sábado, 29 de julho de 2023

O VALOR
DA(DÁ) SOLIDÃO
E SEU PREÇO.
 
VALORES VOLÁTEIS
 
Toda autenticidade é singular e seu tamanho é inversamente proporcional à pulverização de nossos casuísticos afetos, em trânsito por tantas impermanências.
 
A percepção da necessidade da busca de identidades estruturais que transcendam as algozes paredes culturais de normalidades impostas pela insana civilização talvez seja a única justificativa para os nossos ininterruptos esforços para Existir, buscando compreender o Ser através de contrastes do Não Ser.
 
Somos apenas fluídica Potência, cristalizando o ainda Imperceptível, retroalimentando-nos, nesse múltiplo banquete de aparências, encantados pelo canto de tantas sereias, numa espiral crescente de infinitas e desconhecidas possibilidades contidas em todo múltiplo Devir. A percepção dessa Consciência em trânsito cobra, de nossas Identidades, o pedágio das circunstancialidades, da impermanência, gerando valores de solidão.
 
A Consciência tem seu preço, a descoberta que o Valor da Singularidade de nossas Almas, com seus contrastes entre nossos fragmentos, agregados por nossos Caminhos, nossos Olhares, nossas Percepções, espera, permanentemente, ser lapidada. Lapidação, sinônimo de Existir. Que sejamos todos, bons ourives de nós mesmos.
 
Gildo Fonseca


 

"A humanidade tem dupla moral, uma que prega mas não pratica, outra que pratica mas não prega". Bertrand Russell

Levantar (ou tentar) é lutar para superar quaisquer densidades...


O Ser, em seus ininterruptos esforços para Existir, descobre o significado de valor, pelos custos de cada experiência em seu Caminho. Esse é o "preço" da Consciência, o pedágio da Criação. 
Simone de Beauvoir afirmava em "A velhice": "Inércia é que é sinônimo de morte, a lei da vida é mudar". Existe outro jeito??? 
Gildo Fonseca

As duas frases contidas na imagem tem profundos significados, em vários sentidos. Vale a pena refletir...

"A certeza é fatal. O que me encanta é a incerteza.
A neblina torna as coisas maravilhosas." 

Oscar Wilde.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

 Toda badalada nos fere. A última nos mata. Provérbio latino.

 O homem é um deus amarrado num corpo que apodrece. Pondé

quarta-feira, 19 de julho de 2023

A coisa percebida é obnubilada pela névoa de pretensiosas e voláteis certezas.

A Verdade anda nua porém, para nós,  vestida pelas fragmentadas percepções de nossos enlaces culturais.

Suportaríamos, cada um de nós, a nudez de nossas almas?

Gildo Fonseca.

terça-feira, 18 de julho de 2023

 



"Há um êxito, uma felicidade própria da argúcia, pois em uma centelha se vê vacilar a ordem linguística, e o sem-sentido é descoberto, em um instante, como capaz de fazer vacilar as significações mais estabelecidas, as significações da lei, que não é somente, que não é em primeiro lugar uma lei política, mas que também pode sê-lo.
Temos aqui um poder subversivo que vai além do estabelecimento de uma nova ordem. Comprovem que na argúcia, como também no lapso, o sujeito é sobrepassado por sua criação."
 
Jacques Alain-Miller, na conferência "O piropo: psicanálise e linguagem", de "Conferências Caraquenhas" (reunidas em "Percurso de Lacan - Uma introdução")

 

"Quanto mais abstrata for a verdade que queres ensinar, mais tens que seduzir os sentimentos a seu favor." 

Friedrich Nietzsche

AUTO SABOTAGEM: Sobre o Desejo de Fracassar
 
Em 1917, Sigmund Freud (1856 – 1939) chama a atenção para a forma de funcionar daquele que tenha vivido uma perda significativa em relação à algo do qual não tenha tido a chance de se desapegar emocionalmente o suficiente. Freud denomina esse quadro de melancolia. Por conta de certa relação de extrema amarração, estabelece um vínculo ambíguo com o outro, onde depende, mas deseja não depender. Idolatra o outro por depender dele, mas o odeia por desejar a independência. Por conta da culpa por odiar aquele do qual depende, o melancólico se vê como sendo desprovido de valor, e se sente alguém desprezível. “Vemos como nele uma parte do ego se coloca contra a outra, julga-a criticamente, e, por assim dizer, toma-a como seu objeto.” (Freud, 1917). O vínculo que vivera com o objeto perdido não pudera evoluir para formas mais nobres do amor e se mantivera num modelo de submissão.

sábado, 8 de julho de 2023

“Trinta raios convergentes, unidos ao meio, formam a roda, mas é seu vazio central que move o carro. O vaso é feito de argila, mas é o seu vazio que o torna útil. Abre-se portas e janelas nas paredes de uma casa, mas é seu vazio que a torna habitável.”

