307, teria distribuído 450 ovos pintados aos membros da família real. Esta ideia acabará se desenvolvendo e ovos esculpidos em madeira são oferecidos ao rei, a família real russa começa a consumir ovos de Páscoa feitos pelo joalheiro Fabergé e os doceiros vão começar a fazer ovos em açúcar, chocolate e torrone para as crianças.
Coelho, não. Lebre de Páscoa

Para não falar de ovos sem falar de quem os traz, temos que contar que historicamente nunca foi um coelho quem fez este trabalho, mas sim a lebre, que é símbolo de fecundidade e, ao mesmo tempo, por ser indefesa, o símbolo do homem que coloca toda sua confiança em Deus. A associação ovo e lebre da Páscoa sempre teve um caráter fundamental na simbologia da chegada da primavera e este animal foi, desde cedo, confundido com o coelho pela sabedoria popular. A lebre é tão fortemente associada à fecundidade que desde a antiguidade aconselha-se comer carne de lebre para dar fertilidade às mulheres e testículos de lebre para que o bebê fosse um homem.

Ainda sobre os animais, não nos esqueçamos da galinha, um símbolo tradicional da realização dos desejos.

Finalmente, hoje em dia a Páscoa ultrapassou os limites da cristandade e de uma forma ecumênica agrega todos em torno do sabor universal do chocolate.


Matéria elaborada por Cintia Alfieri Gama, doutoranda na École Pratique des Hautes Études em Sorbonne, Paris, docente de História da Gastronomia e Antropologia da Alimentação das Faculdades Metropolitanas Unidas e conselheira científica do Museu do Louvre na França.

terça-feira, 19 de março de 2013

CONDENADOS À LIBERDADE !!!!


A CÓPULA DIALÉTICA DA VERDADE

"O excesso de verdades é pior que o erro". Pascal 

O êxtase das contradições, semente da dinâmica espiral de novas verdades, vive no interlúdio, no lapso da consciência, entre vácuos de pretensa lucidez, no intervalo de fraccionadas realidades, entre elos de contrastes que alimentam fugazes, contraditórias e contrastantes Percepções.


O erro, coadjuvante de tantas verdades individuais, alicerça nossos passos de navegantes nauseabundos no oceano do existir.


Nos interstícios de todos os sistemas binários, em todas as manifestações, está, oculta, sob o véu de loucuras insensatas, a patética tentativa do Ente de levantar-se, de afirmar o "seguro" dentro de dinâmicas tão inseguras, o ponto dentro de retas, o finito dentro de tantos infinitos, porquês dentro de tantos como.


A razoabilidade extasiante do Instante Perceptivo é o gozo da Consciência, no ventre de Infinitos possíveis de todo Infinito presente, na união entre atemporais, transcendências e irracionabilidades de amplas finitudes presentes nas possibilidades delimitadas pela nossa própria "cerca", essa protagonista carrasca da danação de nossos porquês, dentro da eterna condenação à liberdade de nós mesmos.



Gildo Fonseca



domingo, 10 de março de 2013

Interpreto que Sartre quando afirmava "o inferno são os outros", referia-se jocosamente à delegação da responsabilidade consciencial ao outro e ao meio. Ao que Freud e depois Lacan sistematizam e codificam nas estruturas analíticas das linguagens do inconsciente, Sartre contrapõe com a pretensa "supremacia" libertária do consciente. Simpatizo mais com Heidegger e sua visão ontológica. Com todo respeito, creio existir uma prevalência dessa transcendência, dessa Sombra Universal a ser descoberta, iluminada, e que se manifesta apenas por sinapses de consciência condensadas em arquétipos Yunguianos que acabam se associando, se cristalizando, na união de uma busca desesperada na tentativa de descortinar o Conhecimento, através das apalpadelas das associações não só de nossos atos cotidianos mas também da etérea percepção da eterna busca de quem somos. Cristalizemos pois a Vida, esse Caminho que construímos a cada entendimento.

por Gildo Fonseca