A existência precede e governa a essência.
É um conceito da corrente filosófica existencialista. A frase foi primeiramente formulada por Jean-Paul Sartre, e é um dos princípios fundamentais do existencialismo.
O indivíduo, no princípio, somente tem a existência comprovada. Com o passar do tempo ele incorpora a essência em seu ser. Não existe uma essência pré-determinada.
“O homem é condenado a ser livre”
Com essa afirmação vemos o peso da responsabilidade por sermos totalmente livres. E, frente a essa liberdade de eleição, o ser humano se angustia, pois a liberdade implica em fazer escolhas, as quais só o próprio indivíduo pode fazer. Muitos de nós ficamos paralisados e, dessa forma, nos abstemos de fazer as escolhas necessárias. Porém, a “não ação”, o “nada fazer”, por si só, já é uma escolha; a escolha de não agir. A escolha de adiar a existência, evitando os riscos, a fim de não errar e gerar culpa, é uma tônica na sociedade contemporânea. Arriscar-se, procurar a autenticidade, é uma tarefa árdua, uma jornada pessoal que o ser deve empreender em busca de si mesmo.
sábado, 20 de novembro de 2010
SOBRE COMUNICAÇÃO
.
Temo quando as codificações são nossas âncoras ou nossos lemes.
É como se reduzíssemos o conteúdo dos livros à páginas e letras.
Sentir é absoluto, transcende particularidades, intransitivo.
Codificar é relativo, circunstancial, transitivo.
Degredados da Unidade Absoluta, multifacetados em singularidades perceptivas buscamos desesperadamente anelos que nos unam ao que éramos originalmente. Buscamos em cada gota do mar das experiências a totalidade de nosso oceano interior dividido, perdido, incompleto. Talvez seja por isso que todo número é a soma das partes que o compôem. Já os contidos são apenas individualidades... E entretanto um não existe sem o outro.
Silêncio talvez seja então um vazio que anafilaticamente torna eloquente nosso anseio de pertencimento ao devir nessa oposição ao vácuo do Incriado, onde nos levantamos e erguemos a voz em busca de nossos próprios ouvidos cósmicos, rumo a esse desconhecido chamado Eu mesmo. Creio que quando Nietzsche dizia torna-te quem és talvez estivesse se dirigindo também ao Silêncio das Possibilidades ainda não ouvidas...
Ressonâncias de Vazios Inteiros...
Silêncio negativo = ausência de nossa presença.
Silêncio positivo = presença de nossa ausência.
ou
Silenciar é poder estar, sem para o outro, ser...
Silenciar é poder ser, sem para o outro, estar...
Comunicar....
Comunicar é tornar comum o meio, o código. O problema é que não nos preenche mais apenas o meio, mas somente a apreensão absoluta do outro, alimento antropofágico em que nossas almas, pela digestão dos contrastes, torna-se forte ao perceber que ao digerir esse desconhecido alheio geramos as próprias forças que nos permitem existir e continuar, tornando-nos, nós mesmos, também o alimento que fortalece e vivifica o eterno Vir a Ser que nós contém e que também, antropofagicamente nos devora...
Temo quando as codificações são nossas âncoras ou nossos lemes.
É como se reduzíssemos o conteúdo dos livros à páginas e letras.
Sentir é absoluto, transcende particularidades, intransitivo.
Codificar é relativo, circunstancial, transitivo.
Degredados da Unidade Absoluta, multifacetados em singularidades perceptivas buscamos desesperadamente anelos que nos unam ao que éramos originalmente. Buscamos em cada gota do mar das experiências a totalidade de nosso oceano interior dividido, perdido, incompleto. Talvez seja por isso que todo número é a soma das partes que o compôem. Já os contidos são apenas individualidades... E entretanto um não existe sem o outro.
Silêncio talvez seja então um vazio que anafilaticamente torna eloquente nosso anseio de pertencimento ao devir nessa oposição ao vácuo do Incriado, onde nos levantamos e erguemos a voz em busca de nossos próprios ouvidos cósmicos, rumo a esse desconhecido chamado Eu mesmo. Creio que quando Nietzsche dizia torna-te quem és talvez estivesse se dirigindo também ao Silêncio das Possibilidades ainda não ouvidas...
Ressonâncias de Vazios Inteiros...
Silêncio negativo = ausência de nossa presença.