Lao Tse

"...Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva".
 
Essa frase, do filme O Caçador de Androides, lembra a finitude de todo evento, sempre sobrepujado por uma nova percepção no instante seguinte. Tudo é transitório e impermanente. Que possamos sorver, com toda intensidade, cada gota, de cada sensação pois viajamos por infinitos enigmas, verdadeiras galáxias de possibilidades e questionamentos, subjacentes a cada circunstância. Tudo morre, tudo nasce, em cada Instante. A finitude pode ser infinita em si mas nossa infinitude perceptiva transcende todos os limites. Gildo Fonseca.

O AR QUE RESPIRO
 
Incompletude, esse líquido amniótico onde pulsam nossas sinapses, nos contém e nos alimenta com seu banquete de incertezas, possibilidades e múltiplos caminhos e percepções. Quem poderá ao certo dizer para onde vai? Apenas espectadores ativos. A propulsora e inexorável transgressão da consciência de nossas próprias limitações flerta com o Desconhecido, com a matéria escura, com os buracos negros da consciência. O imponderável, protagonista no teatro do existir, nos desafia, permanentemente, na superação de nosso trágico estado de meros coadjuvantes no grande palco da Impermanência. Cada Instante é novo Ente. Contudo contidos, somos um Além, a ser auto descortinado. Somos o próprio fluxo da transcendência respirando cada vez que pisca o nosso Olhar, cada vez que pulsa o nosso coração. Gildo Fonseca.

 

"Não me arrependo de nada. Aquele que se arrepende do que fez é duplamente miserável". Spinoza

TRANSGRESSORES DO FUTURO PRESENTE.
CONDENADOS AO QUE HÁ, DEVIR...
 
 
 
O ato de perceber é um inexorável e sucessivo enquadrar-se. Em normas culturais, em fluídicos estados de pulverizadas compreensões da consciência, em voláteis entendimentos, estruturas, caixas, normas, formas e moldes.
 
A névoa da relatividade reina absoluta, escancara que somos meros coadjuvantes no grande palco da vida. O protagonismo do Imponderável Devir prevalece ante olhares estupefatos dos pretensiosos que sempre acreditaram saber o que aconteceria no momento seguinte do grande rio da Vida.
 
A cópula interativa, entre o que achamos e o que será, gera embriões que retroalimentam aquilo que achamos que somos, que temos ou que acreditamos entender num processo infinito de ilusão dinâmica, pão-ópio nosso de cada dia e sem o qual, enlouquecemos.
 
A opinião, o achismo, o pretenso compreender, o julgamento, são filhos de espasmos, de vãs tentativas de ancorarmos nossas decisões em portos, em pontos, em lastros que serão, à semelhança de ação dos buracos negros celestes, absorvidos, transformados, renomeados, reaprendidos em cada instante seguinte, após cada experiência de relacionamentos, seja com pessoas, coisas ou fatos.
 
Transcender é fluir nas ondas, tempestuosas ou calmas, de cada nova face que a Vida nos descortina em eterno banquete, onde a iguaria de cada interação sacia, provisoriamente a desejosa sede de nossas almas transgressoras.
 
Podemos moldar muitos vasos com o barro de nossas intenções mas, vinda do momento seguinte, essa argila também nos molda, lapidando, em cada novo Olhar, em cada percepção, a mutação intrínseca, do próprio processo de entendimento.
 
Sigamos, conscientes, sucumbindo momentaneamente à frase da esfinge, devorados, pois o próprio processo de decifrar será o fio de Ariadne que há de reconduzir-nos àquilo que Somos, por trás de todas as burcas, através de todas as buscas. E então, como dizia Clarice, “vamos ver quem devora quem”.
 
Gildo Fonseca.

terça-feira, 4 de julho de 2023

 ...a saída do cercado é a um só tempo estimulante e amedrontadora; que, uma vez do lado de fora, é doloroso para a criança perceber que não pode retornar; e que a vida é uma longa sequência de saídas de cercados, riscos e desafios novos e estimulantes.

