sexta-feira, 12 de julho de 2013

Convicções....



"As convicções são cárceres. Mais inimigas da verdade do que as próprias mentiras."

Friedrich Nietzsche


(compartilhado de Patricia Melo, do FB)

Osho

Foto: "Nenhuma pessoa inteligente está interessada em dominar os outros.
Uma pessoa inteligente está interessada em conhecer a si mesma."

Osho

"Nenhuma pessoa inteligente está interessada em dominar os outros.
Uma pessoa inteligente está interessada em conhecer a si mesma."

Osho

As angústias da (des) esperança


'Eu sou o limite de minhas ilusões perdidas", escreveu o filósofo francês Gaston Bachelard. E é nessa tensa relação entre angústia, desespero e esperança que transcorre a nossa existência


Por Josè Fernandes Pires Júnior*


“Deserto e vazio. Deserto e vazio. E as trevas à beira do abismo.” Eis a voz do poeta a T. S. Eliot. Há neste verso solene a sombra de um desespero presente – este que ataca não como um estresse quotidiano, mas que encurrala o homem como um animal indefeso frente ao seu poder avassalador. Não será preciso perceber isso nas doutrinas ou nos apontamentos da Filosofia e Psicologia. Basta-nos folhear as páginas do jornal diário, das revistas semanais e assistir aos programas televisivos com suas fórmulas mágicas para aplacar as angústias do ser humano.
O homem não quer mais aceitar sua condição existencial, por isso busca todos os tipos de terapia que ofereça a negação de sua condição temporal. Os métodos mais diversificados estão sendo empreendidos para retardar o envelhecimento, as academias estão lotadas, o consumo desenfreado cresce tresloucadamente, pois a ditadura do “vestir- se bem” determina que as pessoas se rendam à nova coleção do momento. Ser celebridade, seja em que patamar, e ter fama são outros dois vilões que encantam o homem moderno. Isso é apenas um quadro simplório do que vem acontecendo nesses a tempos de liquidez, bem definidos por Zygmunt Bauman.

T. S. Eliot 
o poeta e dramaturgo thomas stearns eliot, o t.s. eliot (1888-1965), embora nascido nos eua, sentia-se pertencente a uma tradição cultural europeia. vencedor do Prêmio nobel de literatura em 1948, t.s. eliot escreveu livros como Poemas e A terra devastada.
JOHN MILTON: ESPERANÇA NA ESCURIDÃO

Sem dúvida, esses encantos conseguem seduzir até mesmo os grandes homens. O poeta John Milton contava com 23 anos de idade quando, tomado de indignação, lamenta-se e angustia-se por não ter alcançado o seu ideal de grandeza e notoriedade, veja isso nestes versos que escreveu quando tinha essa idade: 

“O tempo, que é ladrão defraudador, Levou voando meus vinte e três anos. Vão-se meus dias em ritmos insanos, E a primavera acaba e não há flor”

Devo acrescentar – para que o amigo leitor não pense que o poeta inglês foi durante todo o curso de sua existência um presunçoso arrogante – um detalhe digno de nota: Milton sagrou-se, pari passu com a John Donne, o maior poeta que a Inglaterra já viu. Seu poema Paraíso Perdido foi ditado, quando já estava totalmente cego. Sobre seu estado, escreveu certa vez:

Quando penso que a luz está apagada Neste meu mundo vasto e tenebroso, E meu talento, único e precioso, Jaz inútil, mas a alma está inclinada A servir seu Criador sem deixar nada (...)

No meio dos anseios e da vontade do querer- -ser, há as angústias da não realização de nossos projetos. E quando eles falham nasce o desespero. A falta de esperança. Quando percebemos que não há como evitar o envelhecimento, que o consumo não pode efetivamente nos trazer a satisfação essencial de que necessitamos, que a fama pode ser provisória... o homem contempla as trevas à beira do abismo. A angústia toma conta de seu ser frágil e o remete ao desespero. Desespera-se o homem moderno quando percebe que é um nada e, por isso, não pode ser imortal.