Silêncio positivo = presença de nossa ausência.
ou
Silenciar é poder estar, sem para o outro, ser...
Silenciar é poder ser, sem para o outro, estar...
Comunicar....
Comunicar é tornar comum o meio, o código. O problema é que não nos preenche mais apenas o meio, mas somente a apreensão absoluta do outro, alimento antropofágico em que nossas almas, pela digestão dos contrastes, torna-se forte ao perceber que ao digerir esse desconhecido alheio geramos as próprias forças que nos permitem existir e continuar, tornando-nos, nós mesmos, também o alimento que fortalece e vivifica o eterno Vir a Ser que nós contém e que também, antropofagicamente nos devora...
sábado, 15 de agosto de 2009
Crise do Viver ou Viver em Crise
Interessante o sentido mais próximo do orignal da palavra crise(KrisiV), etimologicamente derivada do verbo grego krinô (krinw) que significa separar, julgar, decidir, considerar, avaliar, selecionar e escolher.
Cada momento de "crise" é uma hora de escolha.
Assim as horas se sucedem. As crises se sucedem. As escolhas se sucedem.
Se você não escolher também estará escolhendo. A vida flui à sua revelia...
Deve ser daí que o ideograma oriental sobre crise também significa oportunidade...
O drama da escolha
Ser ou não ser, eis a questão. Realmente é a questão. O grande dilema humano. Não se consegue ficar neutro, temos a escolha. Escolha difícil: sermos a própria essência oculta em nós ou nos conformarmos à vontade dos outros, guiarmos nossas vidas pelo “eu quero” da própria alma ou pelo “tu deves” da sociedade? sermos dirigidos pela cabeça ou pelo coração?
Cada momento de "crise" é uma hora de escolha.
Assim as horas se sucedem. As crises se sucedem. As escolhas se sucedem.
Se você não escolher também estará escolhendo. A vida flui à sua revelia...
Deve ser daí que o ideograma oriental sobre crise também significa oportunidade...
O drama da escolha
Ser ou não ser, eis a questão. Realmente é a questão. O grande dilema humano. Não se consegue ficar neutro, temos a escolha. Escolha difícil: sermos a própria essência oculta em nós ou nos conformarmos à vontade dos outros, guiarmos nossas vidas pelo “eu quero” da própria alma ou pelo “tu deves” da sociedade? sermos dirigidos pela cabeça ou pelo coração?
Kierkegaard
Embora a grande maioria dos seres humanos permaneçam na “periferia de si mesmo”, acreditando que a existência consiste em buscar o prazer e evitar a dor, chega um momento na vida de todos nós que se descobre que a vida não é apenas isso.
A busca da satisfação permanente é uma quimera, uma ilusão. A realidade humana transcende os aspectos meramente exteriores. Emerge, então, as sensações internas, o desespero aflora à consciência, a própria conscientização de que se vai morrer, coloca intensamente perante o indivíduo a questão básica: ser ou não ser. E para ser é preciso autodisciplina, é preciso autodesprendimento.
Autodisciplina é a postura que o indivíduo tem de seguir um método para conquistar as suas metas. O método é um caminho, um meio. -Que meio será esse ?-Só o indivíduo pode responder ! Autodesprendimento é um ato contínuo no qual o indivíduo aprende a lidar com a escolha. Sendo a principal "escolher-se". Escolher é aprender a abraçar algumas coisas e desapega-se de outras, que não resultam no melhor para si.
Fica a escolha: o desespero-fraqueza, isto é, o conformismo, ou o desespero-desafio, o sentir, o ser autêntico. Seja de um modo, seja de outro, paga-se o preço.
Essa é a visão de Kierkegaard sobre as crises existenciais, o aprendizado a cada dia do desespero-desafio, do ato de educar cada um a si mesmo sobre quem ele é e pode ser.
A busca da satisfação permanente é uma quimera, uma ilusão. A realidade humana transcende os aspectos meramente exteriores. Emerge, então, as sensações internas, o desespero aflora à consciência, a própria conscientização de que se vai morrer, coloca intensamente perante o indivíduo a questão básica: ser ou não ser. E para ser é preciso autodisciplina, é preciso autodesprendimento.