Winnicott

 Somos todos míopes, exceto para dentro.

Só o sonho vê com o olhar.
Transeuntes eternos para nós mesmos,
não há paisagens senão o que somos.
Nada possuímos, porque nem a nós possuímos.
Nada temos porque nada somos.
Que mãos estenderei para que universo?
O universo não é meu:
sou eu.
Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa)


 

“O sabor da maçã está no contato da fruta com o palato e não na fruta em si. De forma semelhante a poesia está no encontro do poema com o leitor, não nas linhas de símbolos impressos nas páginas de um livro. O que é essencial é o ato estético, a emoção, a emoção quase física que vem com cada leitura”.
Jorge Luis Borges
Esse texto de Borges nos lembra que a essência do sabor da vida não está nas pessoas em si mas na Interação entre elas, no encontro das mesmas buscas, no deleite da percepção da amplitude e intensidade contidas em cada alma que encontramos ou reencontramos no Caminho. Somos a Soma de sinapses fluídicas, de tantas faces que compõem o Espelho onde construímos, todos, interativamente, uma pretensiosa âncora chamada Lucidez.
Gildo Fonseca.

domingo, 2 de julho de 2023

"O ego exige sucesso. Mas, como disse Clarice Lispector, numa carta a uma jovem que pretendia tornar-se escritora: 'Quando você fizer sucesso, fique contentinha, mas não contentona. E preciso ter sempre uma simples humildade, tanto na vida como na literatura'. Contentinha, mas não contentona: em quatro palavras, Clarice disse tudo, o que não é de admirar, em se tratando de uma grande escritora. É interessante, aliás, que tenha usado a expressão "contente", mas não "feliz". Não é a mesma coisa. Felicidade é uma coisa transcendente, imaterial. Contente é aquele que contém: sua carência foi preenchida com elogios, com tapinhas nas costas. No Brasil temos a expressão "o bloco dos contentes". Usa-se em geral para pessoas que, ligadas à administração pública, conseguem favores, privilégios, mordomias. O que as contenta vem de fora.
Literatura não é fonte de contentamento. Nem é coisa que possa ser feita pelo membro de um bloco. Ela é, essencialmente, um vício solitário. "

MOACYR SCLIAR - In: Prefácio a "Max e os Felinos".

("Smile', 1955 - Foto: Walter Chandigarh)

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sábado, 1 de julho de 2023

A aranha do meu destino
Faz teias de eu não pensar.
Não soube o que era em menino,
Sou adulto sem o achar.
É que a teia, de espalhada
Apanhou-me o querer ir...
Sou uma vida baloiçada
Na consciência de existir
A aranha da minha sorte
Faz teia de muro a muro...
Sou presa do meu suporte.

Fernando Pessoa

 

Comp. de Artes & Poesias

Na singularidade de todo fragmento está contida a pluralidade de todos os possíveis. Tornar-Se é processo, cristalização de nossos berços, onde somos embalados por nossas fascinações, afetos e pretenso compreender. Como dizia Nietzsche: "não existem fatos, somente interpretações". Viva o Sentimento alucinógeno da Interpretação.

Gildo Fonseca.

Digerir a sucessão de seus fragmentos para tornar-Se "inteira" sacia fomes de alma... GF

Já que tenho de salvar o dia de amanhã, já que tenho que ter uma forma porque não sinto força de ficar desorganizada, já que fatalmente precisarei enquadrar a monstruosa carne infinita e cortá-la em pedaços assimiláveis pelo tamanho de minha boca e pelo tamanho da visão de meus olhos, já que fatalmente sucumbirei à necessidade de forma que vem de meu pavor de ficar indelimitada — então que pelo menos eu tenha a coragem de deixar que essa forma se forme sozinha como uma crosta que por si mesma endurece, a nebulosa de fogo que se esfria em terra. E que eu tenha a grande coragem de resistir à tentação de inventar uma forma."
 
Toda compreensão súbita se parece muito com uma aguda incompreensão. Não. Toda compreensão súbita é finalmente a revelação de uma aguda incompreensão“
 
Lispector, fragmento de Paixão Segundo GH

domingo, 25 de junho de 2023

"Seja paciente em relação a tudo aquilo que não está resolvido em seu coração...tente amar as próprias questões como quartos trancados e como livros escritos numa língua muito estranha. Não procure pelas respostas, que não podem lhe ser dadas porque você não seria capaz de vivê-las. E o ponto é viver tudo. Viver as questões agora. Talvez então você, pouco a pouco, sem perceber, comece a viver na direção de um dia distante, onde estarão as respostas.."

