"Seja humilde, pois você é feito de terra. Seja nobre, pois você é feito de estrelas."
Provérbio sérvio
terça-feira, 26 de maio de 2020
segunda-feira, 25 de maio de 2020
" O desejo é uma tentativa de despir o corpo de seus movimentos, assim como de suas roupas, e fazê-lo existir como pura carne; é uma tentativa de encarnação do corpo do Outro. É nesse sentido que as carícias são apropriação do corpo do Outro: evidentemente, se as carícias fossem apenas um suave toque, não poderia haver relação entre elas e o poderoso desejo que pretendem satisfazer; permaneceriam à superfície, como olhares, e não poderiam fazer com que eu me apropriasse do Outro. Sabemos o quão decepcionante é essa famosa frase: "Contato de duas epidermes". A carícia não quer ser simples contato; parece que o homem sozinho pode reduzi-la a um contato, e, então, ele perde o sentido próprio da carícia. Isso porque a carícia não é simples toque: é um modelar. Acariciando o outro, faço nascer sua carne pela minha carícia, sob meus dedos. A carícia é o conjunto das cerimônias que encarnam o Outro."
Jean-Paul Sartre
Jean-Paul Sartre
"O pudor inventou a roupa para que se tenha mais prazer com a nudez.". Carlo Dossi
Acredito que, em Essência, a nudez está ligada à singularidade, portanto o processo de desnudamento dos outros, da vida, das circunstâncias e até de nós mesmos, sempre trará novos e maiores prazeres. Gosto muito também da afirmação do rabino Nilton Bonder que diz: "'A nudez absoluta é uma mentira. Não se é totalmente transparente. A nudez em pelo é impossível para um ser humano com consciência, Por isso nos vestimos". Em seu livro A Alma Imoral, depois transformada em belíssima peça, esse tema é profundamente debatido de forma delicada e transcendente. Para quem ainda não reconhece, recomendo, o livro e a peça. Gildo Fonseca.
Acredito que, em Essência, a nudez está ligada à singularidade, portanto o processo de desnudamento dos outros, da vida, das circunstâncias e até de nós mesmos, sempre trará novos e maiores prazeres. Gosto muito também da afirmação do rabino Nilton Bonder que diz: "'A nudez absoluta é uma mentira. Não se é totalmente transparente. A nudez em pelo é impossível para um ser humano com consciência, Por isso nos vestimos". Em seu livro A Alma Imoral, depois transformada em belíssima peça, esse tema é profundamente debatido de forma delicada e transcendente. Para quem ainda não reconhece, recomendo, o livro e a peça. Gildo Fonseca.
domingo, 24 de maio de 2020
"Perdoa se falo coisa confusas. Ninguém me escuta. Eu
falo no silêncio contigo, e tu sabes que não sou um ébrio, um alienado mental e
que meu coração se revolve sob a ferida da qual a treva faz escárnio.
(...) Eu andei pelos caminhos do dia e tu foste, invisível comigo, unindo
significativamente pedaço a pedaço e fizeste-me ver em cada pedaço um
todo."
Diálogo de Jung com sua Alma (Alma e Deus)
O Livro Vermelho
O Livro Vermelho
ORAÇÃO: "Que a sinceridade de nosso coração possa ser
pesada na balança da Justiça Cósmica e se transforme numa chave que abra a
porta dos alentos para a Percepção de todos nós, entre tantos nós. Que o Amor
prevaleça e seja o calçado de nossos pés e pupila de nossos olhos. Que o ar que
todos respiramos esteja impregnado dos laços de amor entre nossas Almas. Que
somente o Bem prevaleça". Gildo Fonseca.
Viktor Frankl, psiquiatra austríaco que passou 5 anos num campo de concentração nazista e autor do livro "Em busca de sentido", escreveu que enquanto estava no campo de concentração, poderia dizer, se eles fossem libertados, quais pessoas estariam OK e quais não estariam. E a resposta não estava no físico. A resposta estava na forma como cada um reagia ao que estava acontecendo.
E ele escreveu isso:
"Tudo o que você tem na vida pode ser tirado de você, exceto uma coisa: sua liberdade de escolher como você responderá à situação."