Autodisciplina é a postura que o indivíduo tem de seguir um método para conquistar as suas metas. O método é um caminho, um meio. -Que meio será esse ?-Só o indivíduo pode responder ! Autodesprendimento é um ato contínuo no qual o indivíduo aprende a lidar com a escolha. Sendo a principal "escolher-se". Escolher é aprender a abraçar algumas coisas e desapega-se de outras, que não resultam no melhor para si.
Fica a escolha: o desespero-fraqueza, isto é, o conformismo, ou o desespero-desafio, o sentir, o ser autêntico. Seja de um modo, seja de outro, paga-se o preço.
Essa é a visão de Kierkegaard sobre as crises existenciais, o aprendizado a cada dia do desespero-desafio, do ato de educar cada um a si mesmo sobre quem ele é e pode ser.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
Transferências
No começo do século 17, os habitantes da região italiana da Toscana já estavam se acostumando com as esquisitices de um sujeito chamado Galileu Galilei. Ele era bamba em matemática e física e andava obcecado por entender os mistérios do Universo. Uma passagem curiosa a seu respeito é aquela em que ele subia a torre inclinada de sua cidade natal, Pisa, e ficava jogando coisas de tamanhos e formas diferentes, tentando entender por que e como caíam. Diz a lenda que, após uma dessas experiências, Galileu observava pensativo os restos de um ovo estatelado na calçada da praça dos Milagres quando foi interpelado por uma velhinha que lhe perguntou o que estava fazendo. “Estou tentando entender por que este ovo caiu da torre”, disse ele. “Eu sei por que ele caiu”, emendou a mulher. “Porque você o soltou.”
Essa história engraçada coloca juntas as duas causas que costumam desencadear os fatos da natureza e também da vida humana: a causa que determina e a causa que predispõe. O que determinou a queda do ovo foi a ação da gravidade; o que permitiu que isso acontecesse foi o fato de Galileu ter aberto a mão e soltado o ovo. Da mesma maneira, sempre há uma causa externa e uma causa interna para os fenômenos que acompanham a vida humana. O correto é dar crédito merecido a ambos os fatores, mas nós temos uma imensa tendência a valorizar um e minimizar o outro, de acordo com nossas conveniências. Nossas conquistas costumamos atribuir às nossas virtudes; já nossos fracassos não têm nada a ver com nossos defeitos, e sim com fatos alheios a nós, verdadeiras traições do destino.
Você é meu inferno
Cada pessoa tem seus próprios planos na vida. Para realizá-los, vai executando ações que modificam o mundo a seu favor. Até aí, tudo bem. O problema é que todos fazemos isso e, claro, sempre haverá a possibilidade de que aquilo que alguém faça para atingir seus objetivos entre em conflito com o projeto de outra pessoa. É por isso que o filósofo Sartre dizia que “o inferno são os outros”. Mesmo levando em consideração o mau humor do existencialista francês, temos que aceitar que ele tinha lá alguma razão, mas também não podemos deixar de atribuir a esse pensamento uma carga de transferência de responsabilidade. Às vezes as pessoas criam seus infernos particulares e atribuem a autoria a outrem.
Todos já vivemos situações em que foram as atitudes de alguém o namorado, o chefe ou o presidente da República que acenderam o fogo da panela de pressão de nossa paciência. Ok, concordo! Mas muitas vezes fomos nós mesmos que riscamos o fósforo, e os outros apenas entraram com a palha seca. Ou vice-versa.
Ninguém está livre de ter esse comportamento transferidor de responsabilidade. O problema é que ele pode se transformar em um padrão. Quem jamais, ou quase nunca, admite ter construído seus insucessos, carrega consigo os sentimentos de frustração, de impotência e de injustiça. Frustração porque vê seus planos falharem. Impotência porque, como não se atribui a culpa, sente-se incapaz de agir sobre seu próprio destino. Injustiça porque não se considera merecedor do infortúnio, uma vez que, em sua opinião, não é ele o autor do mesmo.
A psicologia, que está sempre buscando explicar o comportamento humano, cunhou a expressão “projeção” para explicar essa tendência de transferir responsabilidades que todos temos, em graus variados. E colocou a projeção em um grupo de comportamentos chamados “mecanismos de defesa”. A parte da estrutura psicológica chamada ego muitas vezes recusa-se a reconhecer impulsos de seu vizinho, o id. Essa é a parte da mente humana mais primitiva, regida pelo impulso do prazer, e que busca a satisfação imediata das necessidades e o apaziguamento das tensões. Obedecendo a esses impulsos primitivos, muitas vezes fazemos coisas, ou deixamos de fazer, que nossa própria moral reprovaria. É quando entra o ego, que é regido pelo princípio da realidade.