Tempos de liquidez 
o termo “tempos de liquidez” refere-se à noção de “modernidade líquida” ou “tempos líquidos”, metáfora utilizada pelo sociólogo e filósofo polonês Zygmunt bauman nos livros Modernidade líquida, Amor Líquido, Vida Líquida, Medo Líquido etc.
KIERKEGAARD: O SALTO DE FÉ

É a Sören Kierkegaard que vai dissecar o indivíduo tomado por predileções a que a vida moderna o apresenta. Mas, uma advertência! Se você é um otimista incondicional, uma Poliana convicta, então é melhor não ler o dinamarquês. Não obstante, aqui e acolá é possível encontrar um lampejo de otimismo ou um ponto luminoso em meio à penumbra, à moda dos quadros de a Rembrandt: uma nesga de luz irradia timidamente de uma escuridão pesada. Conforme Kierkegaard, a fé seria esse foco de luz na densa escuridão. Para ele, angústia e desespero convivem juntos no âmago do ser humano; entretanto, a fé pode ser um antídoto para a cura dessa doença mortal que é o desespero, como ele mesmo define. É preciso que se diga que a fé aqui não é qualquer uma. Virginia Stem Owens diz que “ninguém que saiba de onde virá sua próxima refeição ou onde irá dormir hoje à noite deveria ter o direito de dizer que tem fé. Fé é uma palavra que deveríamos ter medo de pronunciar, para evitar que ela nos seja definida de maneira que não imaginamos. Kierkegaard iria mais longe. Você não deveria falar de fé, diria ele, a menos que estivesse preparado para erguer, como Abraão, a faca sobre o corpo do seu filho.” O paradoxo, aqui, é que em meio a toda falta de esperança, a fé pode nascer no indivíduo e fazer com que ele se jogue nos braços Daquele que pode ser o sentido de tudo. Kierkegaard denomina isso de salto de fé.

Tempos de liquidez 
o termo “tempos de liquidez” refere-se à noção de “modernidade líquida” ou “tempos líquidos”, metáfora utilizada pelo sociólogo e filósofo polonês Zygmunt bauman nos livros Modernidade líquida, Amor Líquido, Vida Líquida, Medo Líquido etc.
JOHN DONNE: POR QUEM OS SINOS DOBRAM?As grandes preocupações do ser humano nos dias de hoje são o desejo e a vontade de querer ter. Aliás, é Gabriel Marcel que fala sobre a vontade do ter em detrimento da do ser. Em tempos de modernidade líquida – para usar uma expressão baumaniana – o ter predomina sobre o ser. O imediatismo, o desejo de estar em evidência angustiam o ser humano, uma vez que vive na esperança de que a sorte mude seu destino e de que a fortuna bata à sua porta. Viver assim não é uma escravidão? Contrário a toda essa via negativa de aceitação da finitude, coloco como paradigma o nome do poeta John Donne. Paradigma não é uma palavra que se apresenta aqui por acaso, ela tem toda uma razão de aqui estar, pois J. Donne, ou seja, sua vida encarna toda a via positiva da aceitação de forma cabal. Esperança é uma palavra mística, que calha bem quando aplicada a J. Donne. Mas antes de falar sobre o poeta inglês, faço uma pequena digressão para contextualizar melhor: quando disseram a Mark Twain que o mundo estava chegando ao fim, ele teria respondido: – “Ótimo! Podemos viver sem ele”. John Donne poderia ter dito como Twain sobre esse mundo; no entanto, o poeta inglês conviveu com suas desgraças triunfantemente.
John Donne 
John donne (1572-1631) foi um poeta e pastor anglicano nascido em londres. além da densa obra poética, produziu ensaios críticos. a poesia de donne influenciou alguns autores do romantismo.
Sob os ares da Londres elisabetana, viveu J. Donne. W. Shakespeare, seu contemporâneo, já havia alcançado notoriedade invejável. A peste negra assolava e vitimava os londrinos, desafiando a medicina da época. Seu rastro epidêmico de morte vitimou 40 mil pessoas. Nas ruas de Londres, a peste bubônica foi pretexto para profetas desatinados anunciarem o apocalipse. Donne não escapou. Também adoecera. Os médicos diagnosticaram sua enfermidade, erradamente, como peste; no entanto, sua doença foi uma febre com erupções cutâneas similares ao tifo. Fora posto em quarentena por causa disso. Por seis semanas esteve no limiar da morte. É aí, por meio de seu suplício, que nasce Devoções (Devotions), obra que o coloca, como já dissemos, ao lado de John Milton, como o maior poeta da Inglaterra.
Meditação 17, sobre o significado dos sinos da igreja, é passagem mais famosa de Devoções e, também, uma das mais cultuadas da literatura inglesa. A inspiração dos versos desta Meditação veio quando Donne ouvia da janela de seu quarto o toque dos sinos. Era o anúncio de que um vizinho seu havia morrido de peste bubônica. Essa percepção o levou a compreender que aquilo era um duro lembrete da finitude humana. Eis um trecho da celebrada passagem:

“Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. (...)

A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido; por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”

Esta velha angústia

Esta angústia que trago a séculos em mim.
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelos sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum,
Transbordou,
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este pode ser que...


Fernando Pessoa


Foto: 'Eu não tenho paredes.
Só tenho horizontes.'

Mario Quintana

"Eu não tenho paredes... eu só tenho horizontes" - Quintana


Olhares contidos....

Foto: Amor entre Almas !!!!

Pessoa

Foto


"O que me mata é o cotidiano....
Eu só queria exceções" !!!!!

"Bancando" a Liberdade.....


Gosto muito da visão de Sartre quando afirma que "ou a liberdade é absoluta ou não existe. O homem só não é livre para não ser livre", daí, o "risco" de transcender, conscientemente, superfícies, é inevitável, ou como ele mesmo diz: "estamos condenados a liberdade", embora nem sempre conscientes disso.

Em uma passagem do livro A Náusea, de Sartre, o personagem Roquentin afirma: "agora vejo, lembro-me melhor do que senti outro dia, junto ao mar, quando segurava aquela pedra, tenho certeza, passava de pedra em pedra para as  minhas mãos. Sim, é exatamente isso, "um a espécie de náusea nas mãos".

Essa náusea angustiante da consciente condenação à Liberdade é o preço a ser pago por aqueles que cristalizam suas opções e escolhas como exercício da afirmação de sua própria Individualidade e parafraseando Nietzsche, através de nossas próprias "Potencias de Vontade". Não há escolha a não ser "bancar" a Consciência de ousarmos Ser nós mesmos.

Em última instância, creio também que todos não somos uma "Necessidade", mas, uma "Possibilidade" a ser descortinada em processos próprios da Afirmação, tornada consciente pela dialética de nossas próprias cotidianas contradições.

Gildo Fonseca


Suportes....

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Suportabilidade é amplitude de espectro de nossa transitória percepção pela matéria.

Mas... não somos matéria. Estamos matéria. Somos Vibração, portanto, a dor ou prazer, o sofrimento ou alegria, perdas ou ganhos, pertencem ao Caminho, esse Espelho onde nos enxergamos.

Somos a perene e eterna recomposição de miríades de formas e pensamentos, cores, luzes, relações....

Somos Luz, somos Potência vibratória criativa em permanente ação por impermanentes sensações.

Por isso, para nós, só existe o que acreditamos, só existe o que sentimos, só existe o que Somos.

E Somos Escolhas. Podemos escolher. Escolhemos e decidimos que as crenças culturais da pretensa dor não encontram guarida em nós.

Decidimos, escolhemos e criamos o que acreditamos ser o melhor para nós, a alegria, a saúde, o amor, o prazer e tudo aquilo que faz a Vida ser mais Leve, porque somos senhores de nossas vidas e de tudo o que nela está contido.

Ao respirar, recebemos a herança do Poder da Criação. Tudo está em nosso Mundo. Tudo É, em nossa peregrina Consciência.