E ele escreveu isso:
"Tudo o que você tem na vida pode ser tirado de você, exceto uma coisa: sua liberdade de escolher como você responderá à situação."
Que possamos reagir com fé, esperança e delicadeza; entendendo, acima de tudo, que o que importa não são os tombos que você leva, e sim como você reage a eles.
Fabíola Simões, A soma de todos os afetos. - Imagem: Via Pinterest
sábado, 23 de maio de 2020
O Nascimento do Prazer (trecho)
O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida – e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom – como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos – pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós.
( Clarice Lispector ) - (A descoberta do mundo: crónicas – Página 159).
O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida – e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom – como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos – pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós.
( Clarice Lispector ) - (A descoberta do mundo: crónicas – Página 159).
Coragem para enfrentar a pandemia...
Coragem
“A semente não pode saber o que lhe vai acontecer, a semente jamais conheceu a flor. E a semente não pode nem mesmo acreditar que traga em si a potencialidade para transformar-se em uma bela flor. Longa é a jornada. E sempre será mais seguro não entrar nela, porque o percurso é desconhecido, e nada é garantido... mil e uma são as incertezas da jornada, muitos são os imprevistos - e a semente sente-se em segurança, escondida no interior de um caroço resistente. Ainda assim ela arrisca, esforça-se; desfaz-se da carapaça dura que é a sua segurança, e começa a mover-se. A luta começa no mesmo momento: a batalha com o solo, com as pedras, com a rocha. A semente era muito resistente, mas a plantinha será muito, muito delicada, e os perigos serão muitos.
“A semente não pode saber o que lhe vai acontecer, a semente jamais conheceu a flor. E a semente não pode nem mesmo acreditar que traga em si a potencialidade para transformar-se em uma bela flor. Longa é a jornada. E sempre será mais seguro não entrar nela, porque o percurso é desconhecido, e nada é garantido... mil e uma são as incertezas da jornada, muitos são os imprevistos - e a semente sente-se em segurança, escondida no interior de um caroço resistente. Ainda assim ela arrisca, esforça-se; desfaz-se da carapaça dura que é a sua segurança, e começa a mover-se. A luta começa no mesmo momento: a batalha com o solo, com as pedras, com a rocha. A semente era muito resistente, mas a plantinha será muito, muito delicada, e os perigos serão muitos.
Não havia perigo para a semente, a semente poderia ter sobrevivido por
milênios, mas para a plantinha os perigos são muitos. O brotinho
lança-se, porém, ao desconhecido, em direção ao sol, em direção à fonte
de luz, sem saber para onde, sem saber por quê. Enorme é a cruz a ser
carregada, mas a semente está tomada por um sonho e segue em frente.
Semelhante é o caminho para o homem. É árduo. Muita coragem será necessária”.
Esta descrição da carta me faz refletir sobre todos os momentos em que precisamos ser como a semente: aceitar o campo em que caímos e, mesmo dentro de um casca rija, acreditar nos nossos sonhos e romper esta casca, olhando em volta, intuindo onde estamos e para onde vamos.
Se o ambiente for inóspito, temos que, pacientemente, esperar pela chuva e pelo sol que vêm fortalecer nosso crescimento. Temos que encontrar uma brecha entre as pedras e os espinhos para serpentear nosso caule e abrir nossa copa e nossas flores debaixo do vasto céu azul que nos espera.
Texto Tarô Osho
Semelhante é o caminho para o homem. É árduo. Muita coragem será necessária”.
Esta descrição da carta me faz refletir sobre todos os momentos em que precisamos ser como a semente: aceitar o campo em que caímos e, mesmo dentro de um casca rija, acreditar nos nossos sonhos e romper esta casca, olhando em volta, intuindo onde estamos e para onde vamos.
Se o ambiente for inóspito, temos que, pacientemente, esperar pela chuva e pelo sol que vêm fortalecer nosso crescimento. Temos que encontrar uma brecha entre as pedras e os espinhos para serpentear nosso caule e abrir nossa copa e nossas flores debaixo do vasto céu azul que nos espera.