Quando adultos, não podemos mais simplesmente cair no choro e sapatear quando somos contrariados ou repreendidos. As crianças fazem isso porque são comandadas pelo id. Nos adultos, o ego assume o comando e a responsabilidade. Entretanto, às vezes o golpe é muito forte para um ego ainda não totalmente estruturado. Nesse caso, ele projeta a culpa para fora de si, isentando-se e, claro, incriminando alguém. Freud explicou!
Essa história engraçada coloca juntas as duas causas que costumam desencadear os fatos da natureza e também da vida humana: a causa que determina e a causa que predispõe. O que determinou a queda do ovo foi a ação da gravidade; o que permitiu que isso acontecesse foi o fato de Galileu ter aberto a mão e soltado o ovo. Da mesma maneira, sempre há uma causa externa e uma causa interna para os fenômenos que acompanham a vida humana. O correto é dar crédito merecido a ambos os fatores, mas nós temos uma imensa tendência a valorizar um e minimizar o outro, de acordo com nossas conveniências. Nossas conquistas costumamos atribuir às nossas virtudes; já nossos fracassos não têm nada a ver com nossos defeitos, e sim com fatos alheios a nós, verdadeiras traições do destino.
Você é meu inferno
Cada pessoa tem seus próprios planos na vida. Para realizá-los, vai executando ações que modificam o mundo a seu favor. Até aí, tudo bem. O problema é que todos fazemos isso e, claro, sempre haverá a possibilidade de que aquilo que alguém faça para atingir seus objetivos entre em conflito com o projeto de outra pessoa. É por isso que o filósofo Sartre dizia que “o inferno são os outros”. Mesmo levando em consideração o mau humor do existencialista francês, temos que aceitar que ele tinha lá alguma razão, mas também não podemos deixar de atribuir a esse pensamento uma carga de transferência de responsabilidade. Às vezes as pessoas criam seus infernos particulares e atribuem a autoria a outrem.
Todos já vivemos situações em que foram as atitudes de alguém o namorado, o chefe ou o presidente da República que acenderam o fogo da panela de pressão de nossa paciência. Ok, concordo! Mas muitas vezes fomos nós mesmos que riscamos o fósforo, e os outros apenas entraram com a palha seca. Ou vice-versa.
Ninguém está livre de ter esse comportamento transferidor de responsabilidade. O problema é que ele pode se transformar em um padrão. Quem jamais, ou quase nunca, admite ter construído seus insucessos, carrega consigo os sentimentos de frustração, de impotência e de injustiça. Frustração porque vê seus planos falharem. Impotência porque, como não se atribui a culpa, sente-se incapaz de agir sobre seu próprio destino. Injustiça porque não se considera merecedor do infortúnio, uma vez que, em sua opinião, não é ele o autor do mesmo.
A psicologia, que está sempre buscando explicar o comportamento humano, cunhou a expressão “projeção” para explicar essa tendência de transferir responsabilidades que todos temos, em graus variados. E colocou a projeção em um grupo de comportamentos chamados “mecanismos de defesa”. A parte da estrutura psicológica chamada ego muitas vezes recusa-se a reconhecer impulsos de seu vizinho, o id. Essa é a parte da mente humana mais primitiva, regida pelo impulso do prazer, e que busca a satisfação imediata das necessidades e o apaziguamento das tensões. Obedecendo a esses impulsos primitivos, muitas vezes fazemos coisas, ou deixamos de fazer, que nossa própria moral reprovaria. É quando entra o ego, que é regido pelo princípio da realidade.
Quando adultos, não podemos mais simplesmente cair no choro e sapatear quando somos contrariados ou repreendidos. As crianças fazem isso porque são comandadas pelo id. Nos adultos, o ego assume o comando e a responsabilidade. Entretanto, às vezes o golpe é muito forte para um ego ainda não totalmente estruturado. Nesse caso, ele projeta a culpa para fora de si, isentando-se e, claro, incriminando alguém. Freud explicou!
sábado, 8 de agosto de 2009
O Perigo dos Pressupostos
Abriu a porta e viu o amigo que há tanto não via. Estranhou que ele viesse acompanhado por um cão. Cão forte, saltitante e com um ar agressivo. Abriu a porta e cumprimentou o amigo, efusivamente.