Nada, absolutamente nada, é mais forte que o nosso poder de escolher. Estamos acima de quaisquer circunstâncias.

Escolhemos o que podemos suportar, pois somos, nosso próprio, único e eterno Suporte, uma Graça da própria Criação.

Cristo tinha razão quando ensinava a nós todos: "Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida".

Que possamos suportar nossas facetas espelhadas nos contrastes de tantos mosaicos desafiadores, que formam esse Caminho onde tentamos encontrar a Nós Mesmos.

Gildo Fonseca.


Simone.... de infinita Liberdade !!!!

Foto: by Jeanne Argent

"Eu sou incapaz de conceber o Infinito e ainda assim,
eu não aceito Finitudes...."

Simone de Beauvoir

Seja ímpar para formar pares.....

Foto: "Que nada nos limite,
Que nada nos defina,
Que nada nos sujeite,
Que a liberdade seja 
a nossa própria substância."

"Só os verdadeiramente ímpares podem formar pares".

terça-feira, 9 de julho de 2013

segunda-feira, 1 de julho de 2013

SedAtivos.....

SedAtivos ou.... AO VENCEDOR.... AS BATATAS !!!!

Começou a época da colheita. Depois de brotar, por todo o Brasil, a insatisfação popular, costumazes pelegos e políticos, tomados de surpresa pela força e espontaneidade do povo, buscam agora "capitalizar", digerir e se aproveitar da situação.
"Líderes" sindicais correm e preparam agora, grandes "manifestações" pelo país afora, políticos tomam "decisões" populistas e aprovam, em caráter de urgência, projetos de lei engavetados por eles mesmos durante muitos anos. Ninguém quer cantar "lá se vão meus anéis..."
Realmente... o Brasil é um país surreal, deve derivar daí até o nome da nossa moeda. O cabresto, o curral e alguns "cachorros" (que me perdoe a nobre raça canina), à semelhança de alguns pastos de ovelhas da Escócia e Irlanda, também são usados por aqui por aqueles que detém o controle do poder econômico, do poder político e das mídias, para "confinar" essas novas ovelhas rebeldes dentro dos procustos institucionais, oportunistas e interesseiros onde se preparam novamente para se candidatar, e pior, paradoxalmente, se elegerem pelo voto desses mesmos revoltosos.
A "canalização", o comando e o controle do descontentamento popular será agora prioridade pois é melhor "dar alguns brioches" do que perder a cabeça nessa nova Bastilha.
Podem aguardar, daqui em diante, medidas populistas pelos mesmos de sempre e o "trabalho", sempre eficiente, de sindicalistas e "líderes" sociais que se prestam ao trabalho de conduzir as massas para os velhos interesses dos governantes, impedindo, a criação de alternativas de novas estruturas de poder, longe do tradicional e carcomido, triunvirato de "legislativo, executivo e judiciário", já que, nenhum dos três tem demonstrado, em grande parte, Servir, aos interesses do Brasil e de seu Povo. O gigante acordou.... mas o pesadelo continua !!!!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Lacan

Quem busca a "verdade" corre o risco de encontrá-la....

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"Quem busca a Verdade corre o risco de encontrá-La".

Isso me faz refletir sobre o canto dessa sereia, pretensiosa, sedutora, arrogante, sádica, embriagadora, travestida de pretensa lucidez, com véus de consciência, inebriando-nos com pretensas flutuantes verdades, levando-nos à loucura do acreditar que podemos ter certezas baseadas em tantas impermanências. "Eu", "Gildo", permaneço em "meu" fluir... Somente o inesperado pode dar Luz à Vida, fazê-la respirar, surpreenda-me, permitindo assim espasmos de existir....

Gildo Fonseca.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O Universo é uma Harmonia dos Contrários. Pitágoras



Todo o sistema binário, eu e o outro, dentro e fora, luz e sombras, todas as matizes que estão contidas no flexível e amplo espectro de todos os contrários, são espelhos, onde percebemos nossas faces e antefaces frente a cada experiência em que a vida se nos manifesta e nos informa assim, que estamos, naquele instante de Percepção, Vivos !!!