Rilke

sábado, 24 de junho de 2023

Conhecer é presunção volátil, impermanente, transitória. Ser não é estar pois o transcende. Estar não é Ser pois se fosse seria reduzido ao instante percebido. Ser é fluxo interativo entre contrastes que, pelo atrito entre frequências e diversidades, gera a energia sináptica de nossa momentânea e pretensa lucidez. 

Gildo Fonseca.

sexta-feira, 23 de junho de 2023

"A rejeição e a queimadura ativam as mesmas regiões cerebrais envolvidas com a sensação de dor. Sentir-se rejeitado dói tanto quanto a dor física de sofrer uma queimadura."

Aglair Grein-psicanalista

Quando for visitar a sua sombra, lembre-se de levar a sua Luz.
 

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Dualidade onipresente. Inexorabilidade de Escolha. Degustação, sabor, da percepção


ÓDIO tem quatro letras.
AMOR também.

MENTIRA tem sete letras.
VERDADE também.

CHORAR tem seis letras.
SORRIR também.

NEGATIVIDADE tem 12 letras.
POSITIVIDADE também.

MAL tem 3 letras. BEM também.

A VIDA TEM DOIS LADOS.

ESCOLHA O QUE ACHAR MELHOR PARA VOCÊ !!!

quarta-feira, 14 de junho de 2023

"Deixemos passar, Sancho, esta má influência das estrelas."


Dom Quixote - Miguel Cervantes

sábado, 10 de junho de 2023

O IMPACTO DE CADA ASPIRAÇÃO
 
Uns mais, outros menos, mas para todos, tudo vem e tudo vai, através da Força propulsora gerada pela Confiança naquilo que supomos acreditar. Tudo flui, a parte no Todo, o Todo na parte. Dessa intersecção, seus conflitos e seus contrastes, nasce o espaço, o tempo e a percepção. Um fluídico Olhar Absoluto em cada Instante, prisma e ilumina formas, desejos e sonhos, lapidando a lucidez das buscas do entendimento, abrindo e ampliando as pupilas do nosso Olhar em cada experiência, em cada relação. Debaixo do arco-íris da Vida tem um pote de ouro, ele pode ser encontrado nas relações entre singulares pluralidades e uma Pluralidade Singular, um Horizonte que tudo permeia retroalimentando o pulsar dos nossos corações, os anseios da nossa alma. Uns mais, outros menos. Gildo Fonseca.

sexta-feira, 9 de junho de 2023

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Lanterna Dos Afogados ...

Noventa por cento do universo é matéria escura, não podemos observá-la pois não emite radiação em nenhuma região do espectro eletromagnético. Assim também é o Imponderável. Por mais que o homem suponha conhecer e antever eventos ele está sujeito à tudo Aquilo que ainda não conhece. Nosso Olhar, pupila de nossa consciência, em apalpadelas de suposta lucidez, tateia através da massa escura, embriagado pelo ópio de  circunstâncias e sensações onde, a cada instante, sucumbe ao canto da sereia dos desejos, pagando a moeda da insensatez a tantos Carontes cotidianos. A infinitude do desconhecido escancara a pequenez dos limites de nossa consciência, sempre adormecida pela ilusão das crenças, convicções e pretensas certezas. O único sentido é a falta de sentido, uma vez que, encontrada alguma explicação ou função para qualquer coisa ela estará sempre ancorada no transitório, no enevoado, no lusco-fusco do fio da navalha da percepção, na etérea "verdade" da necessidade de auto preenchimento de cada um de nós, em cada instante da nossa sensação existencial. E assim sucumbimos ao imediato, às fontes desejantes das inumeráveis formas que nos controlam. Todo mundo faz o que pode com o pouco que sabe e assim, todos inebriados, convivemos como loucos, onde cada um possui a sua verdade, o seu caminho, a sua solução, embora nunca poderá dizer ao certo o porquê disso, no máximo supor. O velho poeta Vinícius de Moraes já dizia: "as vezes quero crer mas não consigo, é tudo uma total insensatez, então pergunto a Deus que escute Amigo: se foi pra desfazer porque é que Fez? Mas não tem nada não, tenho minha ilusão. Gildo Fonseca.