"Quanto tempo!"
"Quanto Tempo" ecoou o outro.
O cão aproveitou a saudação e entrou casa adentro, logo um barulho na cozinha demonstrava que ele tinha virado qualquer coisa. O dono da casa encompridou as orelhas. O amigo visitante, porém nada.
"A última vez que nos vimos foi em ..."
O cão passou pela sala, entrou no quarto e novo barulho, desta vez de coisa quebrada. Houve um sorriso amarelo do dono da casa, mas perfeita indiferença do visitante.
"Quem morreu foi o ... você se lembra dele?"
O cão saltou sobre um móvel, derrubou um abajur, logo trepou as patas sujas no sofá e deixou a marca digital e indelével de seu crime. Os dois amigos, tensos, agora fingiram não perceber.
Por fim, o visitante se despediu e já ia saindo quando o dono da casa perguntou:
"Não vai levar seu cão?"
"Cão? Ah, cão! Oh, agora estou entendendo. Não é meu não. Quando eu entrei ele entrou comigo tão naturalmente que pensei que fosse seu".
"Quanto tempo!"
"Quanto Tempo" ecoou o outro.
O cão aproveitou a saudação e entrou casa adentro, logo um barulho na cozinha demonstrava que ele tinha virado qualquer coisa. O dono da casa encompridou as orelhas. O amigo visitante, porém nada.
"A última vez que nos vimos foi em ..."
O cão passou pela sala, entrou no quarto e novo barulho, desta vez de coisa quebrada. Houve um sorriso amarelo do dono da casa, mas perfeita indiferença do visitante.
"Quem morreu foi o ... você se lembra dele?"
O cão saltou sobre um móvel, derrubou um abajur, logo trepou as patas sujas no sofá e deixou a marca digital e indelével de seu crime. Os dois amigos, tensos, agora fingiram não perceber.
Por fim, o visitante se despediu e já ia saindo quando o dono da casa perguntou:
"Não vai levar seu cão?"
"Cão? Ah, cão! Oh, agora estou entendendo. Não é meu não. Quando eu entrei ele entrou comigo tão naturalmente que pensei que fosse seu".
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
MUTANTES
Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos!
Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificados por eles.
Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico; apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente.
A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida.
A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse.
Quem está deprimido por causa da perda de um emprego projeta tristeza por toda parte no corpo - a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptiídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lagrimas de alegria.
Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando a pessoa encontra uma nova posição. Isto reforça a grande necessidade de usar nossa consciência para criar os corpos que realmente desejamos.
A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido.
O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia.
Shakespeare não estava sendo metafórico quando Próspero disse: "Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos."
Você quer saber como esta seu corpo hoje? Lembre-se do que pensou ontem
Quer saber como estará seu corpo amanhã? Olhe seus pensamentos hoje!
Ou você abre seu coração, ou algum cardiologista o fará por você!
DEEPAK CHOPRA
Amizades....
Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.
William Shakespeare
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.
William Shakespeare
Fluxos e refluxos
Estações de cada instante...
Nietzsche
Três transformações do espírito vos menciono:
como o espírito se muda em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança. - Assim falou Zaratustra, Nietzsche.
Nietzsche utiliza dessas três metáforas para dizer três modos de ser enquanto ciclos necessários para um vir-a-ser “elevado” do gregário.
O camelo representa o homem juntando suas vivências e acumulando conteúdos na travessia do deserto da vida. Caminha pela vida, expandindo e limitando suas possibilidades de ser e de viver. Mas sendo só camelo o homem é só um espírito que percorre o mundo carregando “pesos”, sem transformação, anseios e superação. Sendo camelo o homem pode apenas acumular elementos da vida em rebanho. O camelo carrega o fardo do “Tu deves…”, é o homem devedor à moral gregária.
Mas quanto mais acumulamos vivências na nossa bagagem existencial, quanto mais sofrimento e alegria, pode haver o confronto entre a moral coletiva e a moral singular do próprio viver, é ai que o camelo pode dar lugar a um leão que inicia o nascimento de um novo espírito: o homem que se revolta contra a sua aridez desértica ocasionada pelo clima pobre das multidões. O leão representa o “Eu quero…”, uma revolta do homem que agora quer dar vida ao seu deserto onde as nuances da vida singular são pisoteadas pelo rebanho.