Nossa Identidade é a Energia que, movendo o pêndulo que somos e em que estamos, cria o Caminho para conhecermos a nós mesmos através desse mosaico de contrastes onde fluímos pelo Movimento na Dança do Existir, no compasso da Vontade, nos gritos da Alma.

Gildo Fonseca



terça-feira, 18 de junho de 2013

TUDO É VIDA... COM INTENSIDADE !!!!!

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Alguns amigos tem me cobrado um posicionamento quanto às recentes manifestações então, a pedidos, rsrsrs, aqui vai:

Os atuais confrontos tem cinco componentes:

1. A extrema esquerda que acredita que pode haver uma revolução popular a partir da insatisfação da população com a situação social, econômica e política.

2. A extrema direita que infiltrada nos movimentos reivindicatórios de alguns grupos, aproveita a situação para radicalizar e gerar violência nos confrontos. A imagem de um possível skinhead mascarado jogando um foguete contra a polícia e divulgado pelas imagens da imprensa é fato inegável disso.

3. O oportunismo de algumas lideranças de movimentos estudantis e populares que no fundo estão interessados apenas em se elegerem nas próximas eleições.

4. A população, através das pessoas que passam nos locais durante as manifestações e acabam se envolvendo emocionalmente e como uma catarse de inúmeras situações de desconforto econômico aliado a frustrações represadas, desanuviam todas as mágoas da vida não ser como elas querem extravasando sua ira, revolta e indignação no movimento.

5. Os burocratas que estão nas diversas instâncias do poder, preocupados somente com a conservação do seu poder político, tentando contornar a situação e não sairem com a imagem arranhada da situação.

Do embate e do jogo entre essas forças é que se dá o panorama das atuais manifestações. Cada pessoa, dependendo de em qual grupo esteja no momento sintonizado vai defender apaixonadamente uma posição e tentar usá-la para justificar seu posicionamento nessa frente de combate.

Mas ficam algumas perguntas:

- carregar vinagre numa bolsa para não ser obrigado a sofrer com gás lacrimogêneo é crime? Onde podemos encontrar isso na constituição?
- a prisão imediata de 230 pessoas e o envio de 4 delas imediatamente para o presídio de Tremembé no interior do estado de SP, quando, essa mesma rapidez não é usada para a prisão de assaltantes que atacam a população, é correta?

As manifestações, orquestradas em todo o país, pela extrema esquerda e pela extrema direita e com a participação apaixonada da população envolvida e junto com a falta de sensibilidade e percepção dos governantes pode levar, sem dúvida, como um rastilho de pólvora, a um incêndio definitivo das instituições democráticas já tão carcomidas pela podridão interesseira de políticos corruptos, individualistas e insensíveis às necessidades básicas e imediatas do nosso povo.

É claro que existem várias outras nuances e elementos a serem analisadas, mas precisaríamos de muito espaço para a discussão.

Nesse quadro, cada um vai encontrar a válvula de escape para um posicionamento, um meio para desanuviar de suas paixões reprimidas e para a catarse de seus específicos desafios materiais e psicológicos. Como dizia Nietzsche "quem tem um porquê aceita quase qualquer como". O importante é viver intensamente.