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Toda Percepção é uma Singularidade, impermanente, transitória, persona da incompletude. Ampulheta viva do Olhar da Consciência, onde descem, ou se descortinam, essa Areia, esse Pó Desconhecido, carregando todo o imponderável, toda a potência de cada Devir, borda, em cada instante, um anelo no tecido de nossa volátil, fugidia, fugaz e pretensiosa compreensão, exatamente no intermezzo do fluir. Mas, jaz o fato consumado, do outro lado dessa Ampulheta, anseia a Consciência, desesperada e angustiosa, o oxigênio da página seguinte, dos novos eventos, areia pueril a escorrer provocando novos olhares, novos horizontes, sístole e diástole de uma busca que cavalga em seu próprio movimento. A Pluralidade, Absoluta, é uma pupila em forma de mosaico, feita da relativa singularidade de cada Olhar.

Ser ou não Ser? Talvez seja Ver ou não Ver.

Gildo Fonseca.

Quem é "dono" de alguma coisa para poder "perder"?

Imagem compartilhada de O Divã - Psicanálise
 

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Existe entre nós dois algo melhor do que o amor: a cumplicidade. 
 
Marguerite Yourcenar

"Encontre um significado.
Distinga melancolia de tristeza.
Saia para uma caminhada.
Não precisa ser um passeio romântico no parque, na primavera, em seu momento mais espetacular, com flores, cheiros e um excelente imaginário poético que te transfere para um outro mundo. Ele não tem que ser um passeio, durante o qual você vai ter várias epifanias da vida ou descobrir significados que nenhum outro cérebro nunca conseguiu encontrar.
Não tenha medo de passar momentos especiais sozinho.
Encontrar significados ou não encontrar um significado. "Roubar" algum tempo e dar, livremente e exclusivamente para o seu próprio eu. Optar por privacidade e solidão.
Isso não faz de você anti social ou um motivo para rejeitar o resto do mundo.
Mas você precisa respirar. E você precisa SER. "

Albert Camus, de Notebooks, 1951-1959

Esse texto de Camus lembra muito o "Ato gratuito" de Lispector. Confira. 
Gildo Fonseca.

domingo, 4 de junho de 2023

Se uma coisa fosse verdadeiramente bela e agradável, se essas qualidades de fato pertencessem a ela, nós a veríamos como desejável em todos os momentos e lugares.
Mas existe algo neste mundo que seja considerado belo por todos?
Como diz o verso budista:
“Para aquele que ama, a bela mulher é objeto de desejo; para o eremita, é uma tentação; para o lobo, uma boa refeição”.
Da mesma forma, se um objeto fosse intrinsecamente repulsivo, todos teriam uma boa razão para evitá-lo.
Mas tudo muda se reconhecermos que estamos apenas atribuindo essas qualidades às coisas e pessoas.
Não há em um belo objeto nenhuma qualidade intrínseca que o torne benéfico para a mente, assim como também não há nada em um objeto feio que, por causa dessa qualidade, cause dano à mente.
Do mesmo modo, uma pessoa que hoje percebemos como inimiga com toda a certeza é, para outro, objeto de afeição, e poderemos um dia criar laços de amizade com esse mesmíssimo indivíduo.
Reagimos como se as características fossem inseparáveis da pessoa e do objeto sobre os quais as depositamos.
Assim, distanciamo-nos da realidade e somos arrastados pelo mecanismo de atração e repulsão, mantido em constante movimento por nossas projeções mentais.
Nossos conceitos congelam as coisas em entidades artificiais, fazendo-nos perder nossa liberdade interior, do mesmo modo que a água perde sua fluidez quando se torna gelo.
 
Monge Matthieu Ricard
 
Tashi delek བཀྲ་ ཤིས་ བདེ་ ལེགས Que absolutamente todos os Seres Sencientes possam se beneficiar.
 
Compartilhado do FB, pg. de Ammonius Saccas

"Gosto do outono porque ele é equilibrado como deve ser a maturidade: frio o suficiente para refrescar o calor e quente o suficiente para aquecer o frio." Aglair Grein-psicanalista

 A família em Freud

Freud dizia que a família era constituída de heróis trágicos que ora se atraíam, ora se agrediam e ora se matavam, pois em “Totem e tabu”, Freud recorre ao mito da horda selvagem darwiniana para explicar a origem da fundação da família. No mito darwiniano, o pai selvagem detinha todas as fêmeas e abusava sexualmente delas, mas um dia os filhos se reuniram e resolveram esquartejar o patriarca e comeram os seus pedaços para cessar aquela situação patética. O que sairia dali, segundo Freud, perturbaria toda a civilização, pois nasceria nos filhos assassinos o sentimento de culpa e todos os humanos estariam ainda hoje com o “estômago embrulhado” tentando digerir essa história dos nossos antepassados. Para Freud, a família se justificaria pelo instinto de sobrevivência da espécie inato no sujeito — pulsão de vida — e pela necessidade do macho de satisfação genital; já a fêmea teria a necessidade de um macho para proteger os seus rebentos, pois é nestes que ela se realiza como mulher. Freud foi casado com Marta Bernays com quem teve uma relação monogâmica e seis filhos e os registros sugerem que ambos tenham formado uma família equilibrada...
 