Contudo, o leão ainda não pode criar, ele se rebela contra o homem-devedor tendo como meta o vir-a-ser do homem-criador.
E é nessas árduas batalhas do homem-criador contra o homem-devedor, aquele que quer fazer da sua vida sua própria obra de arte contra aqueles que cultivam os ídolos, que o homem pode encontrar novamente a sua pureza para fazer da sua vida uma obra singular. Eis então o estágio mais nobre e puro do homem: o ser criança, o momento do “Eu sou!”
O leão que consegue romper com os grilhões da moral escrava torna-se pura inocência e esquecimento - e não somente memória formada por ferro e fogo - para assumir sua posição de re-criador da sua vida.
O homem que atinge esses três ciclos, que acumula sua dor e sofrimento como um camelo carregando o que lhe colocam em cima, que na dor e no sofrimento encontra o furor de um leão para se rebelar contra seu fardo para fazer de sua vida a sua própria vontade, e atingindo então o espírito mais livre e puro marcado pelo esquecimento tal como o da criança, torna-se o além-do-homem. Eis então aquele que é “Eu sou!”, agora incapaz de ser domado.
Procurará os altos cumes das montanhas, deixará os verdes e calmos prados aparentes do rebanho e se jogará dançando para o abismo.
como o espírito se muda em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança. - Assim falou Zaratustra, Nietzsche.
Nietzsche utiliza dessas três metáforas para dizer três modos de ser enquanto ciclos necessários para um vir-a-ser “elevado” do gregário.
O camelo representa o homem juntando suas vivências e acumulando conteúdos na travessia do deserto da vida. Caminha pela vida, expandindo e limitando suas possibilidades de ser e de viver. Mas sendo só camelo o homem é só um espírito que percorre o mundo carregando “pesos”, sem transformação, anseios e superação. Sendo camelo o homem pode apenas acumular elementos da vida em rebanho. O camelo carrega o fardo do “Tu deves…”, é o homem devedor à moral gregária.
Mas quanto mais acumulamos vivências na nossa bagagem existencial, quanto mais sofrimento e alegria, pode haver o confronto entre a moral coletiva e a moral singular do próprio viver, é ai que o camelo pode dar lugar a um leão que inicia o nascimento de um novo espírito: o homem que se revolta contra a sua aridez desértica ocasionada pelo clima pobre das multidões. O leão representa o “Eu quero…”, uma revolta do homem que agora quer dar vida ao seu deserto onde as nuances da vida singular são pisoteadas pelo rebanho.
Contudo, o leão ainda não pode criar, ele se rebela contra o homem-devedor tendo como meta o vir-a-ser do homem-criador.
E é nessas árduas batalhas do homem-criador contra o homem-devedor, aquele que quer fazer da sua vida sua própria obra de arte contra aqueles que cultivam os ídolos, que o homem pode encontrar novamente a sua pureza para fazer da sua vida uma obra singular. Eis então o estágio mais nobre e puro do homem: o ser criança, o momento do “Eu sou!”
O leão que consegue romper com os grilhões da moral escrava torna-se pura inocência e esquecimento - e não somente memória formada por ferro e fogo - para assumir sua posição de re-criador da sua vida.
O homem que atinge esses três ciclos, que acumula sua dor e sofrimento como um camelo carregando o que lhe colocam em cima, que na dor e no sofrimento encontra o furor de um leão para se rebelar contra seu fardo para fazer de sua vida a sua própria vontade, e atingindo então o espírito mais livre e puro marcado pelo esquecimento tal como o da criança, torna-se o além-do-homem. Eis então aquele que é “Eu sou!”, agora incapaz de ser domado.
Procurará os altos cumes das montanhas, deixará os verdes e calmos prados aparentes do rebanho e se jogará dançando para o abismo.
Frase de Allende, ex-presidente do Chile
Não basta que todos sejam iguais perante a lei.
É preciso que a lei seja igual perante todos."
É preciso que a lei seja igual perante todos."
Fragmentos de Luz
Há coisas que acontecem na vida da gente e são irreversíveis.
Uma delas é um certo tipo de consciência iluminadora (para o bem e para o mal).