Gildo Fonseca


Catarse de um povo

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Catarse (do grego Κάθαρσις "kátharsis") é uma palavra utilizada em diversos contextos, como a tragédia, a medicina ou a psicanálise, que significa "purificação", "evacuação" ou "purgação". Segundo Aristóteles a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama.
Segundo o filósofo, para suscitar a catarse era preciso que 'o herói recolhesse frutos do pátio da escola'e levasse para casa a fim de comer junto com os outros heróis. 
Sob a ótica da psicologia, catarse é o experimentar da liberdade em relação a alguma situação opressora, tanto as psicológicas quanto as cotidianas, através de uma resolução que se apresente de forma eficaz o suficiente para que tal ocorra.
Por ser um conceito relativo, é difícil estabelecer uma média de frequência de processos catárticos. Por exemplo, há relatos de pessoas que, após andarem sobre brasas afirmam ter experimentado uma liberdade e confiança em termos catárticos. Entretanto, após algum tempo, quando todos os processos hormonais envolvidos nessa sensação se normalizam, estas pessoas se vêem diante da mesma situação anterior à tal experiência.
Para que uma pessoa experimente catarse em relação a um conflito é necessário que uma oportunidade de resolução apresente-se, a "disponibilidade" da pessoa em aceitar tal resolução esteja compatível com a possibilidade de tal resolução se transformar em catarse, a qualidade de tal resolução ser suficiente diante da opressão que a pessoa sente, e outros fatores pessoais, culturais e ambientais (ou seja, se é possível, dentro da realidade que circunda a vida da pessoa, de se manter a resolução).
(o texto acima foi extraído da wikipedia)
Nessa grande catarse coletiva que o Brasil passa hoje cabe pensar, estamos preparados para entender o conjunto de fatores que afeta a todos e a cada um de nós individualmente?
temos uma alternativa segura para preencher o vazio de uma eventual purgação dessa praga chamada corrupção, egoísmo e insensibilidade social que conduz o país através de seus governantes?
depois da repetição de tantas experiências, ao longo de décadas, em que só mudam os personagens políticos enquanto o caráter, que deveria ser o eixo político de todo governante, é deixado de lado, em função de interesses pessoais ou, na melhor das hipóteses, é negociado com pretensos aliados que só querem resolver seus problemas pessoais, quem ou o quê, vamos colocar no lugar como alternativa?
A dura verdade é que manifesta-se a catarse de um povo onde é purgada a náusea do desamparo social, uma revolta contida e que agora explode pela falta de um horizonte ético, amoroso e fraterno, naufragado em negociatas de bastidores onde o respeito pelos direitos do semelhante é simplesmente massacrado.
O grande desafio é, quando se faz uma catarse e a purgação é bem feita, fica um vazio no lugar.
Existem alternativas para realizar o sonho de um povo?
ou mais uma vez, como tantas repetidas vezes, sucede-se a ascensão de oportunistas de plantão, que, canalizando o descontentamento popular, assumem o papel de heróis de um povo, para depois, tornarem-se carrascos das expectativas das quais tornaram-se fiéis depositários?
a mobilização e busca de alternativas de um povo em desespero é utilizada pela hábil manipulação dos destinos, das sensações e dos interesses de cada um, pelas mídias que, associadas ao poder econômico, reconduz, com o passar do tempo e pela alternância dos personagens desse baile de máscaras chamado política, seus parceiros na função de oprimir, fazendo assim, autofagicamente para eles, o povo dar mais um passo rumo a autoconsciência e seu papel social, crescendo individual e coletivamente na incorporação de sua própria Liberdade. Esse processo de crescimento é dialético, entre a opressão e o oprimido.

Vivemos uma grande selva, onde a única coisa que nos une, é a volátil tentativa de superarmos tantos desamparos individuais tornados coletivos (sic), pela soma de desesperos pessoais contra as opressões, paulatinamente conscientes, que nos provocam, nos desafios cotidianos, a fugaz esperança de que o único caminho é entender cada "inimigo" exterior como mais um degrau do descobrimento de nossas forças interiores.


Na superação de tantas opressões que, como "cercas exteriores", nos desafiam a descobrir nossas forças e nesse atrito, geram Luz, conseguiremos, mesmo que parcamente, visualizar a nós mesmos, em nossa trágica e desafiadora circunstância do existir, rumo a quem Somos.
De tudo sempre ficará uma certeza, seremos gratos a tudo aquilo que nos desafia pois é semente de descobertas de tudo o que podemos, dentro e fora de nós, individual ou coletivamente.

O tempo é de emoção, de um fogo que consome, mas, parafraseando Jorge Luis Borges, "nós somos o Fogo".