Luís Olímpio Ferraz Melo

 

"Se existo é com delicado cuidado."  Clarice Lispector.

Sobre a inautenticidade da existência
 
Todos são os outros e ninguém é ele mesmo. No uso dos meios de transporte, na leitura dos jornais, o homem cotidiano comporta-se como qualquer outro. Jogamos e alegramo-nos como ‘a gente’ faz; lemos, olhamos e julgamos como ‘a gente’ lê, vê e julga; achamos chocante o que ‘a gente’ acha chocante. ‘A gente’ não permite exceções, não tem segredos e suas possibilidades seguem caminhos bem fixos. ‘A gente’ pode responder por tudo, porque ninguém é responsável por qualquer coisa.
 
Martin Heidegger (foto), 1889-1976

Lucidez embriagadora e resignadora, nossa e de Goethe...

"Que a vida humana é apenas um sonho outros já disseram, mas também a mim persegue esta ideia por toda parte. Quando penso nos limites que circunscrevem as ativas e investigativas faculdades humanas; quando vejo que esgotamos todas as nossas forças em satisfazer nossas necessidades, que apenas tendem a prolongar uma existência miserável; quando constato que a tranquilidade a respeito de certas questões não passa de uma resignação sonhadora, como se a gente tivesse pintado as paredes entre as quais jazemos presos com feições coloridas e perspectivas risonhas, (...) meto-me dentro de mim e acho ai um mundo! Mas antes em pressentimentos e obscuros desejos que em realidade e ações vivas. E então tudo paira a minha volta, sorrio e sigo a sonhar, penetrando adiante no universo."
 
- Os sofrimentos do jovem Werther; Goethe.
 
Compartilhado de Gigantes da Literatura Universal

sábado, 3 de junho de 2023

"Eu já nem sei quem sou eu, nesse momento. Bem, eu sei quem eu era quando acordei esta manhã, mas acho que mudei tantas vezes desde então...” mas o que sei é que tudo isso parece muito estranho para mim. (...). Desde que cheguei a esse mundo, só escuto o que tenho que fazer e quem eu tenho que ser. Já fui encolhida, esticada, esfolada, escondida num bule de chá. já fui acusada de ser e não ser a Alice certa, mas esse sonho é meu, eu decido o que fazer a partir de agora, eu faço o meu destino".
 
Lewis Carroll, em “Alice no País das Maravilhas”.

Dentro de nós, entre muitos nós, no meio de nós, existe uma Chama que que cria linguagens, expressões. Seus momentâneos e transitórios anelos de empatia, tentam iluminar e ancorar a percepção, em todos os seus contrastes interiores e exteriores. A Luz, o Caminho, a Linguagem tentam expressar sempre, em cada circunstancial singularidade, o Indizível, o Inexprimível mas, Ele pertence à Transcendência Absoluta, ilimitada e nós, ainda, somos relativos, limitados. Somos absolutamente relativos. Somos relativamente absolutos. Existimos, sentimos, experimentamos, nessa turbulenta Intersecção voluptuosa entre o ser e o ainda não ser, o sentido e a falta de sentido, uma Sinapse Consciencial, ventre de Luz em cada Instante. Vibra a Vida. Viva à Vida. Viva, há Vida.

Gildo Fonseca.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Juízos, Agregações, Dogmas, Condenações, Preconceitos, Dualidades, Ressentimentos, Ciúmes,

Ganância ?

 

APENAS DEIXE IR. 

Que junho nos encontre renovados de corpo e alma !!!


 

"Há sempre algo de ausente que me atormenta". Camile Claudel.

Compartilhado de Jorge Sesarino, 2019 

terça-feira, 30 de maio de 2023

"Foi um erro? não... só um protagonismo do imponderável, no ventre criador de nossa Identidade". Gildo Fonseca.