Texto Tarô Osho
quinta-feira, 21 de maio de 2020
Heidegger, sempre maravilhoso: "O erguer-se seguro torna visível o espaço invisível do ar". O texto abaixo é uma análise profunda sobre o emergir da criação e sua cristalização perante nossa percepção, repleto de expressões sutis nas entrelinhas. Uma dança de contrastes entre Consciência e o que a consubstancia.
Gildo Fonseca.
Aí de pé, a obra arquitetônica repousa sobre o solo rochoso. Este assentar da obra extrai da rocha a obscuridade do seu suportar rude e, no entanto, a nada impelido. Aí de pé, a obra arquitetônica resiste à tempestade furiosa que sobre ela se abate, e, desta forma, revela pela primeira vez a tempestade em toda a sua violência. Só o brilho e o fulgor da rocha, que aparecem eles mesmos apenas graças ao Sol, fazem, no entanto, aparecer brilhando a claridade do dia, a amplitude do céu, a escuridão da noite. O erguer-se seguro torna visível o espaço invisível do ar. O carácter imperturbado da obra destaca-se ante a ondulação da maré e deixa aparecer, a partir do seu repouso, o furor dela. A árvore e a erva, a águia e o touro, a serpente e o grilo conseguem, pela primeira vez, alcançar a sua figura mais nítida e, assim, vêm à luz como aquilo que são. Desde cedo, os gregos chamaram a este mesmo surgir e irromper, no seu todo, a Φύσις [phýsis].
Martin Heidegger. "Origem da Obra de Arte", p. 39. Lisboa: Edição Fundação Calouste Gulbenkian, 1998.
Escultura: Fonte Netuno, por Bartolomeo Ammannati, em Piazza Della Signoria, Florença, Itália
quarta-feira, 13 de maio de 2020
A Vida ensina e cobra o seu Valor. É preciso sorver do néctar da
percepção ciente de que cada Instante é Único, Absoluto, Passageiro. A
intensa consciência de nossa finitude, tão lembrada por poetas e
filósofos existencialistas, é agora escancarada sobre a humanidade.
Quase 500 mil mortos até agora. Foi preciso um vírus, para que muitas
pessoas descobrissem em suas próprias entranhas, forças para sobreviver,
consciência para perceber, compaixão para conviver. O pulsar do coração
lembra que a Vida flui dentro de cada Um, esperando reconhecimento e
aguardando, de nós, o doce embalo da Gratidão pelo Existir.
Gildo Fonseca.
Gildo Fonseca.
sábado, 2 de maio de 2020
sexta-feira, 1 de maio de 2020
"Pessoas vão embora de todas as formas: vão embora da nossa vida, do
nosso coração, do nosso abraço, da nossa amizade, da nossa admiração, do
nosso país. E, muitas a quem dedicamos
um profundo amor, morrem. E continuam imortais dentro da gente. A vida
segue: doendo, rasgando, enchendo de saudade… Depois nos dá aceitação,
ameniza a falta trazendo apenas a lembrança que não machuca mais: uma
frase engraçada, uma filosofia de vida, um jeito tão característico,
aquela peculiaridade da pessoa.
Mas pessoas vão embora. As coisas acabam. Relações se esvaem, paixonites escorrem pelo ralo, adeuses começam a fazer sentido. E se a gente sente com estas idas e também vindas, é porque estamos vivos.
Cuidemos deste agora. Muitos já se foram para nos ensinar que a vida é só um bocado de momento que pode durar cem anos ou cinco minutos. E não importa quanto tempo você teve para amar alguém, mas o amor que você investiu durante aquele tempo.
Segundos podem ser eternidades… ou não. Depende da ocasião."
Marla de Queiroz
Mas pessoas vão embora. As coisas acabam. Relações se esvaem, paixonites escorrem pelo ralo, adeuses começam a fazer sentido. E se a gente sente com estas idas e também vindas, é porque estamos vivos.
Cuidemos deste agora. Muitos já se foram para nos ensinar que a vida é só um bocado de momento que pode durar cem anos ou cinco minutos. E não importa quanto tempo você teve para amar alguém, mas o amor que você investiu durante aquele tempo.
Segundos podem ser eternidades… ou não. Depende da ocasião."
Marla de Queiroz
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