Gildo Fonseca




sexta-feira, 7 de junho de 2013

Diferenças

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A ótica do processo evolutivo é individual. Então sempre veremos as experiências nossas e dos outros pelo grau de nossa pretensa maturidade evolutiva. Isso implica então em percebermos e aceitarmos que muitos ainda precisam passar por experiências de dor, sofrimento e frustração que farão com que eles também, assim como nós, subam degraus que lhes permitam uma maior Lucidez. É triste ver pessoas trilharem caminhos que, conhecemos, por experiência, como insanos. Sabemos, por experiência, que vai "doer", mas eles precisam, assim como todos nós vivenciamos algum dia, o passar por isso, precisam da dor e do sofrimento para desenvolverem um alto grau de tolerância à frustrações que virá somente com o tempo, depois de sofrerem muitos desenganos tanto na experiência individual como na coletiva. A Inteligência é uma ferramenta poderosa que pode ser utilizada pela Virtude ou pela Canalhice, a depender das necessidades, também evolutivas, de cada um de seus manipuladores. A responsabilidade ética pelos menos afortunados quanto à Percepção da Vida, pertence somente à Consciência dos Lúcidos. Se essa "inteligência" é usada para o bem ou para o mal faz parte do jogo do existir que vai fazer com que aqueles que não entendem porque são oprimidos venham a entender, infelizmente pela dor, frustração e "murro em ponta de faca", que a construção da escada de suas próprias consciências dependerá sempre e muito da sua tentativa de entender o porque de suas próprias experiências. Quando entendemos a razão de qualquer sofrimento ele se dissolve pelos raios luminosos da nossa Consciência por trânsito permanente em tantas impermanências. Quem "acredita" saber mais, com certeza sofre mais, pois compreende a dificuldade consciencial de todos aqueles que tateiam dolorosamente em busca do despertar. Me fascina apreciar os contrastes entre os diferentes tipos de pessoas, me fazem compreender as singularidades e suas características, independentemente do momento em nosso estágio da Caminhada Evolutiva. Interessante também ver como muitos gostam e precisam de "santos", "líderes", "seres" e "coisas" que lhes sejam "âncoras" para sua próprias e momentâneas convicções. e essa é uma "brecha" por onde manipuladores coletivos de consciências, exercem sua maléfica atuação. Cabe, na minha humilde opinião, a todos nós, assistirmos esse filme, onde ora somos protagonistas, ora somos coadjuvantes, para ver no que vai dar, oprimidos sem consciência de sua opressão e  opressores sem consciência do Amor. É certo que, muitos, como eu, podem acreditar que as mesclas, os contrastes, compõem um mosaico, a ser permanentemente preenchido, em cada experiência, em cada convivência, e que vão muito além de circunstanciais necessidades da dimensão experimental, vividas por todos nós num determinado momento da nossa Percepção Consciencial. O importante, talvez seja, na verdade, a Caminhada, essa "Luz' que nos permite "ver" e "olhar" para a soma de singulares pontos que compõem nossas retas e nossos planos onde vivenciamos essa coisa chamada "existir". Nietzsche tinha razão quando afirmava "quem tem um porquê pode suportar quase qualquer como". Busquemos nossos singulares, transitórios e contrastantes "porquês" em cada  uma de nossas fugazes e transitórias percepções, percebendo, em cada "diferença" entre coisas, pessoas e fatos, mais uma parte da soma dos elementos que compõem o quadro de nossa transitória e momentânea Consciência. Já dizia Heráclito, "nada é permanente, exceto a mudança".

Gildo Fonseca.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Álvaro de Campos - Fernando Pessoa

Compartilhado de Mariah de Olivieri:


Acordar

Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

Para Lacan (1977)" a poesia é um efeito de sentido,bem como um efeito de furo. Poète (poeta) é sentido. Pohàte é furo. " Philippe Julien, " O fim de uma sessão", Trabalhando com Lacan"

" Lacan amava a poesia e acreditava nela como possibilidade de acesso ao real e no ato poético como matriz do ato analítico."