No filme "Lugares Comuns" o protagonista (Professor Fernando) chama a isso de lucidez:
A lucidez é um dom e um castigo. Está tudo em uma palavra.
Lúcido vem de Lúcifer, o arcanjo rebelde, o demônio, que é também o luzeiro do amanhecer, a primeira estrela, a mais brilhante, a última a apagar. Vem de Lux e Ferous... que quer dizer aquele que tem luz. Que gera luz - luz que permite a visão interior. O bem e o mal tudo junto. O prazer e a dor. Lucidez é dor. E é o único prazer que podemos conhecer. O único que se parece remotamente à alegria é o prazer de permanecer consciente da própria lucidez.[...]
Aquele que é lúcido pode seguir vivendo e conservar o instinto da espécie, o impulso vital. Mas é possível que, com o tempo, essa obscura força instintiva se perca e então será necessário usar algo semelhante à fé. Há que se pensar um motivo, uma meta, que nos permita resgatar o impulso animal perdido pelo uso frio da razão.Essa vontade, porém, é um motor muito difícil de manter. De repente, sem motivo, ela se vai, se apaga, desaparece. Então é quando se segue ou não. É possível ou não é possível... E, se não é possível, não há culpa. Não importa o amor dos outros nem o amor que sentimos por eles – se não continuarmos, as coisas seguem iguais...
De: EternoRetorno.
Uma delas é um certo tipo de consciência iluminadora (para o bem e para o mal).
No filme "Lugares Comuns" o protagonista (Professor Fernando) chama a isso de lucidez:
A lucidez é um dom e um castigo. Está tudo em uma palavra.
Lúcido vem de Lúcifer, o arcanjo rebelde, o demônio, que é também o luzeiro do amanhecer, a primeira estrela, a mais brilhante, a última a apagar. Vem de Lux e Ferous... que quer dizer aquele que tem luz. Que gera luz - luz que permite a visão interior. O bem e o mal tudo junto. O prazer e a dor. Lucidez é dor. E é o único prazer que podemos conhecer. O único que se parece remotamente à alegria é o prazer de permanecer consciente da própria lucidez.[...]
Aquele que é lúcido pode seguir vivendo e conservar o instinto da espécie, o impulso vital. Mas é possível que, com o tempo, essa obscura força instintiva se perca e então será necessário usar algo semelhante à fé. Há que se pensar um motivo, uma meta, que nos permita resgatar o impulso animal perdido pelo uso frio da razão.Essa vontade, porém, é um motor muito difícil de manter. De repente, sem motivo, ela se vai, se apaga, desaparece. Então é quando se segue ou não. É possível ou não é possível... E, se não é possível, não há culpa. Não importa o amor dos outros nem o amor que sentimos por eles – se não continuarmos, as coisas seguem iguais...
De: EternoRetorno.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
domingo, 2 de agosto de 2009
Sisifo

Sísifo, condenado a subir a montanha empurrando uma rocha para então ser novamente empurrado pelo rochedo para o início, e assim infinitas vezes nessa árdua tarefa, executa revoltadamente a sua ação sem jamais desistir e julgar a vida: sem esperar nada mais! A prova mais contudente de que o homem pode Sim! se revoltar, e isso não significa se verter em niilismo. A revolta que Camus nos apresenta é o sentimento-atitude de poder se revoltar sem baixar os brados flamejantes da luta pela superação das condições de miserabilidade social dizendo Sim! à vida. É um pensamento- ação que nos ajuda a olhar para essa realidade catastrófica e demenciosa a que nos encontramos em tempos de insanidade política e econômica com o direito de poder se revoltar, e como Sísifo continuar lutando. Engajar-se, diria Sartre. Lute, nem que seja sem esperança, aliás que bom seria se fosse sem esse sentimento em geral nefasto, pode ser que não atinjamos as transformações que gostaríamos, mas a questão é que lutamos: “Eu me revolto, logo existimos”, diz o homem do absurdo. Che Guevara foi um Sísifo e resumiu-se: “Antes morrer em pé, a viver ajoelhado”. A situação que nos encontramos, globalmente, pode soar como uma pandemia? Pode! Revolte-se! Mas lute. Lute sem fazer messianismo e sem esperar por um absoluto.
O absurdo exige revolta, diz-nos Camus.
Imagem: Sisifus, M. Klinger, 1914. (texto extraído de O Eterno Retorno)
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